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Maringá,27/02/2026

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Pai de Dinho, fala sobre 30 anos da morte do filho.

Hildebrando Alves diz que fé, apoio dos fãs e aceitação foram decisivos após a tragédia e comenta a origem das músicas que marcaram a trajetória da banda

Anna Júlia Steckelberg e Camilla Alcântara
Pai de Dinho, fala sobre 30 anos da morte do filho. Pai de Dinho, vocalista dos Mamonas Assassinas, Hildebrando Alves — Foto: Reprodução | Instagram

Trinta anos após a morte dos integrantes dos Mamonas Assassinas, o pai de Dinho, Hildebrando Alves, voltou a falar publicamente sobre o impacto da tragédia e o legado deixado pelo grupo.
Após a exumação dos corpos que aconteceu segunda-feira, ele afirmou que a fé em Deus, a ajuda dos fãs e a coragem para enfrentar a vida foram fundamentais para atravessar os momentos mais difíceis desde o acidente aéreo sofrido pela banda, em 1996.
Entrevistado pelo jornal o GLOBO, Hildebrando disse que, ao longo dessas três décadas, a família passou a compreender a morte como parte da existência e que o sofrimento não traria de volta o filho nem os demais integrantes.
— Nesses 30 anos, compreendemos que a vida é assim, vamos todos morrer um dia. Baixar a cabeça não resolve nada. Se eu tivesse certeza que eles, ou mesmo meu filho, voltariam se eu chorasse, estaria chorando até hoje. Mas não volta. É uma coisa que vem de Deus, e contra Deus não há argumentos. É aceitar e agradecer por cada dia de vida — declarou.
Hildebrando também relembrou as inspirações por trás das músicas que se tornaram sucessos nacionais. Segundo ele, o cotidiano simples e as observações do dia a dia foram a base criativa de Dinho.
— A inspiração do Dinho sempre foi a fazenda em que olhava o gado; para o Mundo Animal, eu acho que se baseou nisso. Pelados em Santos foi uma brincadeira dele com um amigo. Já Robocop Gay foi porque ele sempre foi contra a discriminação de gays. Ele dizia para mim: 'eles falam porque não têm consciência da vida, gay também é gente'. Por isso colocou essa frase na música. Agradou porque ele fez do jeito certo — afirmou.
Para o pai do cantor, a autenticidade explica por que o grupo permanece sem sucessores diretos, mesmo após três décadas, ressaltando que a memória do filho segue viva não apenas pelas músicas, mas pela mensagem de liberdade, irreverência e respeito que o grupo deixou como marca.
— Nesses 30 anos, não apareceu ninguém igual. Ele [Dinho] não programou nada de fazer música para agradar, nem A, nem B. Ele fez uma música pensando nele, e só depois para todo mundo. É um legado que ele deixou.
Memorial em homenagem
A exumação integra a criação de um memorial vivo dedicado aos músicos. A cerimônia de inauguração do espaço, aberta ao público e gratuita, foi nesta sexta-feira (27), às vésperas dos 30 anos do acidente aéreo que matou os meninos da banda. Após a exumação, os corpos foram cremados e transformados em adubo para plantar cinco árvores no BioParque Cemitério de Guarulhos, a cidade onde moravam.
A iniciativa é resultado de uma parceria entre as famílias dos artistas e o BioParque Cemitério de Guarulhos.
O projeto previu a cremação de uma pequena parte dos restos mortais, que foi transformada em adubo para o plantio de cinco árvores, uma para cada integrante. Segundo Santana, a proposta foi discutida e aprovada em conjunto pelas famílias.
O memorial funcionará como uma extensão das sepulturas, que continuarão preservadas e abertas para visitação gratuita. — O espaço tem toda uma simbologia. Vai ter totens, atividades, QR Code e um ‘cantinho Mamonas’. Tudo continuará gratuito.
De acordo com o cemitério, as cinzas serão colocadas em urnas biodegradáveis junto às sementes escolhidas pelas famílias. O desenvolvimento das árvores poderá ser acompanhado por uma plataforma digital desde a germinação até o plantio definitivo no local. Cada árvore terá identificação e um totem com QR Code reunindo fotos, vídeos e relatos sobre os integrantes, com a proposta de transformar o espaço em um ponto de encontro para fãs.
Os Mamonas Assassinas estavam no auge do sucesso quando morreram em 2 de março de 1996. Após um show em Brasília, o avião que transportava o grupo colidiu com a Serra da Cantareira durante a aproximação para pouso em Guarulhos, causando a morte de todos os ocupantes e provocando grande comoção no país.




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