Gaeco afasta 12 policiais rodoviários
Operação Via Pix cumpre 24 mandados e afasta 12 policiais rodoviários no Paraná
Reprodução PMPR/ Uma investigação sobre um possível esquema de corrupção dentro da fiscalização das rodovias estaduais do Paraná avançou nesta quinta-feira (13) com buscas em 11 municípios e o afastamento cautelar de 12 policiais rodoviários estaduais. A segunda fase da Operação Via Pix foi deflagrada pelo Núcleo de Ponta Grossa do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná, com apoio da Corregedoria da Polícia Militar.
Ao todo, foram cumpridos 24 mandados de busca e apreensão domiciliar e pessoal. As ordens foram expedidas pela Vara da Auditoria da Justiça Militar Estadual.
As diligências ocorreram em Ponta Grossa, Castro, Jaguariaíva, Ibaiti, Arapoti, Wenceslau Braz, Guarapuava, Joaquim Távora, Curiúva, Sengés e Guapirama.
Propina mensal para evitar fiscalizações
Uma das linhas mais importantes da investigação envolve empresários dos setores de transporte de cargas e madeira.
Segundo o Ministério Público, existem indícios de que empresários mantinham acordos com integrantes do grupo investigado e fariam pagamentos mensais de propina em troca de facilidades nas rodovias estaduais.
A suspeita é de que, mediante esses pagamentos, determinadas empresas fossem poupadas de fiscalizações ou obtivessem tratamento irregular durante as abordagens. O Gaeco apura possíveis crimes de concussão, corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e organização criminosa. As responsabilidades individuais ainda estão sob investigação.
Boletins de acidentes estão sob investigação
A apuração foi além das suspeitas envolvendo fiscalizações rodoviárias.
O Gaeco encontrou indícios de que policiais também poderiam receber valores indevidos para modificar informações registradas em boletins de acidentes de trânsito.
Essas alterações, segundo a linha investigativa, poderiam beneficiar determinadas empresas em procedimentos relacionados ao Detran e a seguradoras.
A nova fase busca justamente ampliar as provas sobre a participação de outros agentes e verificar a eventual atuação de empresários dentro do esquema.
Cinco pessoas presas em flagrante
Durante o cumprimento dos mandados desta quinta-feira, a operação resultou em cinco prisões em flagrante.
Quatro ocorreram por posse irregular de armas e munições e uma por obstrução da Justiça, segundo as informações divulgadas pelo Ministério Público.
Além das buscas, a Justiça determinou que os 12 policiais investigados sejam afastados cautelarmente das atividades operacionais enquanto avançam as apurações.
Investigação começou em março de 2025
A Operação Via Pix começou a ser construída ainda em março de 2025.
Na primeira fase, realizada em outubro daquele ano, o Gaeco cumpriu 19 mandados de busca e apreensão e sete policiais rodoviários estaduais tiveram o afastamento das funções determinado pela Justiça.
O material recolhido naquela etapa permitiu ampliar a investigação e identificar outros possíveis integrantes, levando à operação realizada agora.
Investigação suspeita de tráfico de drogas
Um braço paralelo das apurações chegou a outro tipo de crime.
Também nesta quinta-feira, o Gaeco cumpriu três mandados de busca e apreensão em Jaguariaíva, expedidos pela Vara de Garantias do município.
Nesse caso, os alvos são investigados em um possível esquema de tráfico de drogas descoberto a partir dos elementos obtidos na primeira fase da Via Pix.
Segundo o Ministério Público, há suspeita de que um dos policiais investigados dava cobertura à atividade criminosa.
O material apreendido nas diferentes frentes da operação será analisado pelo Gaeco, que deverá aprofundar a identificação das movimentações financeiras, dos participantes e da eventual divisão de funções dentro do grupo investigado.
COMENTÁRIOS