Megaoperação mira tráfico, lavagem de dinheiro e crimes violentos em 23 cidades
Mais de 500 policiais participam de operação contra organização criminosa no Paraná
Reprodução PCPR/ Uma megaoperação da Polícia Civil do Paraná (PCPR) mobiliza mais de 500 policiais nesta quarta-feira (14) para cumprir 215 mandados judiciais contra uma organização criminosa investigada por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e crimes violentos.
A ação é realizada em conjunto com o Ministério Público do Paraná (MPPR) e ocorre no Paraná, em Santa Catarina e em São Paulo.
Ao todo, estão sendo cumpridos 95 mandados de prisão e 120 mandados de busca e apreensão.
A Justiça também autorizou a quebra de sigilo bancário de contas utilizadas pelo grupo e o acesso aos dados dos aparelhos eletrônicos apreendidos.
A operação reúne equipes de diferentes unidades da Polícia Civil, com apoio da Polícia Militar do Paraná, da Polícia Penal do Paraná, da Polícia Civil de Santa Catarina e da Polícia Militar de São Paulo. Cães de faro também participam das diligências.
Operação alcança cidades do Paraná, Santa Catarina e São Paulo
No Paraná, os mandados são cumpridos em Clevelândia, Pato Branco, Francisco Beltrão, Palmas, Coronel Vivida, Realeza, Santa Izabel do Oeste, Dois Vizinhos, Cascavel, Curitiba, Piraquara, Guarapuava, Laranjeiras do Sul, Capanema, Salto do Lontra, Santo Antônio do Sudoeste, Itaipulândia, Santa Helena, Barracão e Cruzeiro do Oeste.
As equipes também atuam em Abelardo Luz, em Santa Catarina, e São Carlos e Cotia, em São Paulo.
Investigação começou após crimes violentos
As investigações tiveram início em Clevelândia, no Sudoeste do Paraná, após a identificação de crimes violentos atribuídos ao grupo, incluindo tortura e cárcere privado de pessoas acusadas pelos integrantes de desrespeitar as regras da organização.
Segundo a Polícia Civil, a facção também utilizava ameaças e intimidação para cobrar dívidas relacionadas ao tráfico de drogas.
Durante o trabalho investigativo, os policiais identificaram uma estrutura de distribuição de entorpecentes entre diferentes municípios.
O grupo utilizava locais para armazenar drogas e mantinha o controle de pontos de venda mesmo à distância.
As lideranças investigadas negociavam grandes quantidades de cocaína, crack e maconha, destinadas à revenda em diferentes regiões, com preços previamente estabelecidos.
Celulares apreendidos em presídio ajudaram a revelar estrutura do grupo
De acordo com a delegada da PCPR Alini Simadon, o rastreamento das ordens relacionadas aos crimes violentos levou os investigadores a celulares clandestinos apreendidos em uma penitenciária do Sudoeste do Paraná.
A análise dos dados permitiu identificar uma organização com atuação em diferentes cidades e estados, cujo comando, segundo a investigação, partia de dentro do sistema prisional.
Dentro das unidades penitenciárias, o grupo mantinha uma estrutura própria de poder, com integrantes responsáveis por funções específicas. Um dos setores fiscalizava as regras da organização, avaliava condutas de presos considerados infratores e determinava punições físicas.
Outros integrantes cuidavam da circulação e da recarga de celulares e roteadores entre as celas, mantendo a comunicação com pessoas que estavam fora dos presídios.
A investigação também aponta a existência de uma rede de apoio externa, formada por familiares e colaboradores que, segundo a PCPR, transportavam drogas escondidas no corpo durante visitas aos detentos.
Investigação aponta esquema de lavagem de dinheiro
A apuração identificou que parte dos recursos obtidos com o tráfico era movimentada por meio de contas bancárias em nome de terceiros.
Segundo a delegada, eram realizadas transferências via PIX, com depósitos fracionados e saques em curto intervalo para dificultar o rastreamento do dinheiro.
Os investigadores também identificaram uma empresa de fachada utilizada para receber pagamentos relacionados a cargas de drogas.
A movimentação financeira era registrada em planilhas de controle. A quebra de sigilo bancário autorizada pela Justiça deverá contribuir para aprofundar a análise das transações e identificar outros possíveis envolvidos no esquema. A operação segue em andamento. Novas informações sobre prisões, apreensões e resultados das diligências poderão ser divulgadas pelas autoridades responsáveis.
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