Corinthians X Estudiantes coloca hegemonia brasileira à prova na Libertadores

Argentina e Brasil somam 25 taças cada, mas clubes do nosso país venceram as últimas sete edições do torneio sul-americano

Libertadores|Do R7/
Corinthians X Estudiantes coloca hegemonia brasileira à prova na Libertadores Kaio César marcou gol do Corinthians na partida de ida/ Reprodução/Instagram/@corinthians

Os corintianos encaram o duelo decisivo desta quarta-feira (16) contra o Estudiantes, às 21h30, na Neo Química Arena, como uma grande chance de chegar às semifinais da Libertadores.
No entanto, o confronto também pode simbolizar uma mudança de forças no futebol sul-americano nos últimos anos.
Brasil e Argentina têm atualmente 25 títulos cada. Mas, esse equilíbrio é recente.
Quando o River Plate derrotou o Boca Juniors na final de 2018, os argentinos chegaram à 25ª taça, enquanto os brasileiros tinham apenas 18.
Desde então, o cenário mudou completamente.
Clubes do Brasil venceram as sete edições seguintes: Flamengo, em 2019; Palmeiras, em 2020 e 2021; Flamengo novamente, em 2022; Fluminense, em 2023; Botafogo, em 2024; e Flamengo, em 2025.
A arrancada fez o Brasil tirar a diferença de sete títulos em apenas sete temporadas.
O domínio também aparece nas decisões: cinco das últimas sete finais tiveram dois representantes brasileiros.
Considerando as 15 edições anteriores, 11 terminaram com um clube do país levantando a taça.
Duelo direto reforça domínio
A superioridade recente fica ainda mais evidente quando brasileiros e argentinos se encontram no mata-mata.
Desde 2021, equipes do Brasil venceram 16 dos 19 confrontos eliminatórios entre os dois países na Libertadores, aproveitamento de 84,2%.
Corinthians e Estudiantes chegam ao segundo jogo das quartas de final depois do empate por 1 a 1 em La Plata.
Alexis Castro abriu o placar para os argentinos, e Kaio César igualou no segundo tempo.
Quem vencer em Itaquera avança. Um novo empate leva a decisão para os pênaltis.

A história continental também coloca frente a frente dois campeões da América.
O Corinthians conquistou sua única Libertadores de maneira invicta em 2012.
O Estudiantes tem quatro títulos, obtidos em 1968, 1969, 1970 e 2009, e é um dos símbolos da tradição argentina no torneio.
Curiosamente, esta é a primeira vez que os clubes se enfrentam pela Libertadores.
O único mata-mata oficial anterior ocorreu nas quartas de final da Copa Sul-Americana de 2023.
Cada equipe venceu por 1 a 0 em casa, e o Corinthians avançou nos pênaltis em La Plata.
Dinheiro ajuda a explicar virada brasileira
Uma das principais explicações para a mudança no mapa da Libertadores está fora de campo.
O crescimento das receitas dos principais clubes brasileiros aumentou a distância financeira em relação aos rivais sul-americanos.
Direitos de transmissão, patrocínios, bilheteria e venda de jogadores passaram a dar às equipes do Brasileirão um maior poder para contratar e manter atletas.
Clubes como Flamengo e Palmeiras se aproximaram da marca de R$ 2 bilhões em receitas anuais e passaram a montar elencos difíceis de serem acompanhados pelos principais concorrentes do continente.
Esse abismo econômico também mudou a rota dos melhores jogadores da América do Sul.
Nomes como o uruguaio Giorgian de Arrascaeta e o paraguaio Gustavo Gómez, hoje ídolos de Flamengo e Palmeiras, mostram que talentos sul-americanos que não vão direto para a Europa passam a escolher o Brasil como destino. Outras vezes, esses craques voltam para cá ao encerrar ciclos em ligas europeias, atraídos por salários competitivos, estrutura e torcidas gigantes.
A Argentina ainda conserva os dois maiores campeões da história da Libertadores: o Independiente, com sete títulos, e o Boca Juniors, com seis.
O Estudiantes aparece logo depois entre os argentinos, com quatro.
Do lado brasileiro, o Flamengo assumiu a liderança isolada com quatro conquistas após o título de 2025.
Por isso, a edição de 2026 pode funcionar como desempate histórico.
Se um brasileiro conquistar novamente a competição, o país assumirá pela primeira vez de forma isolada a liderança em número de títulos. Uma conquista argentina, por outro lado, encerraria uma sequência que já dura desde 2019.




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