Gaeco mira esquema de loteamentos clandestinos.
Operação Miragem apura lavagem de dinheiro, fraude processual e ameaças contra autoridades
Foto: Julio Moura/ Reprodução O Ministério Público do Paraná (MPPR) deflagrou na manhã desta terça-feira (2) a segunda fase da Operação Miragem, que investiga uma suposta organização criminosa envolvida na implantação e comercialização de loteamentos clandestinos em Ibiporã, no Norte do Estado. A operação foi realizada pelo Gaeco de Londrina, em conjunto com a 1ª Promotoria de Justiça de Ibiporã, e cumpriu mandados de prisão preventiva, busca e apreensão e busca pessoal.
As investigações apuram crimes de parcelamento irregular do solo, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, fraude processual e também supostas ameaças contra autoridades públicas e agentes de fiscalização. Segundo o MPPR, um dos principais investigados seria responsável pelo loteamento clandestino conhecido como Recanto Água Bonita, implantado em área rural de Ibiporã.
De acordo com a investigação, o espaço possuía cerca de 68 mil metros quadrados, divididos irregularmente em 62 lotes vendidos sem autorização ambiental e urbanística.
Outro investigado também estaria ligado ao loteamento irregular Recanto dos Sonhos, que teria sido subdividido em 23 lotes comercializados de forma clandestina.
Investigação aponta destruição de provas
Conforme o Ministério Público, mesmo após decisão judicial determinando a paralisação das atividades e a entrega dos contratos dos compradores, os investigados teriam escondido e destruído provas.
As apurações indicam que documentos físicos foram levados para um sítio na zona rural e arquivos digitais armazenados em nuvem teriam sido apagados. Os suspeitos ainda teriam alegado falsamente à Justiça que os documentos haviam sido perdidos após problemas em um disco rígido de computador.
Esquema teria usado empresa de fachada
Segundo o Gaeco, os investigados continuaram recebendo pagamentos dos compradores mesmo após proibição judicial.
Para tentar driblar bloqueios determinados pela Justiça, o grupo teria criado uma empresa registrada em nome da irmã de um dos investigados.
As vítimas eram orientadas a realizar transferências via Pix para contas vinculadas à empresa e também para o escritório de advocacia de uma investigada.
O rastreamento financeiro apontou movimentações e transferências para contas pessoais ligadas aos envolvidos.
Autoridades teriam sido ameaçadas
As investigações também revelaram supostas ameaças contra autoridades responsáveis pela fiscalização do caso. De acordo com o Ministério Público, um dos investigados teria ameaçado “sumir literalmente” com o promotor responsável pelas investigações. Interceptações apontam ainda conversas sobre possíveis ataques contra fiscais municipais e até contra o Fórum de Ibiporã.
Justiça determina bloqueio de R$ 3,5 milhões
A Justiça determinou o bloqueio de bens, investimentos e valores dos investigados até o limite de R$ 3,5 milhões. Segundo o MPPR, a medida busca garantir eventual ressarcimento às 62 famílias que teriam sido prejudicadas pelo esquema, além do pagamento de multas e despesas processuais. As investigações seguem em andamento.
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