Polícia prende líder de organização criminosa em Arapongas.
A PC continua na investigação de laboratório de haxixe ligado a cidade de Arapongas
Fotos: Vitor Flores/ TNOnline A Polícia Civil investiga a ligação de uma organização criminosa de Arapongas, no norte do Paraná, com um laboratório clandestino de produção de haxixe no Mato Grosso do Sul, próximo à fronteira com o Paraguai. A investigação levou à Operação Heisenberg, deflagrada nesta quarta-feira (28), que terminou com 13 pessoas presas, um suspeito morto e outro ferido durante confrontos com a Polícia Militar.
A ofensiva mobilizou 80 policiais civis e militares, com cumprimento de mandados em Arapongas, Londrina e Primeiro de Maio. Entre os materiais apreendidos estão drogas, armas de fogo, aparelhos celulares e um Volkswagen Jetta blindado, que, segundo a investigação, pertence ao homem apontado como líder da organização e preso durante a operação.
De acordo com o delegado Dr. Saulo Baptista Neto, da 22ª Subdivisão Policial de Arapongas, o grupo recebia entorpecentes do Mato Grosso do Sul e organizava a distribuição para pontos de venda em Arapongas e outras cidades.
A investigação identificou a participação de intermediários, incluindo familiares, no transporte e repasse das drogas. Em uma das residências vistoriadas, pelo menos três pessoas da mesma família foram presas, segundo o delegado. As buscas contaram com apoio de cães farejadores da Polícia Civil e da Polícia Militar.
Laboratório de haxixe é um dos principais alvos da investigação
O laboratório investigado estaria instalado em uma região próxima à fronteira com o Paraguai. A Polícia Civil ainda não identificou o endereço exato, mas trabalha com a possibilidade de que a estrutura continue funcionando.
Segundo Saulo Baptista Neto, mensagens encontradas no celular de um dos investigados mostram orientações sobre o processo de fabricação do entorpecente.
“Esse laboratório, a gente acredita que ainda está em funcionamento. Inclusive, no celular dele, é possível observar ele passando instruções para outras pessoas do grupo criminoso, com uma receita, como se fosse uma receita de bolo, da forma como tem que ser fabricado esse entorpecente”, afirmou.
O delegado explicou que o grupo comercializava uma modalidade de haxixe conhecida como dry, produto de maior concentração de substâncias psicoativas e comercializado por valores elevados.
A localização do laboratório tornou-se uma das prioridades da investigação.
Fuzil enterrado ajudou a identificar o grupo criminoso
As investigações que levaram à Operação Heisenberg começaram a avançar após uma apreensão realizada no ano passado, durante a Operação Dínamo.
Na ocasião, policiais encontraram um fuzil enterrado em uma residência de Arapongas e apreenderam um telefone celular. A análise das mensagens permitiu estabelecer conexões entre o armamento, seu suposto proprietário e os integrantes da organização investigada.
Segundo o delegado, os dados também relacionaram o homem apontado como líder do grupo ao Jetta blindado apreendido nesta quarta-feira.
As conversas examinadas pelos investigadores ainda apontaram negociações envolvendo armas de fogo, ampliando a investigação inicialmente concentrada no tráfico de drogas.
Dois confrontos deixam um morto e outro ferido
Durante o cumprimento dos mandados em Arapongas, equipes da Polícia Militar se envolveram em dois confrontos com investigados.
No Jardim Ulisses Guimarães, um homem morreu após confronto com policiais. Segundo a Polícia Civil, ele era investigado por negociar armas diretamente com o líder da organização e teria adquirido aproximadamente duas armas do grupo no último ano.
Em outra ocorrência, um suspeito ficou ferido e foi encaminhado ao hospital. Conforme a investigação, ele seria irmão do proprietário do Jetta blindado e atuaria como um dos principais colaboradores do líder da organização.
As circunstâncias dos dois confrontos não foram detalhadas nas informações divulgadas.
Polícia pretende identificar outros integrantes
Mesmo com as 13 prisões, a Polícia Civil considera que a investigação ainda não foi concluída.
Os aparelhos celulares e demais materiais apreendidos serão analisados para identificar possíveis participantes do esquema, esclarecer a distribuição dos entorpecentes e localizar a estrutura de fabricação de haxixe no Mato Grosso do Sul.
“Celulares foram apreendidos, materiais arrecadados e, a partir de agora, a gente vai tentar recomeçar a investigação. Nosso maior objetivo é chegar nesse laboratório e desmantelar”, declarou o delegado Dr. Saulo Baptista Neto.
A investigação também busca dimensionar a atuação do grupo no comércio ilegal de armas e em outras cidades da região.
Siga nossa página no instagram: @portaledsonvalerio
COMENTÁRIOS