Cantor Jack Avery enfrenta ex acusada de mandar matá-lo.

Em tribunal nos EUA, ex-integrante do grupo Why Don't We encarou influenciadora; defesa nega participação em plano de morte

Rolling Stone,
Cantor Jack Avery enfrenta ex acusada de mandar matá-lo. (crédito: Reprodução/Redes sociais)

O cantor Jack Avery, de 27 anos, ex-integrante da banda Why Don't We, ficou frente a frente com a influenciadora digital Gabriela Gonzalez, de 25, durante uma audiência em um tribunal de Los Angeles, nos Estados Unidos.
Conhecida por produzir conteúdo no TikTok, ela é acusada de participar de um plano para contratar um assassino de aluguel pela dark web e matar o artista, com quem tem uma filha de sete anos.

ART19O reencontro ocorreu durante uma audiência cível para avaliar a prorrogação de uma medida protetiva solicitada por Avery e a possibilidade de Gonzalez retomar o contato com a filha do casal. A influenciadora, que responde criminalmente às acusações, permaneceu sentada a cerca de três metros do cantor, com os advogados entre eles.
Segundo a revista Rolling Stone, a sessão também contou com o depoimento de Cody Clayburn, outro ex-namorado de Gonzalez, que relatou uma suposta confissão da influenciadora após uma operação do FBI na residência onde os dois moravam. Segundo a testemunha, ela demonstrou preocupação com a possibilidade de ser presa e chegou a considerar uma fuga dos Estados Unidos.
Gabriela, seu pai, Francisco Gonzalez, e outro ex-companheiro, Kai Cordrey, foram presos em maio e denunciados por conspiração para cometer homicídio, tentativa de homicídio e solicitação de assassinato.
Os três se declararam inocentes e, em caso de condenação, podem receber penas que variam de 25 anos a prisão perpétua.


Entenda as acusações
De acordo com a promotoria, o suposto plano começou a ser elaborado em outubro de 2020, em meio a conflitos envolvendo a guarda da filha de Avery e Gonzalez.
Os investigadores sustentam que a influenciadora manifestou repetidamente o desejo de ver o ex-namorado morto e, nos meses seguintes, teria buscado a ajuda de Cordrey para contratar um assassino.
As autoridades afirmam que os dois discutiram a possibilidade de utilizar criptomoedas para financiar o crime, que deveria ser apresentado como um acidente.
Em abril de 2021, Francisco Gonzalez teria enviado US$ 10 mil a Cordrey, que, segundo os promotores, transferiu o dinheiro para uma conta na plataforma de criptomoedas Gemini.
A partir daí, ele teria iniciado negociações em um fórum da dark web utilizando o pseudônimo "LizardKing69".
No mês seguinte, Cordrey teria identificado Jack Avery como alvo e fornecido um endereço em Los Angeles.
Em junho, o administrador do fórum exigiu outros US$ 4 mil para dar continuidade ao suposto acordo, enquanto o acusado pressionava para que o assassinato fosse executado nos dias seguintes.
O caso passou a ser investigado pelo FBI, que, em setembro de 2021, colocou um agente disfarçado em contato telefônico com Cordrey. Durante a conversa, o suspeito teria informado que Gonzalez desejava a morte do cantor e que o pai dela financiaria a operação.
Posteriormente, Francisco teria utilizado a senha "Bullrun" para entrar em contato e discutir um pagamento antecipado em bitcoin.
Avery declarou em documentos apresentados à Justiça, e obtidos pela Rolling Stone, que recebeu um alerta do FBI ainda em 2021 sobre a existência de um suposto contrato para assassiná-lo.
Já em outubro de 2022, Gonzalez e Cordrey participaram de uma ligação gravada na qual, segundo os investigadores, discutiram como reagir à possibilidade de o plano ser descoberto.
Para a promotoria, a sucessão de acontecimentos demonstra que o conflito familiar teria ultrapassado as disputas judiciais pela guarda da criança.
O promotor assistente Alexander Bott sustenta que os acusados passaram de tentativas de intimidação e vigilância à organização de um assassinato financiado, com o objetivo de afastar definitivamente Avery da vida da filha.

