Quedas de energia levam Copel à Justiça em Campo Mourão.
Copel enfrenta ação de R$ 2 milhões após falhas de energia prejudicarem moradores, escolas e abastecimento de água
Reprodução Ministério Público processa Copel após 52 apagões prolongados e pede indenização de R$ 2 milhões em Campo Mourão
Ação aponta aumento das interrupções de energia, prejuízos a consumidores e paralisação de serviços públicos.
Promotoria também exige equipe exclusiva de manutenção e atendimento às ocorrências em até uma hora.
O Ministério Público do Paraná (MPPR) entrou na Justiça contra a Copel, após identificar um aumento expressivo no número de interrupções prolongadas de energia elétrica em Campo Mourão. A ação civil pública pede melhorias no serviço, ressarcimento aos consumidores prejudicados e indenização de R$ 2 milhões por danos morais coletivos.
A investigação conduzida pela 3ª Promotoria de Justiça de Campo Mourão reuniu reclamações de moradores, informações do Procon municipal e relatórios da própria concessionária. Os documentos apontam que os registros de apagões prolongados passaram de 10 em 2024 para 12 em 2025, chegando a 52 ocorrências até 12 de outubro de 2026.
Somente entre 15 de agosto e 16 de setembro deste ano, a Copel recebeu 256 reclamações relacionadas a interrupções, quedas de energia e problemas no fornecimento.
Além dos desligamentos frequentes, o Ministério Público investiga oscilações de tensão e a demora no restabelecimento do serviço, situações que, segundo a Promotoria, vêm causando prejuízos a moradores, comerciantes e instituições públicas.
Falta de energia prejudicou abastecimento de água e suspendeu aulas
Entre os episódios apresentados na ação está uma interrupção registrada em 31 de agosto, que atingiu a estação de captação de água da Sanepar, comprometendo o abastecimento de grande parte de Campo Mourão.
A falta de água provocou a suspensão das aulas, no período da tarde de 1º de setembro, em 12 escolas municipais e nove Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs).
Os problemas no fornecimento de energia também foram discutidos pela Câmara Municipal, que realizou audiências públicas para tratar das reclamações da população e das dificuldades enfrentadas pelos consumidores.
MP exige equipe exclusiva e atendimento em até uma hora
Na ação, o Ministério Público solicita uma decisão liminar que obrigue a Copel a adotar medidas para garantir a regularidade do fornecimento de energia elétrica no município.
Entre os pedidos está a disponibilização, em até 30 dias, de pelo menos uma equipe operacional de manutenção sediada em Campo Mourão e dedicada exclusivamente ao atendimento da cidade.
A Promotoria também quer que a concessionária apresente, no prazo de 60 dias, um plano de investimentos e melhorias na rede elétrica, com cronograma de intervenções e planejamento para situações de emergência provocadas por eventos climáticos severos.
Outra exigência apresentada à Justiça é que os chamados de interrupção de energia sejam atendidos em até uma hora, sob pena de multa de R$ 20 mil por descumprimento.
Para outras obrigações solicitadas, o Ministério Público também requer a aplicação de multa diária de R$ 20 mil caso as determinações judiciais não sejam cumpridas.
Indenização de R$ 2 milhões e ressarcimento aos consumidores
Além das providências para melhorar o fornecimento, o Ministério Público pede que a Copel seja condenada ao pagamento de R$ 2 milhões por danos morais coletivos, valor que deverá ser destinado a um fundo de direitos difusos.
A Promotoria também solicita a reparação individual dos consumidores que sofreram prejuízos materiais e morais em decorrência das falhas no serviço.
Entre os danos apontados estão equipamentos eletrônicos danificados e perdas de alimentos e mercadorias provocadas pela falta de energia ou por oscilações na rede.
Para fundamentar o valor da indenização coletiva, o Ministério Público considerou, entre outros fatores, a capacidade econômica da concessionária, que registrou lucro líquido de R$ 645,1 milhões no segundo trimestre de 2026.
Os pedidos apresentados pelo Ministério Público ainda dependem de decisão da Justiça.
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