SP tem recorde de feminicídios para o 1º bimestre
Março foi marcado pela morte da soldado Gisele e outros assassinatos de mulheres
Foto: BrunoSantos/ O estado de São Paulo registrou 56 feminicídios nos meses de janeiro e fevereiro deste ano. Trata-se de um aumento de 33% em relação ao mesmo período do ano passado e um recorde para o primeiro bimestre desde 2018, quando teve início a série histórica para esse tipo de crime, apontam estatísticas divulgadas pela SSP (Secretaria de Segurança Pública).
A alta nesse tipo de crime ocorre em meio a uma queda nos homicídios em geral: em janeiro e fevereiro foram 392 vítimas de homicídios dolosos no estado, mínima histórica da estatística desde 2001 e queda de 7,5% em relação aos dois primeiros meses de 2025.
Na capital, foram 74 homicídios - queda de 22% e também o menor número desde 2001.
Na capital, foram registrados 11 feminicídios no bimestre, um a menos do que no ano passado - é o segundo pior resultado desde 2018.
O feminicídio, conforme estabelece a Lei 13.104, ocorre quando o assassinato é praticado por razões do sexo feminino, quando, por exemplo, envolver violência doméstica e familiar e/ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher.
Fevereiro foi marcado por crimes brutais contra mulheres.
O caso de maior repercussão foi a morte da soldado Gisele Alves Santana, 32, no dia 18 de fevereiro.
O marido dela, tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, 53, foi preso um mês depois por suspeita de ter atirado contra a cabeça dela e simulado um suicídio.
Mensagens encontradas nos celulares do casal mostraram que ela pedia divórcio havia semanas, e que o relacionamento já tinha registros de agressões e comportamentos obsessivos do marido. Laudos de perícia descartaram a hipótese de suicídio. O tenente-coronel manteve sua versão e a defesa dele alegou que a prisão foi ilegal.
No início do mês, um homem foi preso em flagrante após invadir a casa da ex-namorada e matá-la a facadas em Santo André, na região metropolitana de São Paulo. No dia 26 de fevereiro, uma jovem de 22 anos foi assassinada pelo ex-namorado, de 25 anos, dentro de uma loja em um shopping de São Bernardo do Campo (SP), também com uma facada.
Na segunda (30), um dia antes da divulgação das estatísticas criminais, o governador Tarcísio de Freitas anunciou um pacote de medidas que visa a fortalecer o enfrentamento à violência contra a mulher.
As ações incluem a entrega de 69 salas DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) em plantões policiais nos próximos meses e a criação de um plano de metas decenal contra a violência doméstica.
Segundo especialistas, o aumento dos feminicídios em meio à queda dos assassinatos em geral indica que a classificação correta pode ter sido aplicada com mais consistência com o passar dos anos. Os estupros e as tentativas de homicídio contra mulheres diminuíram em janeiro e fevereiro.
Ao mesmo tempo, os registros de agressões (classificadas como lesão corporal dolosa) e ameaças contra mulheres cresceram.
ROUBOS E FURTOS
O estado de São Paulo teve queda nos registros de roubos, furtos e latrocínio no primeiro bimestre de 2026, apontam os dados da secretaria estadual.
No estado, os roubos caíram de 30.180 registros no ano passado para 23.719 -redução de 21%. A capital acompanhou essa tendência, com 14.870 roubos no bimestre, 15% a menos do que no mesmo período do ano passado.
Em nota, a SSP disse que houve queda de 20% nos roubos de celular no bimestre. "Foram 8430 ocorrências registradas no período, ante 10.587 no comparativo com 2025", diz a secretaria. A gestão Tarcísio atribui o resultado a aumento do policiamento nas regiões de maior incidência do crime e operações da Polícia Civil para identificar e prender criminosos que abastecem o mercado ilegal de aparelhos roubados.
Os registros de furto ficaram praticamente estáveis na capital. Foram 40 mil ocorrências reportadas à Polícia Civil, apenas 56 a menos do que no mesmo período do ano passado (o que representa menos de 1%). No estado, houve queda de 7% nos furtos, com 86,5 mil ocorrências registradas no bimestre.
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