Ameaças e ataques políticos atingem escolas do Brasil.

Aqui em Maringá, alunos são expulsos e professores sofrem ameaças


Ameaças e ataques políticos atingem escolas do Brasil. Reprodução Redes Sociais.

Denúncias de ameaças, ofensas e discriminação motivadas por divergências políticas mobilizaram escolas, universidades e autoridades em diferentes regiões do Brasil após as eleições presidenciais.

Em Maringá, dois episódios ganharam repercussão: mensagens contra professores de um colégio particular e ataques a estudantes de Medicina da UniCesumar, que resultaram na expulsão de alunos da universidade.

Os casos fazem parte de uma série de relatos registrados desde o primeiro turno, envolvendo intimidações, manifestações preconceituosas, exposição de fotografias de crianças e adolescentes e ameaças de violência em ambientes escolares e nas redes sociais.

O Ministério da Educação (MEC) informou que solicitou providências à Polícia Federal (PF) e à Advocacia-Geral da União (AGU) para apurar ameaças dirigidas a universidades federais, estudantes e professores.

Em Maringá, UniCesumar expulsa estudantes 

A UniCesumar anunciou na sexta-feira (30) a expulsão de estudantes de Medicina envolvidos em mensagens discriminatórias compartilhadas em grupos de WhatsApp. A decisão foi tomada após a conclusão de uma sindicância interna e também resultou em suspensões e advertências a outros alunos.

As denúncias vieram a público na segunda-feira (26), depois que estudantes reuniram mensagens com ataques a beneficiários do Programa Universidade para Todos (Prouni) e do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

O material apresentava ofensas relacionadas à condição financeira dos alunos, manifestações xenofóbicas e referências ao nazismo. Segundo os denunciantes, os ataques se intensificaram após o resultado do segundo turno das eleições.

A universidade informou que as medidas disciplinares foram definidas pela Reitoria, conforme a gravidade das condutas identificadas durante a sindicância.

O Ministério Público Federal (MPF) também recebeu uma representação sobre o episódio e confirmou, na quinta-feira (29), que o documento havia sido autuado e encaminhado para análise. Seis entidades estudantis ligadas ao curso de Medicina já haviam anunciado o desligamento de integrantes relacionados às denúncias.

Ameaças contra professores de colégio particular chegam ao Ministério Público

Outro episódio registrado em Maringá envolve mensagens atribuídas a estudantes do Colégio Pro, nas quais professores apontados pelos participantes como apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foram alvo de ameaças.

As conversas, divulgadas depois do segundo turno, circularam em um grupo privado de WhatsApp e continham referências a agressões contra docentes e possíveis ataques às instalações da escola, além de manifestações discriminatórias.

Na quarta-feira (28), a Comissão de Direitos Humanos, Cidadania e Minorias da Câmara Municipal encaminhou uma representação ao Ministério Público do Paraná, solicitando a apuração das mensagens e a avaliação das condições de segurança da comunidade escolar. A comissão é presidida pela vereadora Professora Ana Lúcia.

Em comunicado, o colégio informou que identificou os estudantes envolvidos, conversou individualmente com eles, convocou os responsáveis e aplicou as medidas pedagógicas e disciplinares previstas no regimento escolar.

A instituição também declarou que, após avaliar o episódio, não identificou risco à integridade física de alunos, professores e funcionários.

Ataques são registrados no Rio de Janeiro e em Minas

No Rio de Janeiro, fotografias de crianças que participaram de uma manifestação estudantil foram retiradas de redes sociais de familiares e utilizadas em publicações ofensivas.
Uma das imagens foi manipulada com inteligência artificial para modificar as roupas dos estudantes e associá-los a estereótipos depreciativos. Familiares relataram comentários preconceituosos e referências de cunho sexual envolvendo menores de idade. Pais registraram boletins de ocorrência e denunciaram as publicações às plataformas digitais.

Em Araguari, Minas Gerais, dois estudantes de Medicina, ambos de 19 anos, passaram a ser investigados administrativamente pelo Instituto Master de Ensino Presidente Antônio Carlos (Imepac), após a divulgação de áudios com ofensas a colegas bolsistas do Prouni e beneficiários do Fies.

As mensagens foram compartilhadas depois da reeleição de Lula. A instituição repudiou os ataques e instaurou procedimento disciplinar para examinar o caso.

Também houve relatos de hostilidade política entre estudantes de escolas particulares de São Paulo e do Distrito Federal, incluindo ofensas relacionadas à condição social e ameaças contra adolescentes.

Ministério da Educação acionou Polícia Federal e AGU

O MEC informou que encaminhou solicitações à Polícia Federal e à Advocacia-Geral da União, depois de receber denúncias de ameaças contra universidades federais.

Os relatos incluíam referências à destruição de patrimônio, intimidação de professores e estudantes e utilização de símbolos nazistas. A pasta também informou que acompanha novas denúncias apresentadas após o segundo turno.

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