Usava programa espião para vigiar concorrente.
Programa oculto em computadores leva polícia a indiciar empresário por espionagem comercial
Reprodução Uma sequência de propostas comerciais que chegavam aos clientes poucos minutos depois de eles pedirem orçamento a uma loja concorrente acabou revelando um esquema de monitoramento clandestino em Ponta Grossa.
A Polícia Civil do Paraná concluiu nesta terça-feira (18) a investigação e indiciou um empresário de 37 anos, suspeito de utilizar um programa espião instalado nos computadores de uma empresa rival do comércio de pneus.
Segundo a PCPR, o software permitia acessar conversas mantidas com clientes e informações comerciais, incluindo os produtos procurados e os valores que estavam sendo negociados.
A suspeita é de que, com esses dados em mãos, o investigado entrasse em contato com os consumidores e oferecesse preços inferiores para tentar desviar a negociação para sua própria empresa.
Comportamento estranho
O caso começou a chamar atenção depois que consumidores procuraram a empresa e relataram uma situação incomum. Eles faziam uma cotação de determinado produto e, minutos depois, recebiam uma proposta não solicitada da empresa concorrente, oferecendo justamente aquele mesmo tipo de mercadoria. A repetição das abordagens aumentou a desconfiança.
De acordo com o delegado Derick Moura Jorge, responsável pela investigação no 2º Distrito Policial de Ponta Grossa, os relatos passaram a indicar que informações internas poderiam estar vazando em tempo real.
Empresa criou cliente fictício
Para descobrir de onde saíam as informações, funcionários da empresa decidiram fazer um teste.
Foi utilizado um número de telefone desconhecido pelo concorrente para solicitar uma cotação.
Pouco depois desse contato, segundo a investigação, o empresário rival voltou a agir da mesma maneira, procurando o suposto cliente e apresentando uma proposta mais barata.
O teste reforçou a suspeita de que alguém tinha acesso direto ao sistema de atendimento da empresa.
Programa oculto nos computadores
A investigação avançou para a área técnica. Análises realizadas nos equipamentos identificaram um programa espião instalado de forma oculta nos computadores utilizados pela empresa, segundo a Polícia Civil.
O mecanismo permitia o acesso indevido às conversas e aos dados comerciais mantidos no sistema de atendimento, possibilitando, conforme a apuração, acompanhar as negociações praticamente em tempo real. É a partir desse material, somado aos depoimentos dos envolvidos e de clientes, que a polícia atribui ao empresário o monitoramento clandestino.
Empresário é indiciado por dois crimes
Depois das oitivas e do interrogatório do investigado, a Polícia Civil encerrou o inquérito. O empresário foi indiciado por invasão de dispositivo informático, prevista no artigo 154-A do Código Penal, e concorrência desleal mediante emprego de meio fraudulento para desviar clientela, prevista no artigo 195, inciso III, da Lei de Propriedade Industrial. O indiciamento representa a conclusão da Polícia Civil sobre os elementos reunidos na investigação e não equivale a uma condenação.
O procedimento foi encaminhado ao Ministério Público do Paraná, que deverá analisar as provas e decidir quais medidas serão adotadas a partir do inquérito.
Caso expõe novo tipo de disputa comercial
A investigação chama atenção porque o suposto método não envolvia apenas obtenção de informações estratégicas sobre uma concorrente.
Na prática, conforme a PCPR, o monitoramento permitia saber o que um cliente queria comprar e quanto estava disposto a pagar antes mesmo de a primeira negociação ser concluída.
Com isso, o investigado teria condições de entrar na disputa comercial já conhecendo os dados da proposta rival.
O caso agora deixa a esfera policial e passa para análise do Ministério Público, que poderá solicitar novas diligências, oferecer denúncia à Justiça ou adotar outra providência conforme a avaliação do material produzido.
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