Grupo tenta desviar milhões do UNIP/OBJETIVO
Ministério Público de São Paulo e Polícia Civil apontam grupo de nove investigados por tentativa de fraude que simulou dívida milionária contra João Carlos Di Genio
João Carlos Di Genio foi o fundador do grupo Unip/Objetivo — Foto: Reprodução/Facebook Investigação conduzida pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil identificou um grupo suspeito de tentar aplicar um golpe de quase R$ 900 milhões contra o espólio do empresário João Carlos Di Genio, fundador do grupo educacional Unip/Objetivo.
A organização criminosa foi dividida pelas autoridades em núcleos operacionais que utilizavam empresas de fachada e documentos falsificados para simular dívidas inexistentes.
Pelo menos nove pessoas faziam parte do esquema.
O núcleo do grupo era a empresa Colonizadora Planalto Paulista.
Segundo as autoridades, os envolvidos teriam montado uma “fábrica de documentos falsos” e utilizado uma câmara arbitral de fachada, batizada de Fórum de Negócios e Finanças Internacionais e Nacionais por Arbitragem e Mediação (Fonamsp) para simular a existência de dívidas milionárias inexistentes. Este grupo era o "beneficiário" da suposta dívida e responsável por iniciar as cobranças judiciais e extrajudiciais.
No núcleo da Colonizadora Planalto Paulista, estão envolvidos:
Anani Candido de Lara: Sócio da Colonizadora Planalto Paulista.
Figura central na fraude, responsável pela confecção de ata notarial com informações contraditórias, envio de documentos falsos e participação direta na elaboração da cadeia contratual fraudada. Alega ter encaminhado os originais ao escritório do espólio, sem apresentá-los em juízo.
Luiz Teixeira da Silva Junior: Detentor de 95% do capital social da empresa envolvida, assumiu as obrigações societárias e financeiras para "regularizar" a transação simulada. Há fortes indícios de que tenha aderido conscientemente ao esquema, mesmo que em fase posterior, dando sustentação à fraude e ingressando com ação judicial executória. Ele também é acusado de ter falsificado no laudo médico falso usado contra o candidato Guilherme Boulos na eleição de 2024.
Rubens Maurício Bolorino: Aparece como testemunha em contratos falsificados e no procedimento arbitral, emprestando sua identidade para atribuir verossimilhança ao negócio simulado. Bolorino possui histórico criminal por ligação com o crime organizado e tráfico internacional de drogas.
Núcleo da FONAMSP, descrita como uma Câmara Arbitral de fachada.
Este grupo operava o simulacro de processo arbitral para gerar o título de cobrança bilionário.
Aline Cordeiro de Oliveira Boaventura: Atuou como a suposta "juíza arbitral" que proferiu a sentença de R$ 845 milhões à revelia da família Di Genio, sem assegurar o direito de defesa.
Wagner Rossi Silva: Identificado como operador logístico do grupo, tendo atuado no trânsito e manuseio dos documentos falsos, além de realizar diligências operacionais e burocráticas junto a cartórios e órgãos administrativos.
Patricia Alejandra Ormart Barreto: Colaboradora do grupo, teria simulado notificações e expedido documentos à revelia do espólio, em conluio com os demais investigados.
Jorge Alberto Rodrigues de Oliveira: Seria responsável por intermediar contatos entre membros do grupo e representantes do espólio, facilitando a narrativa de negociação legítima.
Camila Mariana Alejandra Piaggio Nogueira: Seria ligada à administração da empresa e ao trâmite documental interno da fraude; participou da estruturação formal dos contratos e dos documentos utilizados na arbitragem.
Carlos Xavier Lopes: Estaria envolvido no núcleo financeiro da organização, tendo supostamente atuado na dissimulação da origem e destino dos recursos envolvidos na tentativa de execução judicial.
Até agora, uma pessoa foi presa, identificada como Jorge Alberto Rodrigues de Oliveira, os demais são considerados foragidos. O espaço segue aberto para a defesa dos citados.
O esquema
A trama começou em agosto de 2024, quando a empresa Colonizadora Planalto Paulista Ltda. enviou uma notificação extrajudicial à inventariante Sandra Rejane Gomes Miessa, alegando um crédito de R$ 635 milhões. Como suposta comprovação, foi apresentado um contrato de compra e venda de 448 imóveis em Piraju (SP), que teria sido assinado por Di Genio em novembro de 2021 — apenas três meses antes de sua morte
Laudos periciais, no entanto, apontaram que as assinaturas de Di Genio e de seu procurador, Oswaldo Pereira Barbosa, foram falsificadas por meio de técnicas de decalque e montagem.
Para reforçar a fraude, o grupo ainda utilizou uma nota promissória adulterada, com data retroativa a 2017.
Após a tentativa frustrada de cobrança extrajudicial, os investigados recorreram ao chamado Fórum de Negócios e Finanças Internacionais e Nacionais por Arbitragem e Mediação Ltda. (FONAMSP), apontado como uma entidade de fachada ligada ao investigado Wagner Rossi Silva.
De acordo com o Ministério Público, o grupo simulou um processo arbitral, conduzido pela suposta juíza Aline Cordeiro de Oliveira Boaventura, que resultou em uma sentença proferida à revelia do espólio. Para impedir que a família tivesse conhecimento do caso, os suspeitos chegaram a falsificar a assinatura de um porteiro, simulando o recebimento de intimações.
Com a atualização dos valores, a dívida fictícia foi elevada para R$ 845.873.009,65.
Diante dos fatos, o juiz Paulo Fernando Deroma de Mello decretou a prisão temporária de todos os nove investigados citados.
Além das prisões, a Justiça determinou o bloqueio de ativos financeiros dos acusados até o limite de R$ 85 milhões e a suspensão imediata das atividades econômicas das empresas envolvidas.
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