Gisele Mendes assume a UEM e coloca permanência estudantil entre as prioridades
Nova reitoria da UEM prevê ações para o Restaurante Universitário e contratação de servidores
Foto: ASC/UEM
A professora Gisele Mendes de Carvalho e o vice-reitor Geovanio Edervaldo Rossato tomam posse na Reitoria da Universidade Estadual de Maringá (UEM), inaugurando o quadriênio 2026-2030.
A solenidade está prevista para as 18h, no Teatro Calil Haddad.
Eleita em segundo turno, em 31 de agosto, Gisele será responsável pela gestão de uma comunidade acadêmica de aproximadamente 25 mil pessoas, entre estudantes, professores e agentes universitários, além de um orçamento anual próximo de R$ 1 bilhão.
A nova reitora foi vice-reitora na gestão de Leandro Vanalli e será a segunda mulher a comandar a UEM em seus 56 anos de história.
A primeira foi Neusa Altoé, que ocupou o cargo entre 1998 e 2002 e também entrou para a história como a primeira mulher a assumir a reitoria de uma universidade no Paraná.
Permanência estudantil está entre as prioridades
Com três décadas de trajetória na instituição, desde o ingresso no curso de Direito, Gisele afirma que a experiência acadêmica e administrativa será importante para conduzir a transição e colocar em prática as propostas da nova gestão.
Entre as prioridades estão a permanência dos estudantes até a conclusão dos cursos, a defesa da autonomia universitária, a melhoria da infraestrutura e o fortalecimento do ensino, da pesquisa e da extensão nos campi e polos de Educação a Distância.
Uma das propostas é criar uma Pró-Reitoria de Assistência Estudantil, com foco no enfrentamento da evasão universitária.
A iniciativa busca ampliar o suporte oferecido aos alunos durante a graduação.
Outro tema é o Restaurante Universitário, que passou a oferecer café da manhã, almoço e jantar, com refeições a R$ 3,90 para os estudantes.
A nova administração pretende negociar com o Governo do Paraná a gratuidade integral das refeições, transformando o subsídio em uma política estadual de permanência estudantil.
Infraestrutura e segurança no campus
A manutenção preventiva e a revitalização dos espaços de convivência estão entre as medidas previstas para o campus-sede, em Maringá.
Segundo Gisele, parte da percepção de abandono relatada pela comunidade está relacionada à redução do quadro de trabalhadores responsáveis pela manutenção, após a extinção de funções operacionais por mudanças na legislação estadual.
A gestão pretende priorizar reparos, conservação das áreas verdes e reforço da iluminação das vias internas, com atenção à segurança e à circulação de estudantes no período noturno.
A reitora também pretende ampliar a aproximação da Universidade com os moradores de Maringá e da região, por meio de eventos culturais e atividades de integração com a comunidade.
Hospital Universitário e contratação de servidores
O quadro de pessoal será outro desafio da nova administração.
O Hospital Universitário da UEM é uma unidade de referência para a assistência pública em saúde na região Noroeste do Paraná, atendendo pacientes pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
De acordo com as informações apresentadas pela futura gestão, o hospital enfrenta déficit de servidores efetivos e depende de prestadores de serviços contratados.
A UEM também acumula perdas de mais de 800 servidores nos últimos anos, sem reposição integral.
Diante desse cenário, a nova reitoria pretende defender junto ao Governo do Estado a realização de concursos públicos para o hospital, departamentos e setores administrativos.
A pauta inclui ainda a valorização dos agentes universitários, melhorias nas condições de trabalho e mecanismos de reconhecimento da formação e da qualificação profissional.
Diálogo com o Governo do Paraná
Gisele afirmou em entrevista ao Maringá Post, que pretende manter diálogo com diferentes correntes políticas para buscar recursos e investimentos para a Universidade.
A proposta é defender o financiamento contínuo da ciência, da tecnologia, da pesquisa e da extensão, destacando a contribuição das universidades estaduais para a formação profissional e o desenvolvimento do interior paranaense.
A gestão também pretende utilizar mecanismos previstos na regulamentação estadual de compras e serviços para dar mais agilidade à execução de recursos disponíveis.
Quem são os novos dirigentes
Gisele Mendes de Carvalho é graduada em Direito pela UEM, onde concluiu a formação em 2000 com láurea acadêmica.
É mestra pela instituição, doutora e pós-doutora em Direito Penal pela Universidade de Saragoça, na Espanha.
Professora associada do Departamento de Direito Público e docente do Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas, já chefiou o departamento, dirigiu o Centro de Ciências Sociais Aplicadas e participou da criação do protocolo Contrabuso, voltado ao acolhimento de vítimas de violência sexual.
Geovanio Edervaldo Rossato, vice-reitor eleito, é professor associado do Departamento de Ciências Sociais.
Tem formação em Filosofia e Direito, doutorado em Antropologia Cultural e pós-doutorado pela Universidade de Barcelona.
Na UEM, foi diretor do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes, procurador-geral e coordenador do Cursinho da UEM.
A programação de transição prevê ainda a posse de integrantes dos primeiro e segundo escalões administrativos em 13 de outubro, às 9h30, no Auditório do Bloco B-33.
O início da gestão marca uma nova etapa para a UEM, com desafios relacionados à assistência estudantil, à infraestrutura, à recomposição do quadro de servidores e à manutenção dos serviços prestados à população.
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