PF pode fechar caso Master sem delação.
Investigadores têm novos elementos para o inquérito em meio à proposta de delação conturbada de Daniel Vorcaro. Nova fase mira Centrão
Fotos: LULA MARQUES/CNBC/ As novas descobertas da Polícia Federal na fraude bilionária envolvendo o Banco Master deixaram a delação premiada de Daniel Vorcaro em segundo plano. Agora, os investigadores acreditam ter um conjunto probatório robusto e novos personagens que surgiram na quinta fase da Operação Compliance Zero, como o senador Ciro Nogueira (PP-PI), considerado um dos líderes do Centrão.
Com a prisão de Felipe Cançado Vorcaro, primo do dono do Master, e dos materiais apreendidos pela PF nos endereços ligados a Ciro Nogueira, além dos oito celulares e computador de Daniel Vorcaro, as autoridades avaliam que podem concluir o inquérito mesmo sem a delação.
Para a PF e a Procuradoria-Geral da República (PGR), Vorcaro tenta fazer uma “colaboração seletiva”, poupando nomes e ocultando o destino de dinheiro supostamente proveniente da fraude.
A Polícia Federal também avisou à defesa do banqueiro que não vai parar de deflagrar novas fases da operação para esperar o fechamento do acordo.
Com isso, as autoridades não descartam a possibilidade de rejeitar a proposta dos advogados de Vorcaro por falta de informações inéditas. Além de levar dados novos, a lei exige que o delator forneça provas substanciais das declarações, como documentos, vídeos, fotos, gravações e outros materiais que possam corroborar as declarações dele.
Caso o empresário tenha a delação negada, ele deve seguir preso para aguardar a tramitação do processo e julgamento pela fraude financeira.
Na cadeia há mais de dois meses, Vorcaro tem pressionado os advogados por um pedido de habeas corpus. A avaliação nos bastidores, no entanto, é que a concessão de liberdade seria praticamente impossível por causa da quantidade de elementos probatórios e da pressão da sociedade diante do caso.
Os novos alvos da Compliance Zero
Ciro Nogueira — Mensagens interceptadas mencionam repasses mensais de até R$ 500 mil para o senador em troca de favorecimento no Congresso. O Master ainda teria pago despesas do senador, como hospedagens, voos e contas em restaurantes.
Felipe Cançado Vorcaro — Primo de Daniel Vorcaro, Felipe é descrito pela PF como integrante do “núcleo financeiro-operacional” da organização investigada.
Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima — Irmão de Ciro Nogueira, ele aparece na investigação como administrador formal da CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda. A empresa seria usada como um “mecanismo dissimulado” para repassar vantagens financeiras a Ciro Nogueira.
Bernardo Rodrigues de Oliveira Filho — Apontado como o operador financeiro responsável pela inserção de dinheiro em espécie no sistema financeiro formal.
Sob pressão
A quinta fase da força-tarefa mergulha nos relacionamentos políticos de Daniel Vorcaro com figuras influentes do Centrão e pressiona o dono do Master em busca de novos nomes que possam acrescentar na investigação.
Além de Ciro Nogueira, há outros personagens do Centrão que podem estar na teia de Vorcaro. 
O presidente do União Brasil, Antônio Rueda, teria voado em um helicóptero do dono do Master após participar do Grande Prêmio de São Paulo de Fórmula 1, em novembro de 2024.
Vorcaro está preso preventivamente desde 4 de março.
A prisão ocorreu no âmbito da terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga a venda de carteiras de créditos fraudulentas ao Banco de Brasília (BRB).
Para a PF, a investigação está longe do fim. O inquérito tem vigência até o meio deste mês, e investigadores avaliam que novo pedido de prorrogação pode ser acolhido pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso.
O que diz Ciro Nogueira
O senador Ciro Nogueira reagiu nessa sexta-feira (8/5) após ser alvo de operação da PF.
Em nota publicada nas redes sociais, o parlamentar afirmou ser vítima de “perseguição política” e disse que tentam “manchar” sua honra pessoal em anos eleitorais.
“Todo ano político é a mesma coisa. Tentam parar de todas as formas quem lidera as pesquisas de intenção de votos”, escreveu o senador.
Ciro também relembrou a eleição de 2018, quando, segundo ele, teria sido alvo de acusações semelhantes. “O povo do Piauí sentiu a perseguição política e o efeito foi contrário”, afirmou.
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