Reprodução Murillo de Aragão, colunista da revista Veja, destacou que: O Brasil gosta de viver perigosamente.
Pela obtusidade, provincianismo e mediocridade de parte expressiva de nossas lideranças, não percebemos o perigo que corremos.
Vejamos dois exemplos iniciais: a guerra tarifária e a guerra no Golfo Pérsico.
Mesmo com avisos repetidos de que Donald Trump, uma vez eleito, criaria uma desordem mundial, o país e suas lideranças continuaram a olhar para os próprios umbigos, mergulhados em escândalos de proporções épicas. Não houve preparo para enfrentar a situação.
O que se viu, de início, foi uma saraivada de declarações "lacrativas" que, de tempos em tempos, ressurgem como que para confirmar que realmente somos medíocres.
A crise tarifária com os Estados Unidos foi parcialmente resolvida pelos problemas internos americanos e pela gestão diplomática privada discreta - e não pelos nossos belos olhos. Mas o tema prossegue na pauta.
A questão energética, deflagrada pela guerra no Golfo Pérsico, está parcialmente amortecida por decisões estratégicas do passado: o Proálcool do regime militar e as iniciativas de biocombustível dos tempos em que Lula era mais pragmático.
Mas temos vulnerabilidades extremas no fornecimento de diesel e de combustível de aviação.
De fato, estamos nas mãos de dois países - Estados Unidos e Irã - para estabilizar nossas perspectivas. Faltam-nos capacidade e disposição para propor e executar políticas voltadas para reduzir nossas fragilidades e, consequentemente, para alinhar nossas iniciativas e narrativas a tais objetivos estratégicos. Nossas fragilidades, porém, vão além das questões tarifárias.
Nossas Forças Armadas também estão incapacitadas para defender o território nacional: faltam munição e combustível, e grande parte do equipamento permanece desmobilizada por falta de peças.
Nossa política de defesa está atada por preconceitos e miopia governamental.
A obtusidade e a mediocridade de nossas lideranças ficam patentes no fato de os poderes estarem empenhados apenas em proteger suas particularidades.
Não houve sequer um apelo, por parte das lideranças dos poderes, por entendimento mais amplo neste momento grave do país.
Tudo ocorre como se tudo estivesse mais ou menos normal. Enquanto Congresso e STF trocam petardos, o Poder Executivo assiste de longe. Nem mesmo nossas elites econômicas, que estão horrorizadas, se manifestam com firmeza.
A imprudência é generalizada e se revela também no comportamento descuidado em relação à segurança jurídica, à carga tributária crescente, à demora impatriótica no licenciamento ambiental de investimentos estratégicos à farra fiscal e ao descontrole comportamental de autoridades - que ora são vocais em demasia, ora omissas diante dos desafios que se impõem ao país.
O Brasil caminha para ser um país hostil ao investimento.
Ainda que a Bolsa, que sempre foi subvalorizada, apresente recordes em seus índices, os investimentos estrangeiros estão vindo pela barganha de nossas ações, pelo tamanho do mercado e pelo ambiente confuso no exterior.
Mas nos falta estabilidade institucional para sermos realmente um porto seguro à altura de nossas potencialidades.
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