O Golpe do 8 de Janeiro ficou DESIDRATADO
O "Tribunal das Ruas" e a desidratação da narrativa do golpe.
Marcelo Camargo/Agência Brasil Vamos lá, com muita hora nessa calma.
Demorou, mas a redoma de vidro que protegia a narrativa oficial sobre a tentativa de golpe de 2023 parece ter trincado. O que antes era vendido por grandes veículos e setores do Judiciário como uma verdade absoluta e inquestionável, hoje encontra uma barreira intransponível: a percepção da maioria dos brasileiros.
O Erro da "Sanha Punitiva"
O grande erro estratégico dos defensores da tese do golpe foi acreditar que o apoio midiático e decisões monocráticas seriam suficientes para moldar a história a longo prazo. Ao esticar a corda com prisões preventivas prolongadas e inquéritos que atropelam ritos processuais, criou-se um efeito rebote.
A pesquisa Meio/Ideia é implacável: 54% dos eleitores não acreditam que Jair Bolsonaro tentou dar um golpe. Esse dado não é apenas um número; é o sintoma de que a população passou a enxergar perseguição política onde se pregava "defesa da democracia".
O STF no Alvo
Se por um lado, a direita acerta ao canalizar o sentimento de injustiça para as urnas — com 66% dos eleitores considerando importante votar em senadores favoráveis ao impeachment de ministros —, por outro, o STF amarga seu pior índice de confiança (43% de desconfiança, segundo o Datafolha).
O envolvimento de nomes da Corte em escândalos como o do Banco Master e fraudes no INSS serviu como a gota d'água para uma credibilidade que já estava desgastada pelo ativismo judicial.
O Acerto do Pragmatismo
O acerto, neste novo cenário, parece vir do eleitor "isento" ou daquele que "fez o L" por medo, mas que agora reavalia sua posição.
A ascensão de Flávio Bolsonaro nas pesquisas é o reflexo direto dessa metamorfose da percepção popular. A população parece ter discernido o que foi vandalismo (o quebra-quebra do 8 de janeiro) de uma articulação institucional de golpe, que a maioria hoje descarta.
No fim, o ministro Gilmar Mendes pode criar barreiras regimentais para dificultar impeachments, mas, como em 1984, de George Orwell, o "Grande Irmão" institucional não consegue controlar o que as pessoas pensam.
No tribunal das ruas, a narrativa do golpe desidratou, e contra essa decisão popular, não cabe recurso monocrático.
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