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Maringá,10/05/2026

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Mãe de 13 filhos vê a beleza de não ser perfeita

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Mãe de 13 filhos vê a beleza de não ser perfeita

Davi, Maria Isabel, Ana Rita, Ester, Miguel Arcanjo, Mariana, Bento, Carmem, Francisco, Ana Catarina, Joaquim, Benjamin e Lúcia. Os nomes, do primogênito à caçula, ajudam a dimensionar uma parte da vida de Gisele Cristina de Souza dos Santos, de 44 anos de Paranavaí. Mãe de 13 filhos, ela aprendeu que a maternidade, antes de qualquer imagem comercial, é feita de presença, renúncia, falhas, medo, uma dose diária de improviso e muito amor.
Ao lado do marido, Antônio José dos Santos, de 47 anos, Gisele construiu uma família numerosa em uma rotina que não cabe em fórmulas simples. Ela teve 10 partos normais consecutivos e duas cesáreas, uma no nascimento dos gêmeos Joaquim e Benjamin e outra na chegada da caçula, Lúcia.
Mas a história que ela conta ao Diário do Noroeste não é sobre números. Nem sobre o que as pessoas dizem ser a maternidade. Neste Dia das Mães, Gisele compartilha o que acontece depois que os filhos nascem, crescem, adoecem, brigam, mudam, erram, pedem colo e, aos poucos, transformam a mãe.
“Eu não sou uma pessoa que romantiza”, diz Gisele. A frase aparece no meio da conversa como uma espécie de chave para entender sua trajetória. Para ela, ser mãe também é encarar os fracassos, os limites e a falta de controle.
Essa percepção ficou mais clara nas situações em que a saúde dos filhos fugiu do controle. Uma febre, diz ela, pode ser apenas um resfriado. Mas também pode ser o início de algo grave, como uma bronquiolite. Para uma mãe, esse intervalo entre o sintoma e a resposta é uma espécie de território de angústia.





Gisele com os meninos da casa – Foto: Esther Genu




A impotência, para Gisele, é uma das faces mais reais da maternidade. Ela aparece diante da doença, mas também nas pequenas cenas da casa: a criança que não quer se trocar para ir à escola, o tênis que vira motivo de resistência, a birra que exige paciência quando a mãe já está cansada. Tudo isso acontece, tendo um ou 13 filhos.
Agora, chegando na fase dos “filhos adolescentes”, ela conta, com entusiasmo na voz de quem está descobrindo algo totalmente novo na maternidade, viver outro tipo de desafio. A fase trouxe a percepção de que os filhos não são inteiramente conhecidos pelos pais, por mais atentos que eles sejam. Há sempre um mundo íntimo que escapa nesse momento em que eles vivenciam o aflorar da personalidade.
Essa consciência não diminui o cuidado. Pelo contrário. Para ela, educar exige conhecer as inclinações de cada criança, mas também aceitar que cada filho tem um caminho próprio. Os gêmeos, segundo ela, foram uma das maiores escolas nesse sentido. Cresceram no mesmo ambiente, na mesma gestação, na mesma casa, mas se revelaram completamente diferentes.
Um episódio simples, vivido na escola, ajudou a mostrar isso. Os dois fizeram desenhos sobre a mãe. Um deles desenhou os dois irmãos com ela. O outro desenhou apenas ele e a mãe.
“Aí eu achei interessante a percepção, porque o outro percebeu: bom, a gente é dois, nós dois juntos estamos em todas. Mas o outro não, ele desejou essa exclusividade.”

