Conselho mantém processo contra Erika Hilton.
Por 10 a 5, Conselho de Ética abre caminho para investigação contra Erika Hilton
Reprodução O processo disciplinar contra a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) continua avançando dentro da Câmara dos Deputados.
O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar aprovou, por 10 votos a 5, o parecer preliminar favorável ao prosseguimento da Representação 8/2026, apresentada pelo Partido Missão.
A decisão mantém aberta uma investigação que, ao final de todas as etapas, poderá resultar em punições que vão até a cassação do mandato — exatamente a sanção pedida pelo partido autor da representação.
Publicação nas redes está no centro do processo
O caso nasceu de uma postagem feita por Erika Hilton na plataforma X depois de sua eleição para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher.
Na mensagem, a parlamentar escreveu que não estava preocupada com a opinião do que chamou de “esgoto da sociedade” e utilizou o trocadilho “imbeCIS”.
A representação também questiona outro trecho da publicação, no qual aparecem as expressões “podem espernear” e “podem latir”.
Para o Partido Missão, o conteúdo ultrapassou os limites da manifestação política e teve caráter ofensivo e discriminatório contra mulheres cisgênero.
Relator votou para manter investigação
O parecer preliminar foi apresentado pelo deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB).
Ele defendeu que o processo deveria continuar para que o Conselho analisasse o mérito das acusações.
Segundo o relator, a imunidade parlamentar não impede que a própria Câmara avalie se houve abuso ou excesso no uso da palavra por um deputado. A maioria do Conselho acompanhou essa posição.
O placar terminou em 10 votos pela admissibilidade e cinco contra. O registro oficial da Câmara confirma a votação nominal realizada no colegiado.
Erika diz que postagem foi dirigida a transfóbicos
A defesa de Erika Hilton pediu o arquivamento da representação. A parlamentar sustenta que o termo “imbeCIS” não foi dirigido às mulheres cisgênero como grupo, mas a pessoas que, segundo ela, faziam ataques transfóbicos.
A defesa afirma ainda que a expressão “podem latir” se referia a opositores políticos, e não às mulheres de forma geral. Erika também classificou a representação como parte de uma perseguição política.
Pedido para trocar relator foi rejeitado
A defesa também tentou afastar Cabo Gilberto Silva da relatoria.
O argumento era de que o deputado não teria imparcialidade por já ter apoiado uma proposta relacionada à composição da Mesa da Comissão da Mulher. O presidente do Conselho de Ética, Fabio Schiochet (União-SC), rejeitou o pedido. Segundo ele, a assinatura ou apresentação de propostas legislativas não representa, por si só, pré-julgamento da conduta da deputada.
Processo agora entra em fase de produção de provas
A votação de 10 a 5 não cassou o mandato de Erika Hilton. O Conselho decidiu apenas que existem elementos suficientes para que o processo disciplinar prossiga. Pelas regras do colegiado, a deputada tem direito a apresentar defesa escrita, provas e indicar até oito testemunhas.
Depois dessa fase, o relator deverá elaborar um parecer final, que será novamente discutido e votado pelo Conselho de Ética.
Cassação depende de outras etapas
Caso o processo chegue a uma recomendação de perda do mandato, a decisão não termina no Conselho de Ética.
Uma eventual cassação precisa avançar para o Plenário da Câmara dos Deputados, onde os parlamentares terão a palavra final. Até lá, o processo continua em tramitação e Erika Hilton permanece exercendo normalmente o mandato. A própria página oficial do Conselho de Ética registra a Representação 8/2026 como em tramitação.
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