O mundo caindo na cabeça de Moraes...
É....mas o ministro Xandão e o STF fingem que não é com eles
Ministros do STF em sessão plenária da corte Foto: Gustavo Moreno/STF Ou o ministro Alexandre de Moraes admite que gastou R$ 1 milhão com aluguel de jatinhos, o que, convenhamos, não é trivial, ou vai ter de assumir sua proximidade, até intimidade, com o então banqueiro Daniel Vorcaro, o que é menos trivial ainda, em se tratando de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) — justamente o que capitaneou a resistência a um golpe de Estado.
Moraes, que deixou de ser Xandão, age e decide como se nada tivesse acontecido e como se a delação premiada de Vorcaro não estivesse no horizonte. Está, deve vir logo e espera-se que seja corroborada por seu cunhado e braço-direito, o pastor esquisitão e super tatuado Fabiano Zettel.
Assim como o próprio Moraes, Vorcaro e Zettel sabem muitíssimo bem que, se eles não confirmarem e não forem além de tudo o que a PF, a PGR e, a esta altura, a sociedade já sabem, suas delações cairão no vazio e eles não ganharão nada em troca, nem um dia a menos de cadeia.
A Policia Federal, principalmente, não tem paciência nem tempo a perder.
Logo, é improvável, como praticamente impossível, que os dois principais implicados no escândalo Master, o maior da história financeira do País, se sintam “devedores” ou “leais” a Moraes, como também a Dias Toffoli, a ponto de mentirem e tentarem tergiversar sobre a troca de segredos e favores com ministros do STF.
Como previsto aqui, a entrada de Moraes na cena do crime tirou os holofotes de Toffoli, que passou de protagonista a coadjuvante. Moraes, porém, dá sinais de não ter captado até agora, e apesar de todas as evidências, a gravidade da sua situação, os riscos que está correndo e a força do impacto na imagem e na confiança do Supremo.
Em conversas reservadas entre ministros mais chegados, as nuvens de constrangimento são sufocantes e ninguém tem coragem de dizer a verdade nua e crua. Antes, preferem botar a culpa na PF, nos vazamentos e, como sempre, na mídia, que trabalha com fatos e é aplaudida quando os fatos são favoráveis e açoitada quando são contrários.
“Vocês estão loucos!”, esbraveja uma fonte do Supremo, acusando jornalistas de botar em risco a estabilidade política, a credibilidade institucional e, enfim, a democracia, por divulgarem dados, documentos e verdades inquestionáveis.
O contrato de R$ 130 milhões não existiu?
Os voos nunca foram voados?
O resort milionário era miragem?
Os irmãos não eram laranjas?
O jatinho com o advogado do Master para foi invenção?
Aliás, e as decisões favorecendo a JBS?
Sim, a estabilidade e as instituições exalam fragilidade.
O Congresso está abaixo da crítica, o Executivo, fraco, e o STF, envolto em incertezas e angústia, mas a culpa não é da PF e da mídia.
Quem tem responsabilidade é que deveria ter pensado nisso antes de fazer o que fez.
O caso Master, inclusive, apenas destampou uma panela de pressão que, mais cedo ou mais tarde, acabaria explodindo.
Difícil e triste dizer isso?
Com certeza, mas jornalistas trabalham com fatos e melhor que o STF pode fazer é o que as Forças Armadas conseguiram no julgamento do golpe: isolar os CPFs para blindar o CNPJ.
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