Enchentes após queda de geleira deixam centenas de mortos
Colapso de geleira provoca enchentes devastadoras e deixa mais de 1,3 mil desaparecidos entre Nepal e Tibete
Imagem: REUTERS/Stringer Uma sequência de enchentes repentinas e deslizamentos provocados pelo colapso de uma geleira atingiu áreas turísticas na fronteira entre o Nepal e o Tibete, deixando centenas de mortos e desaparecidos. As equipes de emergência continuam as buscas nesta quinta-feira (27), enquanto autoridades alertam que o número de vítimas pode aumentar.
No Nepal, 270 corpos já haviam sido recuperados, segundo a polícia local. O país também registra 826 pessoas ainda desaparecidas, entre moradores, agentes de segurança e turistas.
Entre os desaparecidos estão 517 estrangeiros, de acordo com os dados mais recentes das autoridades nepalesas.
Na região do Tibete, autoridades chinesas informaram que 558 pessoas estão desaparecidas, incluindo cerca de 260 estrangeiros.
Com isso, o número de desaparecidos nos dois lados da fronteira passa de 1,3 mil.
Turistas de vários países estão desaparecidos
A região atingida é frequentada por turistas, montanhistas e peregrinos que seguem em direção ao Monte Kailash, local considerado sagrado por diferentes tradições religiosas.
Entre os estrangeiros desaparecidos no Nepal estão cidadãos da Índia, Estados Unidos, Austrália, Reino Unido e Canadá, além de pessoas de outros países. O Itamaraty informou que não tem noticias de que existam brasileiros entre os desaparecidos.
As equipes de resgate utilizam helicópteros, veículos militares e equipes especializadas para chegar às áreas isoladas.
As condições de acesso são difíceis devido aos danos provocados pelas águas e pelos deslizamentos.
Geleira teria provocado a onda de destruição
As primeiras informações chegaram a apontar a possibilidade de um terremoto como responsável pelo desastre.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), porém, revisou a avaliação e concluiu que não houve terremoto.
Segundo os pesquisadores, o evento começou com o colapso de uma parte de uma geleira, a aproximadamente 5,2 mil metros de altitude.
O desmoronamento de gelo e rochas teria provocado um fluxo de detritos que atingiu um rio na região e desencadeou uma enorme onda de água, lama e pedras.
A força da correnteza destruiu casas, veículos, pontes e estradas, além de atingir comunidades inteiras.
No Nepal, pelo menos 19 pontes e cerca de 40 quilômetros de estradas foram danificados.
Buscas continuam
Milhares de agentes participam das operações de emergência. Helicópteros são utilizados tanto para procurar sobreviventes quanto para levar alimentos e outros suprimentos às localidades que ficaram isoladas.
As autoridades ainda trabalham para localizar os desaparecidos e identificar os corpos encontrados.
O número de vítimas pode continuar aumentando à medida que as equipes conseguem chegar às áreas mais afetadas.
A Cruz Vermelha anunciou recursos para os trabalhos emergenciais, enquanto os Estados Unidos também prometeram ajuda financeira para apoiar as operações de resgate e assistência às vítimas.
O desastre provocou uma das maiores operações de emergência já realizadas na região e deixou um rastro de destruição em uma área que recebe grande número de turistas e peregrinos.
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