Foto: Pillar Pedreira/Ag.Senado/ No programa ‘Não vou passar raiva sozinha’, a Duquesa de Tax fala sobre mais um recorde da carga tributária brasileira, puxada pelo Imposto de Renda e pelo IOF
O último boletim do Tesouro Nacional mostrou que o Brasil bateu novo recorde de carga tributária em 2025, de 32,22% do PIB, em 2024, para 32,4%, em 2025.
“Traduzindo para a sua linguagem, a gente está falando da fatia da riqueza produzida no País que vai parar direto nas mãos da União, dos Estados e dos municípios por meio dos tributos”, diz a colunista do Estadão Maria Carolina Gontijo, a Duquesa de Tax.
Segundo ela, apesar de ser pequeno, quando esse aumento ocorre num país que já cobra muito, o recado é muito simples: a máquina pública continua capturando uma parcela enorme da renda e da riqueza que o povo produz.
“O mais espantoso é que, mesmo com a carga nesse patamar, a conversa continua sendo aquela mesma de sempre. E aí a gente precisa arrecadar mais, reforçar a caixa, cumprir meta. Brasília vive naquele loop em que a sociedade paga mais e o discurso segue sendo de aperto permanente”, diz a Duquesa no programa Não vou passar raiva sozinha, desta semana (veja o vídeo completo acima).
Ela destaca ainda que, apesar de o País arrecadar, o governo vive sempre à beira de um colapso de caixa.
O Tesouro mostra que a alta de 2025 foi puxada, pelo menos no governo federal, pelo Imposto de Renda retido na fonte e pelo IOF.
Ao longo do tempo, o governo foi encontrando mais formas de puxar dinheiro da economia.
Algumas bem escancaradas, outras nem tanto. “Mas se tem um personagem que merece um lugar cativo nessa coluna, ele atende por três letrinhas que o governo adora tratar como se fosse um detalhezinho, que é o IOF.”
O IOF, diz a colunista, é aquele imposto que costuma aparecer fantasiado de medida regulatória, como se o governo estivesse ali organizando a circulação do dinheiro. “Ele é uma ferramenta arrecadatória muito eficiente, justamente porque consegue bater em operações financeiras de crédito, de câmbio, em outras movimentações sensíveis da economia, sem passar pelo constrangimento político de criar um imposto novo com um nome de imposto novo.”
A Receita informou que a arrecadação federal alcançou R$ 222,1 bilhões em fevereiro, um recorde para o mês desde o início da série histórica em 1995.
No primeiro bimestre, o total chegou a R$ 547,9 bilhões, outro recorde. “E, dentro desse desempenho, o IOF chamou a atenção: R$ 8,7 bilhões em fevereiro, com alta real de 35,73% sobre fevereiro do ano passado.”
E onde é que isso conversa com o seu bolso?, questiona a Duquesa.
“Em tudo, porque dinheiro mais caro não nasce no mato.
Quando o custo tributário sobre operações financeiras aumenta, isso vai se espalhando pela economia. Isso acaba aparecendo no preço das coisas, no custo do crédito, no ambiente de investimento até no apetite menor para contratar.”
COMENTÁRIOS