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Maringá,06/04/2026

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Walber Guimarães Junior

Dilema cruel da sucessão

Reprodução/Autor
Dilema cruel da sucessão

Como cidadão comum, sigo a cada dia mais preocupado com os rumos do Brasil, a ser definido nas eleições deste ano.
Sem conseguir definir se o inferno está à direita ou à esquerda, apenas tento observar se existe luz para além do túnel do obscurantismo e da radicalização.
Devo afirmar que, ao menos para os meus olhos, não vejo luz em nenhuma direção e me incomodo profundamente com a falta de interesse dos pretensos líderes em apontar caminhos, se limitando à insistente mensagem de que estão se esforçando para nos livrar do caos, obviamente presente no lado oposto e, por conta disto, leio entrelinhas cada vez mais deprimentes.

Se não bastasse a atual gestão chegar ao último ano de gestão sem mostrar competência para, pelo menos, sinalizar a urgente e necessária redução do déficit público e, diante da prioridade eleitoral, demonstrar uma imensa capacidade de fazer cortesia com o chapéu alheio, como a discutível revisão da jornada de trabalho, algo a ser planejado com muito mais critério, sem a pressão do calendário eleitoral, e projetar uma ação interessante de viabilizar a recuperação de créditos da população com renda até três salários mínimos, porém sem caixa de tal dimensão.
Se fosse possível deslocar verbas das emendas parlamentares, realmente seria algo muito mais saudável com dinheiro público.

Vejo a oposição, a única consistente, ocupando o outro polo da disputa, anunciar aos quatro ventos que o item 1 do plano de governo é decretar a anistia ampla e irrestrita, focado em  um único cidadão, obviamente deslocando toda a população para prioridades inferiores, e, por incrível que pareça, a candidatura alternativa, que se julgava destinada a ocupar o centro da tabuleiro, sinalizando uma alternativa ao radicalismo, estreia sua caminhada com a demagógica promessa de também colocar no pódio das prioridades a liberdade da turma que atentou contra a democracia.

Mesmo torcendo para outro time, me junto a torcida do Flamengo e do Corinthians inteira que acha que é necessária a revisão da dosimetria, traduzindo as condenações do 8 de janeiro em penas mais coerentes com os delitos cometidos, acho insano que o país tenha que se submeter à homologação do individual posto em degrau superior ao coletivo.

Preciso registrar que dói na alma ver o vassalo se curvar ao suserano de topete laranja, oferecendo as prendas da casa, oferecendo uma permuta indecente entre comprometimento eleitoral, de ordem desconhecida, pelo acesso liberado às riquezas minerais, abrindo caminho para a exploração externa das Terras Raras, com o mesmo constrangimento do lendário imposto da pernada, o improvável direito à primeira noite, porque também deflora a nossa independência. 

Talvez devesse virar os olhos para o Legislativo, buscando alento, para continuar acreditando em solução de curto prazo e, sem me impressionar, observo o intenso tráfego de deputados e senadores em busca de cofres mais abastados para sustentar seus projetos eleitorais.
Estou errado? Será que você consegue identificar, dentre os mais de setenta que pulam a janela partidária, um único que o faça por razões ideológicas?

De olho na recuperação do outro poder, o Judiciário, imagino uma grande vaquinha, somando pix de milhões de brasileiros, para posterior divisão entre nossos ministros do STF, para lhes sugerir que criem um novo penduricalho com o infame nome de mesada familiar que lhes permitam contemplar filhos e esposas, com o singelo pedido de não advogarem em questões do Supremo e, ousada pretensão, com o saldo da vaquinha da moralidade, possam até comprar passagens aéreas, mesmo de primeira classe, para evitar o constrangimento, que aflige toda a Nação, de serem forçados, por falta de liquidez, a aceitar caronas suspeitas em jatinhos financiados pelos créditos consignados de velhinhos desavisados. 

Penso que se o país do futebol conseguiu entender que nem mesmo o nosso único craque fora de série consegue nos levar ao pódio da Copa, talvez, em algum momento, consiga entender que nenhum salvador da pátria tem a fórmula mágica para nos tirar do mar de lama que mistura nossas finanças e nossa moral, eternamente pisoteadas pela elite que ainda respira acima da linha da dignidade.

Sem esperança que a maioria da Nação desenvolva capacidade para interpretar as mensagens truncadas que mascaram as fakes aviltantes, torço apenas para que percebam que será no Legislativo, provavelmente no plenário do Senado, patrão do próximo presidente, que o país tem uma ínfima chance de repor o bom senso no topo das decisões, deslocando o oportunismo e o personalismo para segundo plano.

Sei que é muito pouco, mas preciso persistir porque me ensinaram que o brasileiro não desiste nunca.



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