Terremoto no Panamá deixa cidades isoladas.

Tremor de magnitude 7,7 deixou ao menos 27 feridos, danificou hospitais, escolas e edifícios públicos

AFP (AGENCIA FRANCE PRESS)
 Terremoto no Panamá deixa cidades isoladas. Esta imagem mostra o prédio do governo de Penonome Foto: MARTIN BERNETTI / AFP

Um terremoto de magnitude 7,7 sacudiu o Panamá nesta sexta-feira (9) e deixou pelo menos 27 feridos, após o colapso de alguns edifícios no centro do país, além de provocar pânico na capital, conhecida por seus arranha-céus.
— Foi horrível, algo que nunca tínhamos vivido. Minha filha ficou presa na escola. Graças a Deus, estamos bem — afirmou à AFP Juana Alveo, de 38 anos, que trabalhava como caixa em um armazém em Penonomé, a 150 quilômetros ao sul da Cidade do Panamá.
O sismo foi registrado às 12h56, no horário local (17h56 GMT), com epicentro a 10 quilômetros de Pitaloza Arriba, na província de Herrera, na região central do país, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).
Os maiores danos foram registrados nas províncias de Los Santos, Herrera, Veraguas e Coclé.
O chefe do Centro de Operações de Emergência, René García
, informou à AFP que, até aquele momento, não havia relatos de mortes.

Segundo um comunicado do Sistema Nacional de Proteção Civil (Sinaproc), 27 pessoas ficaram feridas em todo o país em decorrência do sismo, que provocou danos em residências, centros educacionais, hospitais, igrejas, edifícios governamentais, portos e estradas.
— O desastre que enfrentamos é grande — afirmou o presidente José Raúl Mulino durante uma visita a uma das áreas afetadas. Há estradas “totalmente destruídas”, acrescentou.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, informou na rede social X que seu departamento estava “mobilizando rapidamente recursos e pessoal para oferecer assistência”.

'Muito grande'
As autoridades do Canal do Panamá anunciaram que a via, por onde passa cerca de 5% do comércio marítimo internacional, operava normalmente.
O aeroporto de Tocumen, um importante centro de conexões aéreas da América Latina, fechou temporariamente, e vários voos foram desviados.
Tonosí, uma localidade de cerca de 9 mil habitantes a aproximadamente 360 quilômetros da Cidade do Panamá, está entre as áreas mais afetadas. Situada na província de Los Santos, a cidade tem casas predominantemente térreas.
O ministro da Saúde, Fernando Boyd, informou que a localidade ficou isolada por terra.
— Foi algo muito grande, nunca visto. Sentimos medo — declarou à AFP Benjamín González, de 52 anos, na noite de sexta-feira.
Segundo relatos, o tremor foi sentido em uma fazenda próxima à localidade de La Miel, um pequeno povoado onde ele mora, a cerca de 40 quilômetros de Tonosí.
Ao se encontrar com “muitas casas devastadas” e “todo mundo aterrorizado” na pequena praça do povoado, González relatou que a comunidade estava sem energia elétrica.
Seu vizinho, David Castillo, afirmou à AFP que os moradores permaneciam em vigília e não queriam voltar para casa por medo de que o tremor se repetisse.
Pânico nos arranha-céus
O terremoto, que durou cerca de um minuto, sacudiu a Cidade do Panamá, onde milhares de pessoas saíram às pressas dos edifícios, tomadas pelo medo, constatou a AFP.
— Senti medo porque o movimento foi muito forte e prolongado. Objetos pesados, como cômodas e a cama, se moveram, assim como todos os objetos da cozinha. Os animais também estavam muito agitados — afirmou à AFP Salomón Andión, de 46 anos, que deixou seu edifício de 15 andares pela segunda vez por causa das réplicas.
O USGS revisou a magnitude do terremoto para 7,7, após uma estimativa inicial de 8 e uma segunda avaliação de 7,6.
Tremores na capital são incomuns
e ocorrem principalmente na província ocidental de Chiriquí, na fronteira com a Costa Rica, onde o terremoto também foi sentido.
Segundo as autoridades, foram registradas mais de 100 réplicas, algumas com magnitude de até 6.
Os presidentes da Colômbia, Abelardo de la Espriella; do Equador, Daniel Noboa; da Guatemala, Bernardo Arévalo; e representantes de outros governos manifestaram solidariedade ao Panamá e se dispuseram a enviar ajuda, se necessário.
Por sua vez, o Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF) doou US$ 250 mil ao Panamá para “assistência humanitária imediata” e disponibilizou outros US$ 50 milhões por meio de uma linha de financiamento destinada a emergências.





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