Geladeiras abastecidas. O que antes acondicionava aves, agora guarda cortes de tilápia, bacalhau e sardinha. É o efeito quaresma, que trouxe aos olhos do consumidor a opção permitida para quem segue o rito da religião católica de não consumir carne durante os 40 dias que antecedem a Páscoa.
A maior procura projeta bons cenários ao setor supermercadista, que vê neste período do ano as vendas crescerem consideravelmente. Edivan dos Santos Costa, gerente de um supermercado de Paranavaí, revela que a loja tem perspectiva de aumento de 50% em relação a fevereiro de 2025.
O percentual se mantém também em março e cresce ainda mais na semana que antecede a Páscoa, quando um número maior de católicos escolhe os peixes para compor as refeições principais. “Na última semana, geralmente, a procura acaba sendo muito fora da curva”, observa.
Semanalmente, terça e quarta-feira representam os dias com maior volume de vendas na categoria.
Costa atribui o crescimento na procura ao fato de os consumidores estarem na loja para aproveitar as ofertas do setor de hortifruti. “O cliente vem, aproveita uma oferta da feira, já leva algum produto de peixe, mas a quarta-feira é o dia mais forte para nós aqui de peixaria”, revela.
Pesquisa de preços do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e Abastecimento mostrou que os consumidores paranaenses devem pagar mais barato na tilápia em 2026. O levantamento indicou que o produto teve redução de 5% no preço do filé no varejo em relação a janeiro do ano passado, o que deve favorecer as vendas.
Costa explica que a espécie está entre as mais procuradas nesta época, especialmente no início da quaresma, por quem busca economizar. “Sardinha eviscerada, filé de merluza, posta e o próprio filé de tilápia são os itens que mais saem agora no início”, cita.
A realidade tende a se alterar novamente na Semana Santa, quando os consumidores passam a investir em cortes mais nobres. “Bacalhau, lombo de bacalhau, salmão, camarão, esses tendem a sair mais na última semana da quaresma.”
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