OPINIÃO & OPINIÃO

A mentira fatal

Eugênio Esber

Reprodução/Autor
A mentira fatal

Se Lula for derrotado no segundo turno da eleição, dia 25, muitas explicações surgirão para seu fracasso.
As suspeitas de corrupção desenfreada, que implicam seu filho mais velho e ministros do primeiro escalão, estarão em pauta.
A livre circulação de lobistas no ambiente palaciano, inclusive o “Careca do INSS”, operador da fraude de mais de R$ 6 bilhões contra aposentados e pensionistas da Previdência Social, será lembrada.
Vai-se dizer também que a aliança política de Lula com Alexandre de Moraes foi um abraço de afogados, porque nenhum brasileiro medianamente informado engoliu a história de que os contratos multimilionários de Daniel Vorcaro com a esposa do ministro do STF não são o que parecem – pura e descarada compra de proteção por um fraudador do sistema financeiro.

Analistas resgatarão também o áudio em que Vorcaro conta ter pago propina de R$ 30 milhões em dinheiro vivo ao Instituto Lula, revelação trazida semana passada pela revista Veja.
Era, segundo Vorcaro, “adiantamento” de um pagamento “por fora” – operação capitaneada pelo ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto (lembra dele?).
Objetivo: obter o aval do governo Lula para que o Banco Master empurrasse letras financeiras de altíssimo risco – papéis podres, sabe-se hoje – aos fundos de pensão de servidores da Caixa, do Banco do Brasil, da Petrobras e dos Correios.
Se tivesse dado certo, o Master arrancaria dos fundos R$ 10 bilhões. Ou melhor, R$ 9 bilhões, porque 10% da fortuna corresponderia ao pedágio, propina grossa, a ser paga ao PT.
A Polícia Federal e a PGR, que blindam Lula e os ministros enrolados do STF, já recusaram três tentativas de delação de Daniel Vorcaro. Não é difícil saber por quê.
E sobre a denúncia, o PT respondeu à reportagem de Veja da forma que lhe é costumeira: com ameaça e intimidação ao jornalista.
Dada, porém, a desinformação do brasileiro médio, talvez nenhuma das gravíssimas situações apresentadas acima tenha peso comparável, na virtual derrota de Lula, a um fato trivial da última quinta-feira.
À noite, no horário nobre da TV Globo, Lula foi questionado pela jornalista Renata Lo Prete sobre por que seu governo manteve congelado o valor do Bolsa Família ao longo de 2023, de 2024, de 2025 e praticamente ao longo de 2026, e só reajustou o benefício pago a 19 milhões de famílias brasileiras quando faltavam 17 dias para a eleição.
Lula teve a desfaçatez de dizer que passou quatro anos sem saber que o valor estava sem correção, ainda que seu ministro do Desenvolvimento Social tenha dito, um ano e meio atrás, que o reajuste do Bolsa Família estava “na mesa” de discussão do governo por causa da escalada da inflação.
Às vésperas do segundo turno da eleição, Lula deu um passo em falso ao mentir à parcela mais vulnerável da sociedade brasileira. 

Eugênio Esber
jornalista, escritor e biógrafo.
eugenioesber@novotexto.net



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