Paraguai atrai empresas; e o Brasil sufoca quem produz
Paraguai deixa imagem de atraso para trás e vira opção para empresários brasileiros
Reprodução O empresário Wilson Matos Filho, mestre em Gestão de Políticas Públicas e em Educação, avalia que o Brasil está perdendo espaço na disputa por investimentos ao insistir em um modelo marcado por alta carga tributária, insegurança jurídica, burocracia excessiva e custo elevado para empreender.
Na visão dele, enquanto o Brasil aumenta regras e impostos, o Paraguai avança ao oferecer um ambiente mais simples, previsível e amigável para empresas, indústrias e investidores.
Para Wilson, a antiga imagem de um Paraguai atrasado ficou no passado. O país vizinho passou a crescer de forma silenciosa, mas consistente, atraindo empresários brasileiros que fazem uma conta objetiva: produzir onde o negócio consegue manter mais dinheiro em caixa.
Brasil caro, Paraguai mais simples
Segundo Wilson Matos Filho, o Brasil continua sendo um país de enorme potencial, mas cria dificuldades para quem deseja investir, produzir e gerar empregos.
Entre os principais problemas apontados por ele estão a carga tributária elevada, acima de 32% do Produto Interno Bruto, a complexidade do sistema, a insegurança jurídica, o excesso de burocracia e o alto custo operacional.
Do outro lado, o Paraguai se apresenta com baixa tributação, regras mais simples, previsibilidade e um ambiente econômico mais favorável.
Na prática, isso tem levado empresas brasileiras a instalarem operações no país vizinho, especialmente em setores industriais e produtivos.
“O problema não é o empresário sair”
Para o empresário, a saída de empresas brasileiras para outros países não deve ser analisada apenas como uma decisão individual do empreendedor. O ponto central, segundo ele, é entender por que o ambiente nacional deixa de ser competitivo.
Na avaliação de Wilson, o problema não é o empresário procurar alternativas. O problema é o próprio ambiente econômico brasileiro empurrar empresas para fora.
“O problema não é o empresário sair. O problema é o ambiente expulsar”, afirma.
A frase resume uma crítica recorrente entre setores produtivos: quando o custo de produzir no Brasil se torna alto demais, o capital busca locais onde possa operar com maior segurança, menor carga e mais previsibilidade.
Capital busca respeito e previsibilidade
Wilson também observa que, enquanto o Brasil discute formas de ampliar arrecadação, países vizinhos adotam estratégias para atrair investimentos.
Para ele, o capital não se prende a fronteiras quando encontra excesso de barreiras tributárias e regulatórias. Empresas buscam ambientes onde possam crescer, contratar e competir.
“O capital não tem patriotismo tributário. Ele vai para onde é respeitado”, avalia.
A análise aponta para uma questão central: competitividade. Países que oferecem estabilidade, regras claras e menor custo operacional tendem a se tornar mais atrativos para investimentos produtivos.
Potencial brasileiro precisa ser destravado
Apesar das críticas, Wilson Matos Filho destaca que o Brasil tem um potencial gigantesco. O país possui mercado consumidor, recursos naturais, indústria, capacidade empreendedora e mão de obra qualificada.
O desafio, segundo ele, é criar um ambiente que não puna quem produz.
Na avaliação do empresário, não existe crescimento econômico sustentável quando o Estado sufoca justamente quem gera emprego, renda e riqueza. Para ele, o Brasil precisa reduzir entraves, simplificar regras, dar segurança jurídica e tratar o empreendedor como parte da solução, não como alvo permanente de arrecadação. Enquanto isso não acontece, países como o Paraguai seguem ganhando espaço na disputa por empresas brasileiras e por novos investimentos.
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