Relatório revela rede de R$ 39 bilhões.
A rede lavava dinheiro para o "Careca do INSS" e o PCC
VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES O relatório final da CPMI do INSS no Congresso Nacional, elaborado pelo deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), trouxe à tona uma das maiores estruturas de lavagem de dinheiro já identificadas no Brasil.
O esquema, operado por Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS", utilizava uma rede de 41 empresas de fachada que movimentou R$ 39 bilhões.
O que mais impressiona nas investigações é que essa mesma estrutura financeira servia também ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao grupo libanês Hezbollah.
De acordo com o documento, o fluxo começava com entidades de fachada (como Abapen e Abrasprev) que realizavam descontos ilegais em aposentadorias.
Esses recursos eram injetados em empresas principais — Arpar, Dinar, HBR Capital e Spyder.
Para ocultar a origem ilícita, o montante circulava rapidamente entre diversos CNPJs sem funcionários ou sedes físicas, muitos registrados em nome de "laranjas", incluindo uma idosa já falecida de 90 anos.
O destino final dos valores eram contas no exterior e investimentos em criptomoedas.
A investigação aponta que a rede de lavagem era compartilhada. Enquanto o esquema do INSS é estimado em R$ 6,3 bilhões, o volume total de R$ 39 bilhões da rede se explica pelo atendimento a outras organizações criminosas.
Fintechs e bancos digitais eram utilizados como pontes para misturar o dinheiro dos aposentados com recursos do tráfico de drogas e do terrorismo. O relatório pede urgência no aprofundamento das investigações pelos órgãos competentes.
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