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Maringá,09/03/2026

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3 trocas inúteis no mercado. Saiba quais são!

Açúcar demerara, sal integral e água alcalina

Sari Fontana/UOL
3 trocas inúteis no mercado. Saiba quais são! Reprodução Arte uol

Você entra no supermercado procurando alternativas mais saudáveis para os alimentos convencionais: em vez de iogurte açucarado, escolhe o natural; no lugar do refrigerante, compra uma água com gás; troca o achocolatado pelo cacau 100%. Ótimas escolhas! O problema são os produtos que parecem melhores do que os tradicionais, mas, na prática, são apenas mais caros. É o caso do açúcar demerara, do sal integral e da água alcalina.
Por que estas trocas não valem a pena?
1. Açúcar branco x açúcar mascavo ou demerara são praticamente iguais 

Embora muita gente acredite que açúcar mascavo e demerara são mais saudáveis do que o açúcar branco refinado, na prática eles são bem parecidos. A diferença está na presença de uma pequena quantidade de melaço, que confere ao açúcar mascavo e demerara uma cor mais escura e um leve sabor caramelizado. O melaço também adiciona ao açúcar pequenas quantidades de minerais, como cálcio, ferro e potássio, mas elas são realmente minúsculas: uma colher de sopa de açúcar mascavo contém apenas 99 mg de potássio.
Para atingir a recomendação diária de potássio (IDR: 4700 mg), seria necessário consumir cerca de 47 colheres de sopa de açúcar mascavo, quase um quilo! O mesmo racional vale para os demais micronutrientes. As vitaminas estão quase todas ausentes, e uma das poucas presentes é a B6. Porém, para atingir a dose recomendada, seria preciso ingerir mais de 3 kg de açúcar.
O único nutriente presente em quantidade significativa no açúcar é o carboidrato.
No fim das contas, açúcar mascavo, demerara e branco têm um efeito metabólico praticamente igual: todos elevam a glicose no sangue rapidamente e, em excesso, contribuem para problemas como obesidade, resistência à insulina e síndrome metabólica, além de cáries. O que muda é basicamente a cor — e o preço.
2. Sal integral não é melhor do que sal comum.
Em muitos casos, faz sentido pensar que produtos "menos processados" são "mais saudáveis" — um milho verde cozido é bem melhor do que um pacote de pipoca pronta "gourmet". Mas essa lógica não se aplica para um ingrediente simples como o sal.
Comparando as tabelas nutricionais, vemos que a diferença entre um sal refinado comum e um sal marinho integral é mínima: ambos têm praticamente o mesmo teor de sódio, cerca de 390 mg por grama. O teor de iodo adicionado também é similar nas duas versões. Há quem justifique o consumo do sal integral pela presença de outros minerais, porém, a quantidade é tão pequena que não chega a aparecer na tabela nutricional, portanto, não contribui de forma relevante para a ingestão diária de micronutrientes.
Você teria que comer muito sal integral para obter os minerais, o que anularia qualquer benefício pelo excesso de sódio.
Se você precisa consumir menos sódio, o importante é reduzir a quantidade total de sal na comida, especialmente a que vem de alimentos ultraprocessados. Trocar um tipo de sal por outro não fará diferença.
3. Água alcalina é puro marketing
Nos últimos tempos, vêm surgindo marcas de "águas alcalinas" que prometem "propriedades antioxidantes" e diversos benefícios, como "hidratar mais", "contribuir para a perda de peso", "melhorar o humor" e até "fortalecer o sistema imunológico ao equilibrar o pH do sangue". Se essa coleção de promessas soa boa demais para ser verdade, é porque não é verdade!
Tais alegações não têm respaldo científico. Todas as águas hidratam igualmente, nenhuma tem efeito direto sobre o humor e se para emagrecer bastasse beber um tipo especial de água, não haveria mais obesidade no mundo, não é mesmo?
 O pH é uma medida que reflete a acidez de uma solução: quanto mais baixo, maior a acidez. A água potável comum ou mineral costuma ter pH próximo de neutro, na faixa de 7, já a água alcalina tem pH mais alto, cerca de 9 em algumas versões. No entanto, a crença de que esse tipo de água pode afetar o pH do sangue não se traduz em realidade, pois esse parâmetro é mantido estável entre 7,35 e 7,45 por um sistema que é naturalmente regulado pelos rins e pulmões humanos, e não sofre interferência do que comemos ou bebemos.
Em vez de gastar dinheiro com açúcar chique, sal gourmet e água "especial", invista no que realmente faz diferença: comida fresca, que não precisa ter propagandas em seus rótulos, como vegetais, frutas, carnes, peixes, frango e ovos. Use sal com moderação para temperar, reduza o consumo de açúcar e, para matar a sede, beba água normal. A saúde e o bolso agradecem.

A autora do texto é Sari Fontana, química industrial de alimentos e faz avaliações didáticas para ajudar você a comer de forma mais consciente.
Como você já sabe,  não somos patrocinados por nenhuma marca. Por isso temos a liberdade de criticar, mas também de elogiar os produtos que merecem um lugar no nosso carrinho de compras.
Os produtos apresentados aqui são usados como exemplo ilustrativo, mas as explicações valem para alimentos similares de outras empresas. O mais importante é mostrar para você como interpretar a tabela nutricional e a lista de ingredientes dos alimentos, para fazer boas escolhas.
 Lembre-se sempre de conferir o rótulo dos produtos que avaliamos, pois o fabricante pode alterar a receita a qualquer momento, adicionando ou substituindo ingredientes.





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