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Maringá,09/05/2026

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Alunos criam lista com mulheres “estupráveis”

O caso veio à tona após o vazamento de mensagens trocadas entre os suspeitos. Universidade abriu investigação

PMMT/PortalEdsonValerio
Alunos criam lista com mulheres “estupráveis” Universidade Federal de Mato Grosso /Cuiabá/Reprodução

A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para investigar estudantes do curso de direito suspeitos de criar e divulgar uma lista que classificava alunas como “estupráveis”.
O caso veio à tona após o vazamento de mensagens trocadas entre alunos que gerou revolta e protestos realizados por estudantes no campus de Cuiabá
A coluna obteve acesso aos prints das conversas e, em um deles, o envolvido diz: “Vou brocar uma na primeira semana”.
Em resposta ao comentário feito pelo colega em que diz ter “gótica e roqueira” no curso de engenharia, ele ainda responde: “Na minha tem também. Com piercing na boca. Vou molestar.”
Durante a troca de mensagens, os estudantes ainda combinam de fazer um “ranking de alunas mais estupráveis dos cursos”.
Após as denúncias, uma das estudantes ainda afirmou que o suspeito estava procurando pelas pessoas que denunciaram.
O que diz a Universidade?
Em nota, a Universidade Federal de Mato Grosso repudiou o episódio e afirmou que já adotou medidas administrativas para apurar os fatos e responsabilizar os envolvidos.
“A Universidade Federal de Mato Grosso repudia veementemente qualquer manifestação, prática ou tentativa de naturalização da violência, da misoginia e de qualquer forma de violação de direitos humanos no âmbito de sua comunidade acadêmica”, declarou a instituição.
A universidade também informou que o procedimento disciplinar foi instaurado conforme a legislação vigente e as normas internas da instituição. A apuração ficará sob responsabilidade da Comissão de Processo Disciplinar Estudantil. O Centro Acadêmico VIII de Abril, que representa os estudantes de Direito, afirmou acompanhar o caso e repudiou as mensagens divulgadas.
“É inadmissível que, no âmbito de um curso de Direito — cuja formação está intrinsecamente vinculada à defesa da dignidade da pessoa humana, da igualdade e dos direitos fundamentais — ocorram episódios dessa natureza”, afirmou a entidade.
Após a repercussão, estudantes espalharam cartazes pela faculdade cobrando providências da universidade e punição aos responsáveis. A coluna tentou contato com a Polícia Civil do estado, mas não obteve retorno até a última atualização. Provavelmente, quando forem denunciados, dirão que "tudo não passava de uma brincadeira boba..de mau gosto".

O "Esgoto" na Academia — Onde erramos com nossos jovens?
Este caso na UFMT, onde estudantes de Direito — sim, futuros guardiões da lei — criaram um ranking de alunas "estupráveis", nos coloca diante de um espelho incômodo. O vazamento de mensagens revelou um nível de perversidade que desafia qualquer lógica de educação básica ou valores familiares.
A Ironia Cruel do Direito
É inadmissível que dentro de um curso que deveria ensinar a defesa da dignidade humana, o que se veja seja o planejamento de abusos e a naturalização da misoginia.
Quando um estudante escreve "Vou molestar" ou "Vou brocar uma na primeira semana", ele não está apenas brincando em um grupo de WhatsApp; ele está manifestando um caráter criminoso que ignora os direitos fundamentais que ele mesmo estuda nos livros.
Onde a educação falhou?
A pergunta que fica é: como jovens que tiveram acesso ao ensino de elite, muitos vindo de famílias estruturadas, chegam a esse ponto?

A impunidade digital: A falsa sensação de que "em grupo de amigos pode tudo" encoraja o que há de pior no ser humano.
A falência da empatia: O outro deixa de ser uma pessoa e vira um "ranking", um objeto de satisfação violenta.
O reflexo da sociedade: O que esses jovens reproduzem é um machismo estrutural que, infelizmente, ainda encontra eco em muitos ambientes.
A abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) pela UFMT é o mínimo esperado.
O que a sociedade aguarda agora é que o rigor da lei não seja apenas uma disciplina na grade curricular desses rapazes, mas uma realidade que os ensine que o respeito não é opcional.




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