Gaeco investiga corrupção na Polícia Rodoviária Estadual.
Operações contra corrupção nas rodovias do Paraná já investigaram 50 policiais militares
Reprodução MP-PR/ Um suposto esquema de cobrança de propinas para facilitar a passagem de caminhões pelas rodovias estaduais do Paraná está no centro de uma investigação do Ministério Público que já alcançou dezenas de policiais militares.
Na quinta-feira, 8 de outubro, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) deflagrou a terceira fase da Operação Rota 466, com o cumprimento de 19 mandados de busca e apreensão em oito municípios e o afastamento de 15 policiais militares das atividades operacionais.
As ordens judiciais atingiram endereços relacionados a 15 policiais e quatro civis investigados nas cidades de Guarapuava, Ponta Grossa, Telêmaco Borba, Pitanga, Bituruna, Castro, Palmeira e Wenceslau Braz.
A operação foi conduzida pelo Gaeco de Guarapuava, com apoio da Corregedoria da Polícia Militar.
Por determinação da Vara da Auditoria da Justiça Militar Estadual, os policiais afastados deverão exercer exclusivamente funções administrativas. A Justiça também ordenou o recolhimento das armas funcionais e particulares dos investigados.
Durante as buscas, uma pessoa foi presa por posse irregular de arma de fogo. Os agentes apreenderam celulares, documentos e equipamentos eletrônicos, incluindo aparelhos com indícios de descaminho.
Transportadoras pagaram para evitar fiscalização
Segundo o Ministério Público do Paraná, a investigação aponta que policiais rodoviários estaduais teriam utilizado a atividade de fiscalização para obter vantagens financeiras indevidas.
Uma das suspeitas envolve acordos com empresas transportadoras que, em troca da liberação de caminhões sem fiscalização, teriam realizado pagamentos periódicos ou fornecido combustível aos agentes.
O suposto esquema alcançaria postos da Polícia Rodoviária Estadual, incluindo uma unidade em Telêmaco Borba.
O Gaeco também investiga possíveis fraudes nos registros de acidentes de trânsito.
Policiais teriam alterado informações sobre danos em veículos nos Boletins de Acidente de Trânsito Eletrônico Unificado (Bateu).
Outra prática investigada é o direcionamento de serviços de guincho, mediante pagamentos que favoreceriam determinadas empresas.
Dinheiro suspeito teria sido movimentado por contas de familiares
As apurações identificaram indícios de que os valores supostamente recebidos de maneira irregular eram transferidos para contas de terceiros, numa tentativa de esconder a origem do dinheiro.
Entre as contas investigadas estão as de familiares de policiais militares, além de movimentações relacionadas a empresas dos setores de transporte e guincho.
De acordo com o Gaeco, essas empresas poderiam ter atuado como intermediárias nas transferências financeiras.
A nova fase da operação foi desencadeada após a análise de documentos e equipamentos eletrônicos apreendidos nas etapas anteriores. O material revelou indícios de outras irregularidades e permitiu identificar novos possíveis envolvidos.
Os crimes investigados incluem: organização criminosa, corrupção passiva, concussão, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.
Investigações já alcançaram 50 policiais militares no Paraná
Com a terceira fase da Operação Rota 466, o número de policiais militares investigados chegou a 30, a maioria integrante da Polícia Rodoviária Estadual.
O Ministério Público do Paraná informou que três desses policiais também aparecem na Operação Via Pix, conduzida pelo Gaeco de Ponta Grossa. As duas investigações são independentes.
Consideradas as duas operações, 50 policiais militares já foram investigados e 42 afastados das atividades operacionais.
A Operação Rota 466 começou a partir de suspeitas de irregularidades na fiscalização da PR-466, entre Guarapuava e Pitanga, e foi ampliada conforme surgiram novos elementos.
O Gaeco continua analisando documentos, aparelhos eletrônicos e movimentações financeiras para apurar a participação individual dos investigados e identificar eventuais outros envolvidos.
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