Policiais denunciados por suposto roubo a caminhoneiro.
Mensagens de WhatsApp contradizem depoimentos de policiais denunciados por suposto roubo na BR-376
Foto: Reprodução/Ric RECORD Os quatro policiais militares denunciados pelo Ministério Público do Paraná (MPPR) por suspeita de roubo contra um caminhoneiro na BR-376 apresentaram versões diferentes durante os depoimentos prestados à polícia.
O caso ocorreu em setembro de 2025. Conforme a denúncia, os agentes teriam abordado um motorista de caminhão-cegonha em um posto às margens da rodovia e, posteriormente, levado a vítima para um local isolado, onde teriam sido retirados celulares do caminhoneiro.
Os policiais confirmaram que estavam em serviço no momento da abordagem, mas negaram qualquer irregularidade.
Um dos agentes afirmou que a equipe havia recebido uma denúncia anônima sobre um possível transbordo de carga que aconteceria em um posto de combustíveis.
Outro policial relatou ter feito a revista no caminhoneiro e negou o uso de violência durante a ação.
“Nossa equipe não tinha o costume de bater, humilhar, nada do tipo”, declarou o policial durante o depoimento.
Um terceiro agente também negou ter utilizado a arma para ameaçar o caminhoneiro.
Segundo ele, a conversa com a vítima ocorreu normalmente e a arma não teria sido apontada para o homem.
Mensagens encontradas pelo Gaeco levantaram contradições
Durante a Operação Rapina, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) cumpriu mandados de busca e apreensão relacionados à investigação.
Documentos, equipamentos eletrônicos e celulares foram recolhidos.
Na análise dos aparelhos pessoais dos investigados, os investigadores encontraram conversas entre os quatro policiais em um grupo de WhatsApp.
Segundo o Gaeco, as mensagens indicam que a equipe já discutia a abordagem ao caminhão antes de chegar ao posto onde o veículo foi localizado.
Um dos policiais apresentou uma versão diferente dos demais.
Conforme o Ministério Público, ele admitiu que os agentes chegaram a sugerir possíveis locais para onde o caminhão poderia seguir, na tentativa de localizar o veículo que faria o suposto transbordo da carga.
A declaração divergiu dos depoimentos dos outros três policiais.
Eles haviam afirmado que os locais teriam sido indicados pelo próprio caminhoneiro.
Investigados respondem a ação penal
Os quatro policiais denunciados pelo MPPR respondem a uma ação penal por suspeita de roubo qualificado.
A denúncia foi recebida pela Vara da Auditoria da Justiça Militar Criminal de Curitiba em agosto de 2026.
Segundo a acusação, os agentes teriam utilizado armas de fogo para obrigar o caminhoneiro a conduzir o veículo até uma área isolada.
Ainda conforme o MPPR, os policiais teriam retirado aparelhos celulares da vítima para benefício próprio, sem que os objetos fossem formalmente apreendidos ou registrados.
A Justiça Militar também manteve as medidas cautelares impostas aos quatro investigados em fevereiro deste ano.
Eles foram afastados das atividades operacionais e estão proibidos de utilizar fardamento e armas, inclusive particulares.
Os policiais também não podem acessar sistemas de investigação policial, precisam comparecer aos atos do processo e estão proibidos de deixar a comarca sem autorização judicial.
O Ministério Público pediu ainda que seja estabelecida uma indenização mínima de R$ 50 mil por danos morais em favor da vítima.
Os quatro policiais negam as irregularidades apontadas na investigação, e o caso segue em tramitação na Justiça Militar.
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