Estudo mostra como açúcar pode mudar resposta do intestino aos antibióticos

Açúcar pode favorecer proliferação de bactéria no intestino durante tratamento com antibióticos

revista científica Nature/edsonvalerio.com.br
Estudo mostra como açúcar pode mudar resposta do intestino aos antibióticos Reprodução FREEPIK

Um estudo publicado na revista científica Nature encontrou uma possível relação entre o consumo de alimentos ricos em açúcar durante o tratamento com determinados antibióticos e alterações importantes na microbiota intestinal.
A pesquisa aponta que, em modelos animais, a combinação entre antibióticos e sacarose favoreceu uma forte proliferação da bactéria intestinal Enterococcus, em comparação com o uso do medicamento sem a adição de açúcar à dieta.
Os pesquisadores também analisaram dados de 9.419 refeições consumidas por 173 pacientes submetidos a transplantes de células hematopoiéticas, tratamento utilizado em casos de cânceres do sangue.

Dados de pacientes

Após o transplante, os 173 pacientes receberam antibióticos.
Desses, 138 precisaram passar para medicamentos de amplo espectro depois de apresentarem febre ou outros sinais de possível infecção.
Os pesquisadores não encontraram relação significativa entre o consumo de doces isoladamente e a diversidade da microbiota.
O resultado mudou quando foram considerados os pacientes que utilizavam antibióticos de amplo espectro.
Segundo a análise, a cada 100 gramas adicionais de doces e bebidas açucaradas, descontado o conteúdo de água dos alimentos, houve uma associação com uma redução adicional de 24% na diversidade do microbioma intestinal.

O que aconteceu nos camundongos

Para investigar o fenômeno de forma mais direta, a equipe também realizou experimentos com camundongos.
Uma única aplicação de antibiótico provocou aumento da população de Enterococcus, com pico observado no terceiro dia e redução significativa até o sexto dia.
Quando os animais receberam sacarose junto à alimentação, o crescimento da bactéria foi ainda maior: a quantidade de Enterococcus foi 16,3 vezes superior no terceiro dia e 33,4 vezes maior no sexto dia em comparação com os animais que receberam apenas o antibiótico.
O estudo também observou uma associação entre a exposição diária aos antibióticos e o risco de morte nos animais.
A cada dia adicional de tratamento, o risco aumentou 12% no experimento.
O que o estudo significa
Os resultados sugerem que a alimentação pode interferir na relação entre antibióticos e microbiota intestinal, especialmente quando há consumo elevado de açúcar durante o uso de medicamentos de amplo espectro.
Os próprios resultados, porém, não significam que uma pessoa em tratamento com antibiótico terá necessariamente esse efeito ao consumir doces.
Parte importante da pesquisa foi realizada em camundongos, enquanto a análise em humanos foi observacional.
Por isso, os dados apontam uma possível relação que ainda precisa ser investigada em outros estudos.
Antibióticos não devem ser interrompidos ou alterados por conta própria, e mudanças na alimentação durante um tratamento devem ser discutidas com um profissional de saúde.




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