Anvisa aprova 12 novas canetas para diabetes e obesidade
Saiba quais são e os preços praticados.
Imagens: Reprodução farmacêuticas/ A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) ampliou as opções de medicamentos injetáveis usados no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade.
Impulsionado pela queda da patente da semaglutida, princípio ativo do Ozempic e do Wegovy, o mercado brasileiro recebeu novos registros de genéricos e similares, além de opções à base de liraglutida.
12 novas canetas foram aprovadas pela Anvisa até agora: dez à base de semaglutida e duas de liraglutida.
A multiplicação de marcas, no entanto, não significa que todos os medicamentos sejam intercambiáveis ou que a escolha deva ser feita apenas pelo preço.
Segundo especialistas, a definição do tratamento deve considerar o diagnóstico, a necessidade de perda de peso, outras doenças apresentadas pelo paciente, os possíveis efeitos colaterais e a possibilidade de manter o uso do medicamento por longos períodos.
Obesidade e diabetes são doenças crônicas e, em muitos casos, o tratamento farmacológico pode precisar ser mantido por meses ou anos.
Por isso, medicamentos com maior potencial de perda de peso nem sempre são a melhor escolha se o paciente não conseguir manter o tratamento.
A principal mudança no mercado brasileiro ocorreu com a semaglutida, substância conhecida principalmente pelas marcas Ozempic e Wegovy, da farmacêutica Novo Nordisk.
A substância imita a ação do GLP-1, hormônio produzido naturalmente pelo organismo que participa do controle da glicose e da saciedade.
Com isso, ajuda a controlar a glicemia, reduz o apetite e aumenta a sensação de saciedade, podendo contribuir para a perda de peso.
Até março deste ano, a fabricação de medicamentos com semaglutida no Brasil estava concentrada nos produtos da Novo Nordisk.
A exclusividade terminou no dia 20 de março, abrindo caminho para a entrada de outras farmacêuticas.
10 canetas de semaglutida aprovadas pela Anvisa em 2026:
Ozivy, da EMS
Semavy, da Cosmed
Owozy, da Ávita Care
Zempneo, da Brainfarma
Seemasun, da Sun Farmacêutica
Orsema, da Ranbaxy
Semaglutida genérica da EMS
Semaclique, da Germed
Semaglutida genérica da Germed
Yluméc, da EMS
O Ozivy, primeiro medicamento à base de semaglutida registrado após a queda da patente, chegou às farmácias com preços anunciados entre R$ 452 e R$ 498 por caneta.
Já o Ozempic custa entre R$ 975, nas versões de 0,25 mg e 0,5 mg, e R$ 999 na apresentação de 1 mg, segundo valores anunciados no programa Preço NovoDia.No caso dos medicamentos genéricos, a legislação determina que o preço seja, no mínimo, 35% inferior ao do medicamento de referência.Os demais produtos aprovados ainda precisam cumprir outras etapas antes de chegarem às farmácias, incluindo a definição de preços pela CMED.
Liraglutida ganhou dois novos genéricos
Outra substância que ganhou novas opções em 2026 foi a liraglutida, também pertencente à classe dos agonistas do receptor de GLP-1.
Na última terça-feira (8), a Anvisa aprovou dois medicamentos genéricos de liraglutida produzidos pela EMS, destinados ao tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2.
Os produtos têm como referência os medicamentos Olire e Linux, também da EMS, que começaram a chegar às farmácias no fim de 2025.
O Olire é destinado ao tratamento da obesidade, enquanto o Linux é indicado para diabetes tipo 2.
Uma das principais diferenças da liraglutida em relação à semaglutida e à tirzepatida é a frequência de aplicação.
Enquanto os medicamentos mais recentes costumam ser administrados uma vez por semana, a liraglutida exige aplicação diária.
Segundo o endocrinologista Júlio Américo, a necessidade de aplicação todos os dias ajudou a reduzir o espaço da substância no mercado diante de medicamentos mais recentes.
“A liraglutida tem um efeito intermediário na perda de peso e também tem um efeito bom no controle do diabetes.
A principal desvantagem é que ela exige uso diário, então o paciente precisa fazer a aplicação todos os dias”, afirma.
Mounjaro é a única opção com tirzepatida
A tirzepatida é o princípio ativo do Mounjaro, medicamento aprovado pela Anvisa para o tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade, conforme as indicações autorizadas.
Diferentemente da semaglutida, a substância atua sobre dois hormônios envolvidos no controle metabólico: o GLP-1 e o GIP.
A tirzepatida continua protegida por patente no Brasil.
Por isso, o Mounjaro, da Eli Lilly, segue como a única opção aprovada pela Anvisa com esse princípio ativo no país.
Dulaglutida tem menor efeito na perda de peso
A dulaglutida também pertence à família dos agonistas do receptor de GLP-1.
No Brasil, o principal medicamento de referência é o Trulicity, indicado para o tratamento do diabetes tipo 2.
Até o momento, não há versões genéricas ou similares aprovadas no país.
Segundo especialistas, a substância apresenta menor potência para a redução do peso quando comparada à semaglutida e à tirzepatida, o que fez seu uso para essa finalidade perder espaço com a chegada de medicamentos mais potentes.
Especialistas reforçam que a escolha entre Ozempic, Wegovy, Mounjaro, medicamentos genéricos e outras canetas não deve ser feita sem avaliação médica.
Além da eficácia, o tratamento precisa considerar as doenças associadas, a tolerância aos possíveis efeitos colaterais e a possibilidade de continuidade do uso.
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