Mulher perde filha e irmã em acidente com ônibus

Menina de 7 anos e tia morreram abraçadas em acidente que deixou 10 mortos na BR-040

Globo/BHNews/PortalEdsonValerio
Mulher perde filha e irmã em acidente com ônibus Reprodução PRF

O pedido de socorro da filha durante o tombamento do ônibus permanece na memória de Maria Luiza Pereira, uma das sobreviventes da tragédia que matou dez pessoas na madrugada de domingo (16), na BR-040, em Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro.
A diarista, moradora de Belo Horizonte, viajava para o Rio acompanhada dos quatro filhos.
Durante o acidente, ouviu Lavínia Eduarda Souza Dias, de 7 anos, pedir ajuda, mas não conseguiu chegar até a menina. Sem conseguir alcançá-la, Maria orientou a filha a se segurar na irmã dela, Priscilla de Souza Braz, de 33 anos, tia da criança.
A minha filha chegou a gritar me pedindo ajuda, mas eu não tinha como, e disse para ela abraçar minha irmã”, contou Maria ao jornal O Globo. Segundo o relato da sobrevivente, Lavínia e Priscilla foram encontradas abraçadas. As duas estão entre as dez mulheres que morreram no tombamento do ônibus, ocorrido por volta das 4h30, no km 91 da BR-040.
Mãe viajava com os quatro filhos
Maria Luiza havia planejado passar alguns dias no Rio de Janeiro com as crianças.
Além de Lavínia, estavam no ônibus os outros três filhos dela. Uma criança de 1 ano e um menino de 10 anos receberam alta ainda no domingo. A outra filha, de 4 anos, permaneceu internada para avaliação de um ferimento no olho.
Maria também foi atendida e recebeu alta, passando depois a acompanhar a filha hospitalizada.
Uma tia da sobrevivente sofreu fratura na coluna, enquanto uma cunhada teve ferimentos superficiais.
A família agora aguarda os procedimentos necessários para levar os corpos de Lavínia e Priscilla de volta a Belo Horizonte.
Ônibus seguia em alta velocidade
Maria Luiza também afirmou que percebeu velocidade elevada antes do tombamento.
Segundo ela, um guia que acompanhava a excursão teria dito aos passageiros que a condução era normal.
Outros sobreviventes também relataram preocupação com a velocidade. Um passageiro afirmou que o ônibus passava rapidamente pelas curvas e que algumas mulheres chegaram a pedir que o veículo parasse antes do acidente.
Esses relatos fazem parte dos elementos que poderão auxiliar a investigação, mas a causa do tombamento ainda não foi oficialmente determinada.
O motorista sobreviveu e sofreu fraturas nas duas pernas. A 105ª Delegacia de Polícia de Petrópolis conduz a apuração.
Ônibus levava turistas para Copacabana

O ônibus havia saído da Região Metropolitana de Belo Horizonte e seguia para Copacabana, na Zona Sul do Rio. Segundo a concessionária Elovias, havia 56 pessoas a bordo, incluindo o motorista e dois auxiliares. O veículo tombou durante a descida da Serra de Petrópolis, em um trecho que estava em obras e tinha uma das faixas interditada.
A concessionária afirma que a área estava devidamente sinalizada e que a intervenção havia sido previamente comunicada aos usuários da rodovia.
Bombeiros, Samu, Polícia Rodoviária Federal e equipes da concessionária participaram da operação de socorro. Dezenas de pessoas precisaram ser encaminhadas para hospitais da região.
Cinco vítimas estão internadas 
O Hospital Municipalizado Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, recebeu 14 vítimas do acidente.
Na atualização desta segunda-feira (17), cinco permaneciam internadas — duas meninas e três adultos.
No Hospital Santa Teresa, em Petrópolis, 11 pessoas foram atendidas. Seis já haviam recebido alta e cinco continuavam internadas, sem divulgação do quadro clínico individual.
Nove dos dez corpos foram encaminhados para o serviço médico-legal de Petrópolis. A décima vítima chegou a ser socorrida com vida, mas morreu e foi levada para Nova Iguaçu.
ANTT diz que transporte era clandestino
Além da investigação sobre a dinâmica do tombamento, outra irregularidade passou a fazer parte do caso.
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) informou que o ônibus não estava habilitado para realizar transporte interestadual de passageiros.
O veículo está registrado em nome da Dinna Elles Turismo, com comunicação de venda para a PIT Tur Transportes Ltda. Segundo a agência, nenhuma das duas possuía habilitação para o serviço.
O ônibus ainda apresentava adesivo da ANTT em nome de outra empresa, a Samara, também apontada como inapta. A agência informou que não localizou empresa habilitada com o nome Estrela Guia Turismo, responsável pela excursão.
Diante desses elementos, a ANTT classificou a operação como transporte clandestino de passageiros.
A Estrela Guia lamentou as mortes, afirmou que presta assistência às vítimas e familiares e declarou estar colaborando com as autoridades. A empresa disse que aguarda a conclusão das investigações para que as circunstâncias do acidente sejam esclarecidas.
Dez mulheres morreram no acidente
Entre as vítimas já identificadas estão Lavínia Eduarda Souza Dias, de 7 anos, e Priscilla de Souza Braz, de 33, filha e irmã de Maria Luiza.
Também morreu Ketelyn Polyane Alves Oliveira, de 19 anos, que estava grávida de quatro meses, além de outras passageiras da excursão.
Enquanto a Polícia Civil trabalha para estabelecer o que provocou o tombamento, sobreviventes e familiares enfrentam as consequências de uma viagem que deveria terminar na praia e acabou interrompida ainda durante a descida da Serra de Petrópolis.




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