Ex-namorado relata suposta confissão
Durante a audiência, Cody Clayburn contou que conheceu Gabriela Gonzalez em junho de 2021, quando, segundo a acusação, o plano contra Avery ainda estava em andamento. Ele afirmou, entretanto, que só tomou conhecimento da suposta conspiração em novembro de 2022, após agentes do FBI realizarem uma busca na residência que compartilhava com a influenciadora, no Havaí.
Na ocasião, os investigadores apreenderam equipamentos eletrônicos. Clayburn relatou que, depois da saída dos policiais, confrontou a então companheira para entender o motivo da operação.
Segundo o depoimento, prestado por videoconferência, Gonzalez teria explicado que Kai Cordrey era obcecado por ela e desejava ajudá-la a se livrar de Avery. A influenciadora também teria confirmado a realização de um pagamento em bitcoin relacionado ao plano.
Clayburn afirmou que a reação da ex-namorada foi de desespero.
Ela teria dito que seria presa caso os investigadores conseguissem acessar o conteúdo de seu celular e cogitado deixar o país para escapar das consequências.
Questionado pela defesa de Avery, o depoente mencionou que Gonzalez considerou fugir para a América do Sul, embora não se recordasse de ela ter indicado um destino específico.
Ele também descreveu a influenciadora como emocionalmente abalada e preocupada com a situação.
Durante a sessão, Gonzalez permaneceu em silêncio. Seu advogado informou ao juiz que ela exerceria o direito garantido pela Quinta Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que protege indivíduos contra a obrigação de produzir provas contra si mesmos. Por esse motivo, a influenciadora não prestaria depoimento.
Jack Avery Seeks Restraining Order Against Gabbie Gonzalez, Wants Custody  of KidDisputa pela guarda da filha
Além das acusações criminais, a audiência buscou definir se Gonzalez poderá manter contato com a filha de sete anos que tem com Avery, por meio de videochamadas ou visitas supervisionadas. A influenciadora, segundo sua defesa, não vê a criança desde que foi detida e posteriormente liberada mediante pagamento de fiança.
O encontro judicial foi o primeiro em que os dois ex-companheiros estiveram presentes desde a prisão de Gabriela.
Conforme reportado pela Rolling Stone, no depoimento, Clayburn também descreveu episódios de conflito familiar que, segundo ele, afetavam a relação da menina com o pai.
A testemunha afirmou que Gonzalez e seus familiares frequentemente faziam comentários negativos sobre Avery na presença da criança.
Ele relatou ainda que a influenciadora diminuía o volume do celular durante as videochamadas entre pai e filha, comportamento que considerava prejudicial à menina, por fazê-la sentir que conversar com Avery era algo errado.
A mãe de Clayburn, Paige Clayburn, também prestou depoimento e confirmou ter presenciado uma situação semelhante. Segundo ela, Gonzalez teria explicado que reduzia o volume na expectativa de que a filha perdesse o interesse pela conversa e abandonasse o telefone.
Paige também declarou ter visto a influenciadora transportar a criança em veículos sem a cadeirinha de segurança. Em outro episódio, presenciou uma entrega da menina ao pai que terminou em discussão.
Conforme seu relato, Gonzalez teria tentado puxar a filha pelas pernas enquanto Avery a segurava nos braços, após se incomodar com a presença de um amigo do cantor.
A testemunha afirmou que Avery permaneceu calmo durante o confronto, o que a levou a questionar as acusações feitas pela influenciadora contra ele.
Outro ponto abordado por Clayburn envolveu o acolhimento temporário de uma segunda criança na residência em que vivia com Gonzalez, no Havaí. Segundo ele, a então companheira iniciou os procedimentos sem comunicá-lo previamente, embora tenha concordado posteriormente com a chegada da menina, identificada como Isabel.
O ex-namorado contou que a mãe de Gonzalez viajou ao estado para auxiliar nos cuidados das duas crianças enquanto a influenciadora trabalhava em um acampamento de surfe. Cerca de duas semanas após o acolhimento, porém, Gabriela e a mãe teriam partido repentinamente para a Flórida, levando a filha de Avery e sem informar quando retornariam.
Diante da ausência, as autoridades responsáveis pela proteção infantil concederam a Clayburn a guarda exclusiva de Isabel. Aproximadamente dois meses depois, quando Gonzalez voltou ao Havaí, a criança foi retirada da residência pelos órgãos competentes.
Jack Avery speaks out after ex Gabriela Gonzalez arrested and charged with  attempting to murder him | PerthNowDefesa contesta acusações
Os advogados de Gabriela Gonzalez questionam a versão apresentada pela promotoria e negam que existam provas diretas de sua participação na contratação de um assassino.
Em manifestação anterior à Justiça, o advogado Elliot Zarabi sustentou que a influenciadora teria desempenhado, no máximo, um papel secundário no suposto esquema, enquanto as negociações e operações financeiras teriam sido conduzidas principalmente por Kai Cordrey.
A defesa também contesta a confiabilidade de parte das evidências, por considerar que elas dependem de declarações de Cordrey, igualmente acusado no processo e que, segundo os advogados, teria motivos para transferir a responsabilidade pelo plano a outras pessoas.
Zarabi argumenta que os promotores não apresentaram provas diretas de que sua cliente tenha contratado um assassino, realizado transferências de criptomoedas ou participado das negociações para executar o crime.
Em declaração à revista Rolling Stone, o advogado também questionou por que Avery não havia solicitado uma medida protetiva anos antes, apesar de afirmar ter recebido informações do FBI sobre o suposto plano em 2021.
Zarabi acusou o cantor de utilizar a repercussão do processo para recuperar a visibilidade de sua carreira artística e de envolver a filha na disputa. Segundo ele, Gonzalez não se opõe a manter distância do ex-companheiro, mas deseja restabelecer o contato com a menina, com quem conviveu durante a maior parte da vida.
A defesa de Francisco Gonzalez também rejeitou as acusações. A advogada Karen L. Goldstein afirmou que a promotoria atribuiu ao caso uma dimensão sensacionalista, recorrendo a alegações que considera exageradas ou falsas para prejudicar a imagem de seu cliente.
Goldstein sustenta que a narrativa apresentada pelos investigadores não corresponde aos acontecimentos e demonstrou confiança de que os jurados reconhecerão essa diferença durante o julgamento.
Enquanto o processo criminal segue em andamento, a Justiça também deverá decidir sobre a manutenção da medida protetiva solicitada por Jack Avery e as condições de eventual retomada do contato de Gabriela Gonzalez com a filha.




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