Morre Neil Sedaka, cantor lendário, aos 86 anos
Artista foi ídolo adolescente e presença constante no pop no fim dos anos 1950 e início da década de 1960
Reprodução The New York Times Neil Sedaka, que passou de prodígio da música clássica a compositor precoce, ídolo adolescente e presença constante no pop em uma carreira celebrada que se estendeu por sete décadas, morreu nesta sexta-feira (27) em Los Angeles, nos Estados Unidos. Ele tinha 86 anos.
Seu filho, Marc, disse que o artista, que morava em West Hollywood, cidade também da Califórnia, havia sido levado a um hospital mais cedo. Segundo ele, a causa não foi imediatamente identificada.
Sedaka compôs e cantou alguns dos hinos adolescentes mais marcantes do fim dos anos 1950 e início dos anos 1960, sucessos da era do rock pré-Beatles como “Calendar girl”, “Happy birthday sweet sixteen” e “Breaking up is hard to do”.
Ele também compôs músicas de sucesso como “Stupid cupid” e “Where the boys are” para Connie Francis e, muito mais tarde, “Love will keep us together” para Captain and Tennille.
Ao longo da carreira, Sedaka cruzou caminhos com um grupo notavelmente diverso de músicos — o pianista clássico Arthur Rubinstein e o violinista Jascha Heifetz, além de Carole King, Elton John e Captain and Tennille, entre outros.
Ele reunia um talento especial para melodias, o instinto comercial de um especialista em pop, um tenor agudo juvenil e um entusiasmo sem reservas pelas apresentações ao vivo.
E sua trajetória tinha um caráter ao mesmo tempo universal e profundamente ligado a um lugar específico: o Brooklyn dos anos 1950 e sua cultura judaica, que teve um papel desproporcionalmente importante na história inicial do rock.
Em entrevista ao jornal judaico The Forward, em 2012, Sedaka relembrou contemporâneos como King, com quem namorou no ensino médio; Neil Diamond, que morava do outro lado da rua; e outros artistas, como Barbra Streisand e Barry Manilow, que tiveram influências semelhantes.
“Nós todos morávamos no Brooklyn”, disse ele. “Foi uma época maravilhosa. Devia haver alguma coisa no egg cream. A gente costumava ficar nas confeitarias tomando egg creams e comendo knishes de batata.”
Neil Sedaka nasceu em 13 de março de 1939, no Brooklyn, em Nova York, um dos dois filhos de Mac e Eleanor (Appel) Sedaka. Seu pai, motorista de táxi, era de origem judaica sefardita; sua mãe, asquenaze.
O sobrenome da família era uma variação da palavra hebraica “tzedakah”, que significa caridade.
Crescendo no bairro de Brighton Beach, no Brooklyn, ele demonstrou um talento musical tão evidente que sua professora da segunda série incentivou os pais a comprarem um piano. Sua mãe conseguiu um emprego em uma loja de departamentos para ajudar a juntar os 500 dólares necessários para adquirir um piano vertical usado.
Aos 9 anos, Neil recebeu uma bolsa para o curso preparatório da Juilliard School of Music, em Manhattan. Em 1956, foi um dos 15 jovens músicos escolhidos por Rubinstein, Heifetz e outros para apresentar obras de Claude Debussy e Sergei Prokofiev na WQXR, a rádio de música clássica que na época pertencia ao jornal The New York Times.
Seu caminho como pianista clássico parecia bem encaminhado, mas ele começava a seguir outra direção. Aos 13 anos, passou a compor com um vizinho de prédio de 16 anos, Howard Greenfield: Sedaka criava as melodias e Greenfield escrevia as letras. Ele manteve essa atividade em segredo para não decepcionar a mãe, que tinha aspirações muito mais ambiciosas para sua carreira.
Segundo Sedaka, os dois chegaram a escrever uma música por dia durante três anos, antes de diminuírem o ritmo. Eles apresentavam as canções a editoras musicais e produtores em Manhattan e logo passaram a trabalhar em salas apertadas no famoso Brill Building, que se tornaria um centro importante de compositores de música pop.
No verão de 1958, quando Sedaka tinha 19 anos, Connie Francis entrou no Top 20 (chegando à 14ª posição da Billboard Hot 100) com “Stupid cupid”, composta por ele e Greenfield.
Os dois continuaram produzindo canções pop para artistas como Bobby Darin, mas Sedaka logo alcançou ainda mais sucesso como intérprete carismático e de aparência juvenil.
Seu primeiro single, “The diary”, entrou na parada Billboard Hot 100 em dezembro de 1958 e chegou à 14ª posição. No ano seguinte, teve seu primeiro Top 10 com “Oh! Carol”, que ele e Greenfield escreveram sobre Carole King.
Uma impressionante sequência de sucessos veio em seguida e, no início dos anos 1960, Sedaka já era uma grande estrela do pop. “Breaking up is hard to do” chegou ao primeiro lugar em agosto de 1962.
“Eu precisava me beliscar o tempo todo para acreditar”, disse à Rolling Stone em 1975.
Ele contou que costumava dirigir pela Kings Highway, no Brooklyn, com a capota aberta de seu primeiro carro, um Chevrolet Impala conversível branco, feliz ao ouvir suas músicas tocando no rádio.
Entre 1959 e 1963, vendeu mais de 25 milhões de discos e fez turnês nacionais e internacionais. Mas o sucesso não durou. Sua carreira entrou em declínio com a invasão britânica de 1964, que o transformou em um artista de repertório nostálgico antes mesmo de completar 30 anos.
Em 1970, Sedaka mudou-se para a Inglaterra, onde ainda era popular, e continuou compondo (com um novo parceiro de letras, Phil Cody) e se apresentando, tentando reconstruir a carreira.
Ele creditava a Elton John o renascimento de sua trajetória em 1975, quando o cantor o levou para sua gravadora, Rocket Records, pela qual lançou dois álbuns bem recebidos: “Sedaka’s back” e “The hungry years”.
Naquele mesmo ano, regravou “Breaking up is hard to do” como uma balada — versão que liderou a parada de easy listening da Billboard e chegou à oitava posição na Hot 100. Foi uma das raras canções que chegaram ao Top 10 em duas versões gravadas pelo mesmo artista. Ele também lançou outros dois singles pela Rocket que chegaram ao primeiro lugar: “Laughter in the rain”, em 1974, e o rock “Bad blood” (com vocais de apoio de Elton John), em 1975.
Sedaka continuou se apresentando até depois dos 80 anos e chegou a retornar às raízes clássicas, compondo sua primeira peça sinfônica, “Joie de Vivre”, e seu primeiro concerto para piano, “Manhattan Intermezzo”. Ambas as obras foram gravadas com a Philharmonia Orchestra de Londres.
Além do filho Marc, roteirista, ele deixa a mulher, Leba Strassberg, com quem se casou em 1962; a filha Dara, cantora com quem gravou em 1980 o sucesso “Should’ve never let you go”; três netos; e a nora Samantha Sedaka.
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