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Maringá,26/02/2026

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Padre é condenado à prisão na Paraíba.

E ainda tem que devolver R$ 500 mil, por furto a hospital.

Carlos Madeiro/ UOL
Padre é condenado à prisão na Paraíba. Reprodução redes sociais

A Justiça da Paraíba condenou o padre Egídio de Carvalho Neto a 5 anos, 6 meses e 20 dias de prisão, além de multa, pelo furto de mais de 600 celulares doados pela Receita Federal ao hospital filantrópico ligado à Igreja do qual ele era diretor, em 2023.
A decisão é da juíza Ana Christina Soares Penazzi Coelho, da 3ª Vara Criminal da Capital. A sentença foi assinada no dia 13 de fevereiro, mas só foi divulgada ontem pelo MP-PB (Ministério Público da Paraíba), autor da denúncia.
Além do padre Egídio,  um assistente que teria participado do crime também foi condenado a 4 anos, 7 meses e 16 dias de prisão, além de multa. Ambos deverão cumprir a pena inicialmente em regime semiaberto Além da pena privativa de liberdade, os dois terão que devolver ao Instituto São José (mantenedor do Hospital Padre Zé) e à Arquidiocese da Paraíba o valor de R$ 525 mil, ainda a ser corrigido desde a data do crime.
Procuradas, as defesas dos acusados afirmaram que já recorreram da decisão e alegam que os clientes são inocentes.
Essa é a primeira condenação entre as 11 ações às quais o padre responde na Justiça paraibana. Ele foi preso preventivamente em novembro de 2023, na operação Indignus, mas cumpre prisão domiciliar desde abril de 2024 por questões de saúde — ele trata um câncer.
Segundo o MP-PB, o padre teria promovido uma série de desvios de recursos que somam R$ 140 milhões. O dinheiro deveria ser destinado ao atendimento de pessoas pobres no Hospital Padre e ao fornecimento de alimentos a moradores de rua. Em vez disso, de acordo com o órgão, ele teria comprado imóveis e itens de luxo em seu nome e no de laranjas 
Sobre a condenação
A denúncia que resultou na primeira condenação teve como base a operação "Pai dos Pobres", realizada entre agosto e setembro de 2023. À época, Egídio era diretor do Hospital Padre Zé/Instituto São José e da Ação Social Arquidiocesana.Samuel Rodrigues Cunha, também condenado, era chefe do setor de tecnologia da informação do hospital.
Em maio de 2023, eles viajaram para Foz do Iguaçu (PR) para receber mercadorias doadas pela Receita Federal. A ideia era que o material fosse vendido pelo hospital, e o valor arrecadado utilizado para a compra de ao menos uma ambulância nova.
No dia 26 de maio de 2023, a Receita destinou produtos avaliados em R$ 807 mil, entre eles aparelhos celulares. As mercadorias de maior valor foram remetidas, em 15 caixas de papelão, para a sala da Presidência do hospital em 1º de junho, sem conferência por terceiros — o que, segundo a denúncia, ocorreu por ordem do padre.
A conferência só foi realizada em 24 de julho, quando se constatou que 12 das 15 caixas estavam vazias. Após a contagem, verificou-se que 676 aparelhos haviam sido furtados, avaliados em R$ 525 mil.
O furto foi comunicado à Polícia Civil pelo próprio padre, que apresentou uma lista com inventário dos itens subtraídos, mas sem os números de IMEI (identificação dos aparelhos).
A polícia obteve os IMEIs junto à Receita e iniciou investigação. A apuração levou a um homem que teria vendido parte dos celulares a terceiros. Em depoimento, ele afirmou que comprou os aparelhos de Samuel Segundo. A investigação apontou ainda que, em 26 de junho de 2023, houve interrupção na gravação das imagens do sistema de câmeras do hospital. O fato só foi comunicado à empresa responsável três dias depois. O sistema era operado por Samuel.
O que dizem as defesas
A defesa do padre Egídio classificou a condenação como "uma grande injustiça" e informou que recorreu. "Confio plenamente que o TJ-PB irá reparar essa manifesta injustiça."
"As provas eram evidentes de que ele não teve nenhuma participação nesses atos e foi inclusive quem denunciou o furto às autoridades. Mais do que isso, provamos que não há uma única transação financeira que corroborasse ter participado do furto. Lamentavelmente, não se julgam mais fatos e sim pessoas, ou a imagem que fazem sobre elas", disse.
O advogado Aécio Farias, que defende Samuel Segundo, também informou que entrou com recurso. "Na verdade, ele agiu sob as ordens do padre e desconhecia que o produto da venda fosse outro que não a caridade. Vamos às instâncias superiores em busca de sua absolvição. O verdadeiro bandido é o sacerdote", afirmou.
Supostos desvios
Segundo o MP-PB, já foram identificados 19 imóveis atribuídos ao padre Egídio Neto. Parte deles teve pedido de alienação antecipada para assegurar a reparação ao erário e às entidades vítimas das supostas fraudes. Em denúncias já oferecidas foram devidamente descritas e imputadas práticas como: lavagem e ocultação de bens e capitais; peculato; obstrução de justiça e constituição de organização criminosa estruturada em múltiplos núcleos.
Ministério Público - Paraíba
Em agosto de 2025, o MP-PB encaminhou parte dos fatos ao Ministério Público Federal, diante da possível utilização de recursos públicos federais desviados.




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