PCPR encerra investigação sobre tragédia na BR-373
Investigação conclui que caminhão e micro-ônibus contribuíram para tragédia com 23 mortos
Fotos: Douglas Pimentel/ Banda B/PFPR A investigação da Polícia Civil do Paraná (PCPR) sobre o acidente que matou 23 pessoas na BR-373, em Ipiranga, nos Campos Gerais, concluiu que os dois veículos envolvidos contribuíram para a colisão frontal. A tragédia ocorreu em 19 de agosto de 2026, no km 209 da rodovia.
A batida envolveu um caminhão e um micro-ônibus da Secretaria Municipal de Saúde de Imbituva, que transportava pacientes e acompanhantes para consultas e exames na Região Metropolitana de Curitiba.
Das 27 pessoas que estavam nos dois veículos, 22 ocupantes do micro-ônibus morreram, incluindo o motorista. O condutor do caminhão também morreu. Cinco passageiros do coletivo sobreviveram.
Caminhão estava acima do limite e apresentava desgaste nos freios
Segundo os dados de rastreamento fornecidos pela empresa responsável pelo caminhão, o veículo circulava a aproximadamente 80 km/h pouco antes da colisão.
Naquele trecho da BR-373, a velocidade máxima permitida era de 60 km/h.
O cronotacógrafo do caminhão não pôde ser utilizado para determinar a velocidade porque estava com a aferição vencida e não havia registrado adequadamente as informações necessárias.
As perícias também encontraram desgaste em componentes do sistema de freios.
Apesar de o mecanismo ainda apresentar funcionamento, a condição das peças poderia comprometer a eficiência da frenagem.
Outro ponto analisado foi a possibilidade de distração provocada pelo uso do celular.
A PCPR obteve informações junto ao WhatsApp e constatou que o motorista havia acessado o aplicativo cerca de 17 minutos antes da colisão.
Para a delegada Ingrid Priotto, responsável pela investigação, esse dado mantém como plausível a hipótese de que o condutor tenha se distraído com o aparelho antes de invadir a pista contrária.
A Polícia Civil, porém, não concluiu que o motorista estava usando o celular no exato momento da batida. A distração permanece como uma possibilidade apontada pela investigação.
Micro-ônibus também estava acima da velocidade permitida
Os exames também revelaram excesso de velocidade no micro-ônibus de Imbituva.
Mesmo destruído durante a colisão, o equipamento responsável pelo registro da velocidade do coletivo teve os dados recuperados pela Polícia Científica, com apoio da fabricante do veículo.
O laudo apontou que o micro-ônibus estava a 101 km/h no momento do impacto, enquanto o limite da rodovia era de 60 km/h.
A informação também foi compatível com o relato de um dos passageiros que sobreviveram.
Segundo a testemunha, o coletivo havia deixado Imbituva com cerca de 20 minutos de atraso e o motorista conduzia o veículo de maneira considerada “apressada”.
Para os investigadores, a velocidade desenvolvida pelo micro-ônibus também pode ter influenciado na dinâmica da colisão.
Os exames toxicológicos dos dois motoristas deram negativo para álcool e drogas.
Polícia descarta envolvimento de terceiro veículo
Uma das linhas investigadas pela PCPR foi a possibilidade de um terceiro veículo ter participado do acidente.
A suspeita surgiu depois que testemunhas relataram ter visto um caminhão prata, com avarias, parado no acostamento nas proximidades do local da colisão.
A Polícia Científica identificou o veículo e realizou diligências para esclarecer a origem dos danos.
Imagens de câmeras de monitoramento demonstraram que as avarias já estavam presentes antes do acidente de 19 de agosto.
Além disso, uma testemunha confirmou que o caminhão havia parado no acostamento para prestar socorro às vítimas e auxiliar na sinalização da rodovia.
Com esses elementos, a participação de um terceiro veículo foi descartada pela Polícia Civil.
Inquérito deve ser arquivado
Com a conclusão das perícias e a análise dos demais elementos reunidos durante a investigação, a PCPR apontou que tanto o caminhão quanto o micro-ônibus apresentaram fatores que contribuíram para o acidente.
Entre os elementos identificados estão o excesso de velocidade do caminhão, o desgaste no sistema de frenagem, a possível distração do motorista e a velocidade ainda mais elevada registrada pelo micro-ônibus.
Como os dois condutores morreram na colisão, a Polícia Civil concluiu o inquérito com sugestão de arquivamento.
A investigação foi encerrada quase dois meses depois da tragédia, que mobilizou equipes da Polícia Civil, Polícia Científica e Polícia Rodoviária Federal na identificação das vítimas e na apuração das circunstâncias do acidente.
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