Chuva acima da média paralisa atividades rurais.

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Chuva acima da média paralisa atividades rurais. Fotos: Ivan Fuquini

As previsões mais otimistas indicam que a chuva intensa sobre a região Sul do Brasil deve se estender até janeiro de 2027, resultado do fenômeno meteorológico Super El Niño.
Em Paranavaí, por exemplo, somente no período de 1º a 15 de outubro, a precipitação acumulada chegou a 266,8 milímetros, muito acima da média histórica para todo o mês, 154,6 milímetros.
Mais do que simples registros feitos pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), os números apontam preocupações urgentes no campo.





Pesquisador do Departamento de Economia Rural (Deral), ligado à Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), Enio Luiz Debarba aponta algumas culturas de grande relevância para a região Noroeste afetadas pela chuvarada das últimas semanas: mandioca, soja, arroz, pecuária bovina e avicultura.
Em relação à mandiocultura, ele explica que o solo enxarcado dificulta o arranquio e pode gerar o apodrecimento das raízes. Além disso, as estradas rurais danificadas comprometem o abastecimento das indústrias de amido, fécula e farinha. “Muitas empresas estão com as atividades paralisadas.”
O Noroeste é o principal polo produtor de mandioca do Paraná e o coração da indústria nacional do setor. A desaceleração das fábricas por tempo prolongado poderia afetar o mercado brasileiro.
As lavouras de soja também requerem atenção especial. Debarba afirma que o plantio exige solo seco, o que tem dificultado a ação dos produtores. A estimativa do Deral é que apenas 22% do total esperado para a região tenha sido plantado até agora.
Mesmo no caso do arroz irrigado, cultivado em larga escala em Querência do Norte, o excesso de água representa perda de produção, afinal o sistema exige controle do volume, processo prejudicado pela grande quantidade de chuva.
Pecuária – O pesquisador do Departamento de Economia Rural afirma que as precipitações frequentes não comprometem diretamente a qualidade das pastagens, mas têm efeitos colaterais negativos para a pecuária.
Um dos problemas é a eficiência das curvas de nível: mesmo sendo bem feitas, rompem-se em razão do volume excessivo de chuva. Sem esse controle, a água avança pela propriedade e invade lavouras vizinhas e tende a provocar erosões.

Outro problema é alcançar as estradas rurais e causar danos que comprometem o escoamento da produção rural, como ocorre, por exemplo, do leite.
A avicultura também sofre os efeitos das condições extremas do tempo, principalmente porque depende de energia elétrica para manter os barracões em pleno funcionamento. 
Enio Luiz Debarba informa que só em Paranavaí há mais de 100 aviários, todos com sistemas automatizados que calculam horário e quantidade de alimentação, intensidade de iluminação e condições de refrigeração.
Produtores com fontes alternativas de energia, como geradores, conseguem manter as atividades normalmente, mas o custo é alto, já que os equipamentos são movidos a diesel. No entanto, nem todos dispõe dessa alternativa, por isso amargam prejuízos elevados quanto falta luz.
Super El Niño – O fenômeno conhecido como El Niño se caracteriza pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico. As condições extraordinárias ocorrem em períodos de dois a sete anos e são capazes de elevar temperaturas, intensificar tempestades e provocar secas severas.
Enquanto isso, cientistas e pesquisadores que acompanham o clima têm emitido alertas constantes: as mudanças climáticas estão modificando os padrões globais, provocando eventos extremos.
O encontro dos dois elementos, El Niño e aquecimento global, potencializou o problema, dando origem ao chamado Super El Niño, que deve se estender até março de 2027, com maior intensidade até janeiro.
No Brasil, os efeitos aparecem de forma bem marcada: no Sul, chuvas torrenciais e frequentes; no Norte e no Nordeste, longos períodos de estiagem, escassez hídrica e aumento de queimadas e incêndios florestais.
Conforme pontua Enio Luiz Debarba, a região Sul forma um corredor de passagem de ventos que quando se chocam com o ar aquecido vindo dos oceanos provocam chuvas intensas e tempestades.
Além de prejudicar a produção de alimentos, as consequências do Super El Niño atingem em cheio a infraestrutura do país.
Planejamento – Diante das ameaças climáticas, o pesquisador do Departamento de Economia Rural, que é mestre em Desenvolvimento e Planejamento Ambiental, diz ser essencial repensar os arranjos urbanos e rurais. Ele defende a reformulação da área verde na cidade, com plantio de árvores adequadas às características da região, e a adoção de novos modelos de produção no campo.
Tudo passa pelo planejamento, assegura Enio Luiz Debarba, ressaltando a necessidade de investir em políticas públicas de educação ambiental, de preservação dos recursos naturais e de incentivo ao reflorestamento nas propriedades rurais.




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