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Maringá,11/03/2026

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Nobel 2025, criou uma máquina que produz água!!

Omar Yaghi, vencedor do Prêmio Nobel de Química de 2025, desenvolveu uma máquina capaz de produzir até 1.000 litros de água potável por dia diretamente do ar


Nobel 2025, criou uma máquina que produz água!! Foto: University of California, Berkeley/AFP/Arquivos

O químico Omar Yaghi, vencedor do Prêmio Nobel de Química de 2025, desenvolveu uma máquina capaz de produzir até 1.000 litros de água potável por dia diretamente do ar, funcionando até mesmo em condições extremamente secas, como desertos.
A tecnologia utiliza materiais chamados MOFs (Metal-Organic Frameworks), ou estruturas metal-orgânicas. Esses materiais são extremamente porosos — alguns possuem área interna equivalente a vários campos de futebol em apenas um grama — e conseguem capturar moléculas de água presentes no ar, mesmo quando a umidade relativa é inferior a 20%, algo comum em regiões desérticas.
Depois que a umidade é capturada pelos MOFs, o calor do sol é utilizado para liberar essa água, que então se condensa e é coletada como água limpa e segura para consumo. O sistema foi projetado para funcionar apenas com energia solar, sem necessidade de eletricidade externa, o que o torna ideal para regiões isoladas ou com poucos recursos.
O dispositivo, aproximadamente do tamanho de um contêiner de carga, já foi testado com sucesso em ambientes extremos, incluindo o Vale da Morte, na Califórnia, um dos lugares mais secos e quentes do planeta. Os testes mostraram que o equipamento consegue produzir água mesmo quando as condições atmosféricas são consideradas quase impossíveis para métodos tradicionais de captação.
A motivação para essa invenção também é profundamente pessoal.
Yaghi cresceu em Amã, na Jordânia, em uma família de refugiados palestinos. Durante sua infância, a água encanada chegava apenas uma vez por semana ou até a cada duas semanas, obrigando a família a armazenar água para sobreviver. Essa experiência marcou sua vida e o levou a dedicar sua carreira científica a encontrar soluções para a escassez global de água.
Hoje, pesquisadores acreditam que tecnologias baseadas em MOFs podem representar uma revolução no acesso à água potável, especialmente em regiões áridas da África, do Oriente Médio e de partes da América Latina. Com mais de 2 bilhões de pessoas no mundo vivendo em áreas com estresse hídrico, sistemas capazes de transformar o ar em água podem se tornar uma das soluções mais importantes para enfrentar a crise global da água nas próximas décadas.
Filho de refugiados palestinos com pouca formação acadêmica, o químico jordaniano-americano Omar Yaghi, nascido em Amã em 1965, celebrou nesta quarta-feira o poder transformador da ciência ao receber o Prêmio Nobel de Química de 2025.
Ao lado do japonês Susumu Kitagawa e do britânico Richard Robson, ele foi reconhecido pelo desenvolvimento das estruturas metal-orgânicas — materiais versáteis com aplicações que vão da captura de dióxido de carbono e do armazenamento de gases tóxicos à extração de água do ar.
Ao falar sobre sua vida em uma entrevista à Fundação Nobel, Yaghi relatou:
— Cresci em uma casa muito modesta, éramos 10 em um pequeno cômodo que compartilhávamos com o gado que criávamos.
Seu lar não tinha eletricidade nem água encanada e sua mãe não sabia ler, nem escrever. Aos 15 anos, partiu para os Estados Unidos, seguindo o conselho de seu exigente pai.
Ele conta que tinha apenas 10 anos quando descobriu a química, ao escolher por acaso um livro na biblioteca de sua escola. Ao abri-lo, interessou-se por algumas imagens incompreensíveis e ao mesmo tempo fascinantes: as estruturas moleculares.
— É uma jornada extraordinária e a ciência te permite alcançá-la. A ciência é a maior força niveladora do mundo a serviço da igualdade de oportunidades — definiu o laureado. — Pessoas inteligentes, talentosas e competentes existem em todos os lugares. Devemos realmente focar em extrair seu potencial oferecendo-lhes oportunidades.
Yaghi também lembrou dos sonhos que cultivara no início de sua jornada acadêmica:
— Comecei minha carreira na Universidade Estadual do Arizona e meu sonho era publicar pelo menos um artigo que fosse citado 100 vezes. Hoje, meus estudantes dizem que nosso grupo acumulou mais de 250 mil citações — celebrou.
Foi na mesma instituição que seu grupo de pesquisas conseguiu extrair água do ar desértico do Arizona. Atualmente, ele trabalha na Universidade da Califórnia, em Berkeley.
— A beleza da química reside no fato de que, se você aprende a controlar a matéria em nível atômico e molecular, o potencial é enorme, encontramos uma mina de ouro dessa forma, e o campo se desenvolveu — acrescentou Yaghi.





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