Brasil está fora da UE para venda de carnes.
União Europeia deixa Brasil fora de lista para exportação de carne e acende alerta no agro
Reprodução /crédito: Michael C Berch wikimedia commons A União Europeia retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal destinados ao consumo humano para o bloco europeu. A decisão foi divulgada nesta terça-feira, 12 de maio, após votação no Comitê Permanente para Plantas, Animais, Alimentos e Ração da Comissão Europeia.
A medida está relacionada às novas exigências sanitárias sobre o uso de antimicrobianos na criação animal e deve passar a valer a partir de 3 de setembro de 2026. Até lá, segundo o governo brasileiro, as exportações seguem ocorrendo normalmente.
Brasil ficou fora, mas vizinhos seguem autorizados
A nova lista europeia inclui países considerados em conformidade com as regras sanitárias do bloco, como Argentina, Paraguai e Uruguai, parceiros do Brasil no Mercosul. Também aparecem na relação outros fornecedores internacionais, como México e Colômbia, segundo informações divulgadas pela imprensa especializada e por veículos nacionais.
A exclusão brasileira causou preocupação porque a União Europeia é um mercado de alto valor agregado para as proteínas nacionais. Em 2025, as exportações brasileiras de carne bovina ao bloco europeu superaram 370 mil toneladas, movimentando cerca de US$ 1,8 bilhão, segundo dados governamentais citados pela imprensa internacional.
Regra mira uso de antibióticos na pecuária
Pelas normas da União Europeia, produtos de origem animal importados devem atender às mesmas exigências aplicadas aos produtores europeus. O bloco proíbe o uso de antimicrobianos em animais com a finalidade de acelerar o crescimento ou aumentar a produtividade.
As regras também restringem o uso de antibióticos considerados essenciais para o tratamento de infecções humanas. A justificativa da União Europeia é combater a resistência bacteriana, problema que preocupa autoridades sanitárias em todo o mundo.
Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não apresentou, até o momento, garantias consideradas suficientes sobre a restrição ao uso de determinados antimicrobianos na produção animal. No entanto, a lista pode ser revista futuramente caso as pendências sejam atendidas.
Governo brasileiro diz ter recebido decisão com surpresa
Em nota conjunta, os ministérios da Agricultura e Pecuária, das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços afirmaram que o governo brasileiro recebeu a decisão com “surpresa”.
A nota destaca que, neste momento, as exportações brasileiras de produtos de origem animal para a União Europeia seguem normalmente, já que a mudança só entra em vigor em 3 de setembro de 2026.
O governo também informou que tomará “prontamente todas as medidas necessárias” para tentar reverter a decisão, retornar à lista de países autorizados e preservar o fluxo comercial com o mercado europeu, para o qual o Brasil exporta há cerca de 40 anos.
Como primeira medida diplomática, o chefe da Delegação do Brasil junto à União Europeia tem reunião prevista com autoridades sanitárias do bloco para buscar explicações sobre a exclusão.
Impacto pode atingir margem de lucro e reputação sanitária
Especialistas avaliam que o impacto direto sobre o Produto Interno Bruto nacional tende a ser limitado, já que a China continua sendo o maior mercado para a proteína animal brasileira. Ainda assim, a União Europeia é considerada estratégica por pagar melhor e exigir padrões sanitários mais rigorosos.
A eventual perda ou restrição de acesso ao mercado europeu pode afetar especialmente frigoríficos, pecuaristas, produtores integrados, cadeias logísticas e fornecedores. Além do impacto econômico, há preocupação com a imagem sanitária do país diante de outros compradores internacionais.
Setor produtivo aposta em negociação técnica
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes, a Abiec, afirma que o setor privado vem trabalhando em parceria com o Ministério da Agricultura na elaboração de protocolos para atender às novas exigências europeias.
Segundo entidades do setor, há expectativa de continuidade do diálogo técnico antes da versão definitiva da listagem e possibilidade de missão europeia ao Brasil no segundo semestre. A própria União Europeia indicou que a lista poderá ser revista, o que mantém aberta uma janela de negociação para o país.
Decisão ocorre em ambiente de pressão política na Europa
A medida também ocorre em um momento sensível para as relações comerciais entre a União Europeia e o Mercosul. Agricultores europeus, especialmente da França, vêm pressionando contra a concorrência de produtos agropecuários importados, alegando diferenças nos custos de produção e nas exigências ambientais e sanitárias.
O comissário europeu para a Agricultura, Christophe Hansen, defendeu que produtos importados cumpram os mesmos padrões exigidos dos agricultores europeus, especialmente em temas ligados à saúde animal e ao uso de antimicrobianos.
Para o Brasil, o desafio agora será provar às autoridades europeias que sua cadeia produtiva atende às exigências sanitárias do bloco e evitar que a restrição prevista para setembro se transforme em prejuízo prolongado para o agro nacional.
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