Gisele com os gêmeos Joaquim e Benjamin, que nasceram em uma das duas cesáreas – Foto: Esther Genu




Na prática, essa maternidade também tem “medida de panela”. Em casa, Gisele prepara uma panela com vários quilos de arroz e outra de cinco litros de feijão para todas as refeições do dia. Carne e salada também acompanham a rotina da casa no famoso “básico que funciona”.
Ela ri ao lembrar que nunca foi uma pessoa organizada ou especialmente disposta ao trabalho doméstico. Antes dos filhos, descreve a si mesma como alguém voltada para as próprias tarefas, estudos e trabalho. A chegada das crianças desmontou essa lógica.
“E aí me aparece essa circunstância de 13 filhos. Eu falo assim, gente… por favor, né!” diz, orgulhosa, entre risos.
O que poderia parecer apenas peso, para ela, virou também formação. Gisele compartilha que a maternidade a tirou de um lugar de comodismo. Não porque alguém a obrigou, mas porque o afeto foi brotando de forma natural, naquele sentido de que um ser humano naturalmente se preocupa com um outro ser humano, só que esse outro é uma criança.
Esse cuidado, no entanto, cobrou renúncias. Durante anos, ela se viu usando as mesmas roupas enquanto priorizava as necessidades das crianças. As peças passavam de um filho para outro, de uma família para outra, dentro de uma lógica comum em muitas casas.
Também houve mudanças no corpo. Gisele engravidou 16 vezes.
Três gestações foram interrompidas antes da sexta semana. Ao olhar para si, ela não nega as marcas deixadas pela maternidade, mas tenta não enxergá-las como uma perda sem sentido.
“Eu olho minha barriga. Puxa vida, foram 13 pessoas que moraram aqui. Então, realmente conta uma história.”
Ela admite que enfrentou momentos de baixa autoestima, com queda de cabelo, alterações no corpo e fases em que passou “meio em branco”. Mas diz que sempre teve cuidado para não transformar essas renúncias em peso para os filhos.
Para Gisele, uma das armadilhas da maternidade é fazer a criança carregar a culpa pelas escolhas e perdas da mãe. Ela diz evitar frases que coloquem sobre os filhos a responsabilidade por um corpo que mudou, por um trabalho deixado para trás ou por uma vida que precisou ser reorganizada.
“Não é positivo para as crianças ver a mãe definhada. Não é positiva aquela figura sofredora, abatida dentro de casa”, orienta.





Gisele com as filhas, em uma trajetória de maternidade real, feita de afeto, imperfeições e presença – Foto: Esther Genu




A maternidade que Gisele descreve é imperfeita, mas muito, muito longe de ser amarga. Ela fala de culpa, cansaço e medo, mas também de uma força afetiva que aparece justamente naqueles dias em que a mãe se sente menos merecedora.
“Às vezes você é uma megera. Você é braba, dá uns berros lá com as crianças. E os bichinhos vêm e te abraçam. Te entregam uma flor, uma cartinha, sabe? E você nem merece, você nem merecia ser amada assim”, conta, com a voz embargada e os olhos marejados, recordando momentos do dia a dia.
Esse amor não apaga as dificuldades, mas dá novo sentido às falhas.
Gisele não tenta se apresentar como uma mãe perfeita. Pelo contrário. Diz que não quer exigir dos filhos uma perfeição que ela mesma não tem.
Parceria – Ao falar da família, ela faz questão de reconhecer em Antônio o companheiro que permanece ao lado dela todos os dias, ajudando nas demandas da casa, nos cuidados com os filhos e nas soluções que a vida exige. É a ele que ela direciona um agradecimento especial no final da entrevista: pelo suporte, pela parceria no cuidado e pelo grande sorriso no processo de construir uma família tão numerosa.
Projeto — Para uma família de 15 pessoas, o transporte está longe de ser algo comum. A van que já foi usada por Gisele, Antônio e os filhos fundiu o motor mais de duas vezes e deixou de ser uma solução viável para os deslocamentos em família.
Atualmente, eles organizam uma rifa para comprar uma Kombi usada, de 12 lugares, considerada por Antônio uma manutenção mais simples de manter. Você pode clicar aqui e participar da rifa!
Segundo Gisele, o veículo é usado principalmente para ir à igreja, passeios e momentos em que todos precisam sair juntos. No dia a dia, os filhos menores contam com transporte municipal para estudar, os adolescentes usam bicicleta, e a família também anda a pé ou recorre a outros meios quando necessário.




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