Imagens: Stockphotos Enquanto os golpes se sofisticam, mudam de plataforma e chegam cada vez mais pelo celular, uma estatística ajuda a dimensionar o tamanho do problema no Brasil.
Em 2025, foram registrados oficialmente 2,26 milhões de casos de estelionato no país.
É o equivalente a aproximadamente 258 ocorrências por hora. Ou, colocando o número numa dimensão mais fácil de imaginar: mais de quatro registros a cada minuto.
Em apenas quatro anos, o crescimento chegou a 72%.
De 1,31 milhão para 2,26 milhões
A curva praticamente não deu trégua.
Em 2021, o Brasil registrou aproximadamente 1,31 milhão de ocorrências.
No ano seguinte, o volume saltou para 1,82 milhão.
Em 2023, o país rompeu a barreira dos 2 milhões de casos.
Depois vieram 2,19 milhões em 2024 e, finalmente, 2,26 milhões em 2025.
Na comparação entre o início e o fim desse período, são quase 950 mil registros adicionais por ano.
Não se trata, portanto, de uma oscilação isolada. O estelionato avançou continuamente ao longo dos últimos anos.
O golpe mudou de endereço
Parte dessa transformação acompanha uma mudança muito maior na nossa própria rotina.
O Banco está no celular.
As compras acontecem pelo aplicativo.
Nossas conversas pessoais migram para WhatsApp e redes sociais.
Fazemos pagamentos em segundos.
E o criminoso também percebeu essa mudança.
Golpes com falsos atendentes, links fraudulentos, perfis clonados, falsas vendas, invasão ou apropriação de contas e diferentes formas de manipulação digital passaram a fazer parte do cotidiano.
O estelionatário não precisa necessariamente estar perto da vítima.
Às vezes, basta conseguir convencê-la a clicar, transferir dinheiro ou fornecer uma informação.
Lei passou a tratar da fraude eletrônica
O recorte iniciado em 2021 também é importante por uma razão jurídica.
Em maio daquele ano entrou em vigor a Lei 14.155, que alterou o Código Penal e estabeleceu tratamento específico para a chamada fraude eletrônica, além de endurecer a legislação para crimes patrimoniais praticados por meios digitais.
A modalidade contempla fraudes cometidas com informações obtidas da vítima por meio de redes sociais, contatos telefônicos, e-mails fraudulentos e outros mecanismos semelhantes.
Isso também ajuda a compreender por que comparações muito longas com períodos anteriores precisam ser feitas com cuidado.
O número real provavelmente é maior
Os 2,26 milhões de casos não significam que essa foi a quantidade total de golpes praticados no Brasil em 2025.
Significam que esse foi o universo que entrou nas estatísticas oficiais.
Uma vítima que perde dinheiro e não registra boletim de ocorrência simplesmente não aparece nesse levantamento.
Há quem não procure a polícia por acreditar que o prejuízo foi pequeno.
Há vítimas que sentem vergonha por terem caído no golpe.
Outras sequer percebem imediatamente que foram enganadas.
Por isso, a estatística oficial revela o tamanho conhecido do problema — não necessariamente todo o problema.
Em 4 anos, um milhão de registros a mais
A comparação ajuda a mostrar a velocidade da mudança.
De 1,31 milhão em 2021 para 2,26 milhões em 2025, o Brasil acrescentou aproximadamente 948 mil ocorrências anuais de estelionato. É praticamente uma nova camada de um milhão de registros incorporada às estatísticas em apenas quatro anos.
O 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, confirma 2.261.055 registros em 2025 e aponta o avanço das fraudes como uma das mudanças mais importantes no perfil da criminalidade patrimonial brasileira.
Quatro por minuto — e apenas os conhecidos
Talvez seja essa a comparação que melhor traduza a dimensão do fenômeno.
Enquanto você leva um minuto para ler alguns parágrafos desta reportagem, mais de quatro ocorrências de estelionato equivalentes à média de 2025 teriam sido registradas em algum lugar do Brasil.
E estamos falando apenas das que chegaram oficialmente às autoridades.
A tecnologia tornou a vida mais rápida. Infelizmente, tornou o golpe mais rápido também.
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