Documentos citam advogada em contrato milionário
Advogada nega atuação no STF após auditoria revelar pagamento de R$ 33 milhões
Dalide Corrêa/Reprodução Documentos encontrados pela Polícia Federal apontam que o Banco Master pagou R$ 33 milhões, em 2024, ao escritório Alves Corrêa, da advogada Dalide Corrêa.
As informações constam de uma auditoria interna encomendada pelo Banco de Brasília (BRB) para analisar a operação envolvendo o Master. O material foi localizado entre itens apreendidos com dirigentes do BRB e permanece sob análise. Até o momento, a Polícia Federal não apresentou uma conclusão sobre a legalidade do contrato nem realizou diligências específicas para verificar os serviços prestados pelo escritório.
Mensagem menciona ‘canal direto com o STF’
O nome de Dalide também aparece em mensagens trocadas por diretores do Banco Master e obtidas pela investigação. Em uma das conversas, o então diretor financeiro Ângelo Ribeiro teria orientado o superintendente de Tesouraria Alberto Félix a realizar um pagamento ao escritório, utilizando a expressão “canal direto com o STF”. O conteúdo disponível não esclarece o significado da expressão. As mensagens relacionadas a esse pagamento também não apresentam menções a Gilmar Mendes ou a outro ministro do Supremo Tribunal Federal.
Gastos chegaram a R$ 215 milhões
A auditoria registrou que as despesas do Banco Master com escritórios de advocacia aumentaram de R$ 76 milhões, em 2023, para R$ 215 milhões em 2024. Entre os maiores valores identificados estão R$ 40 milhões destinados ao escritório Barci de Moraes e R$ 33 milhões pagos ao Alves Corrêa.
O documento destacou a necessidade de estabelecer qual seria o patamar habitual dessas despesas para avaliar o impacto financeiro dos contratos. Conforme a auditoria, essa informação não foi apresentada pela administração do banco.
Advogada nega atuação junto ao Supremo
Em nota, Dalide Corrêa afirmou que “jamais atuou para o Master no Supremo Tribunal Federal nem procurou ministros da Corte para tratar de assuntos relativos ao banco”. A advogada informou que sua atuação ocorreu em processos originalmente conduzidos para empresas que venderam créditos ao Banco Master e posteriormente foram substituídas pelo banco nas ações. Segundo a manifestação, o trabalho do escritório ficou restrito a processos em primeira e segunda instâncias.
Dalide foi diretora do IDP
Dalide Corrêa ocupou o cargo de diretora do IDP, instituição fundada pelo ministro Gilmar Mendes.
Ela deixou o instituto em 2017. Por meio de interlocutores, Gilmar afirmou que se afastou da advogada após a saída dela da instituição e que atualmente não mantém relação de proximidade.
Os documentos relacionados ao contrato permanecem entre os materiais analisados pela Polícia Federal nas investigações envolvendo o Banco Master e o BRB.
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