Justiça decreta falência da Livraria Cultura
A livraria chegou a ter mais de mil funcionários e 17 lojas em regiões como Rio de Janeiro, Paraná e Brasília
Reprodução A Justiça confirmou a falência da Livraria Cultura. O site da livraria foi desativado, enquanto o telefone para contato encaminha as ligações para a caixa postal. Já os perfis nas redes sociais não são atualizados há pouco mais de cinco meses.
De acordo com o Tribunal de Justiça de São Paulo, os representantes foram notificados da decisão neste mês. Sergio Herz, presidente da livraria, e o advogado da empresa, Ricardo Viscardi Pires, não se pronunciaram sobre o caso.
A Cultura tinha três unidades nos bairros paulistanos de Pinheiros, Vila Leopoldina e Higienópolis. Todas as lojas agora estão fechadas. A livraria chegou a ter mais de mil funcionários e 17 lojas em regiões como Rio de Janeiro, Paraná e Brasília.
A empresa vinha enfrentando uma série de crises desde 2016, quando começou a preocupar parte do mercado editorial com indícios de problemas financeiros.
Os primeiros sinais das dificuldades começaram a ser notados no segundo semestre daquele ano, quando a empresa anunciou que as editoras só receberiam o pagamento das vendas de agosto a dezembro em janeiro de 2017. Os pagamentos, porém, não foram feitos ou foram realizados de forma parcial.
Em 2018, após atrasos de pagamento, a livraria entrou com um pedido de recuperação judicial. À época, a Cultura declarou ter R$ 285,4 milhões em dívidas.
Em 2020, com a chegada da pandemia, a crise só aumentou. Em setembro daquele ano, parte dos credores rejeitou mudanças no plano de recuperação judicial da empresa, com anuência do juiz responsável pelo caso.
Em paralelo, corria na Justiça uma ação de despejo requerida pelos proprietários do imóvel onde funcionava a unidade mais famosa da livraria, no Conjunto Nacional. Localizada no coração da capital paulista, a loja foi inaugurada em 1969 por Eva Hertz, fundadora da livraria. Em 2007, o imóvel passou por uma grande reforma que o fez ocupar outras quatro lojas menores do edifício junto ao histórico Cine Astor.
No processo, os proprietários do imóvel alegavam a falta de pagamento dos aluguéis desde 2020, totalizando uma dívida de R$ 15 milhões. Em 2023, a Justiça decretou o despejo da livraria em razão das dívidas.
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