Uma mentalidade positiva ajuda você a viver mais.
Algumas qualidades, incluindo um senso de propósito, parecem ter benefícios reais para a saúde — especialmente à medida que se envelhece
Fotos Redessociais/Reprodução
Nan Niland, 72 anos, trabalhou como dentista por 40 anos. “Era realmente a minha autoidentidade”, diz. “Provavelmente até demais.”
Quando se aposentou, em 2020, ela estabeleceu uma rotina de exercícios, leitura, costura e tempo na natureza. Mas, depois de um tempo, começou a sentir falta de um pouco mais de estrutura e propósito.
Então leu, em um boletim local, sobre a organização beneficente Welcome Home, de Newton, Massachusetts. A instituição funciona como uma despensa de itens domésticos, coletando e redistribuindo utensílios para famílias necessitadas.
Hoje, Nan faz trabalho voluntário lá cerca de 15 horas por semana. “Eu precisava sentir que estava fazendo algo além de agradar a mim mesma”, analisa.
Muito já se escreveu sobre como comportamentos físicos, como exercício, dieta e sono, contribuem para uma vida longa e saudável. Mas pesquisas sugerem que, à medida que você envelhece, uma mentalidade positiva — incluindo otimismo e senso de propósito — também pode beneficiar sua saúde e longevidade.
Sentir que você é valorizado e tem algo a oferecer aos outros, muitas vezes chamado de “mattering” (sentir-se importante), pode incentivar comportamentos de saúde positivos que influenciam a longevidade. “Se você sente que importa, é mais provável que permaneça socialmente conectado, cuide de si mesmo, esteja presente para os outros e continue investindo na vida”, diz Jennifer B. Wallace, autora de um novo livro, “Mattering”.
Quando Linda Fried trabalhava como geriatra na Johns Hopkins Medicine, no início da carreira, percebeu que muitos de seus pacientes estavam “legitimamente doentes”, mas a causa da doença vinha de “não terem um motivo para levantar da cama pela manhã”.
Hoje professora de epidemiologia e medicina na Universidade Columbia, Linda Fried começou a recomendar que seus pacientes fizessem trabalho voluntário em organizações com as quais se importassem. Pouco depois, criou seu próprio programa de voluntariado para estudar os possíveis benefícios em adultos mais velhos.
Linda descobriu que pessoas que faziam trabalho voluntário aumentavam seus níveis de atividade e se sentiam fisicamente mais fortes após alguns meses de serviço. Elas também melhoraram modestamente seus resultados em testes cognitivos e obtiveram pontuações mais altas em um questionário que avaliava sentimentos sobre legado e impacto na comunidade.
O voluntariado não é o único caminho para sentir que se importa. Tornar-se frequentador habitual de um café, parque para cães ou outro “terceiro lugar” também pode ajudar a se sentir mais conectado. “Encontrar ambientes onde você sente que importa protege contra a solidão e a sensação de não ter importância que pode surgir na aposentadoria”, comenta Jennifer.
O otimismo também é poderoso
Manter uma visão positiva da vida, e do envelhecimento em particular, também parece beneficiar as pessoas nos anos mais avançados.
Um estudo de 2022 descobriu que mulheres com mais de 50 anos que obtiveram as pontuações mais altas em uma medida de otimismo viveram, em média, 5% mais e tiveram maior chance de chegar aos 90 anos do que aquelas com as pontuações mais baixas.
E um estudo publicado neste mês relatou que adultos com 50 anos ou mais que tinham uma atitude positiva em relação ao envelhecimento — dizendo que se sentiam tão úteis ou felizes quanto quando eram mais jovens — tinham maior probabilidade de manter ou até melhorar ligeiramente seus resultados em testes de capacidade física e cognitiva ao longo de 12 anos.
Assim como acontece com o sentimento de importância, sentir-se positivo em relação ao futuro parece afetar a saúde ao influenciar comportamentos, nota Becca Levy, professora de saúde pública e psicologia na Universidade Yale, que liderou o estudo recente.
Quando alguém sente que tem algo pelo qual esperar, é mais provável que siga orientações médicas, pratique mais atividade física e mantenha conexões sociais.
As pesquisas de Becca mostraram que ter uma visão positiva sobre o envelhecimento pode até proteger contra o estresse, resultando em níveis mais baixos de cortisol e marcadores de inflamação.
Claro que envelhecer não é fácil.
Perder alguém querido, lidar com uma doença ou tornar-se cuidador podem afetar o senso de identidade e perspectiva.
Permanecer otimista nessas situações não significa negar as partes difíceis da vida, explica Deepika Chopra, psicóloga da saúde e autora de “The Power of Real Optimism”.
“Isso está muito mais relacionado, acho, à resiliência do que à positividade”, adiciona Deepika. 
Pessoas otimistas “veem esses contratempos como algo temporário e que têm a capacidade de superar”.
Para ajudar a cultivar o otimismo, Deepika recomenda ser intencional ao esperar por algo todos os dias. Pode ser uma caminhada ao ar livre, uma conversa com um amigo ou até o que você vai jantar.
“Quando as pessoas imaginam repetidamente o futuro como limitado ou em declínio, o que muitos fazem ao envelhecer, o cérebro começa a reforçar essas expectativas”, comenta Deepika. “Mas, se conseguirmos direcionar conscientemente a atenção para algo — mesmo que pequeno — um momento positivo futuro todos os dias, treinamos o cérebro para antecipar que coisas boas ainda estão por vir.”
O avô de Deepika, Madan Syal, incorpora essa atitude. Ele diz sentir-se positivo em relação ao envelhecimento e gosta de jogar cartas com a esposa todos os dias. Mas o que ele realmente espera é completar 100 anos em julho.
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