Polícia desmonta fábrica de armas no Paraná.

Operação contra fábrica ilegal de armas em Cambará termina com 11 presos

PCPR/BandaB/PortalEdsonValerio
Polícia desmonta fábrica de armas no Paraná. Foto: Divulgação/PCPR

Uma estrutura instalada em Cambará, no Norte Pioneiro do Paraná, teria funcionado como fábrica clandestina de armas artesanais destinadas ao mercado criminoso de dois estados.
A investigação aponta que os armamentos eram produzidos sob encomenda e posteriormente negociados pela internet, chegando a compradores no Norte do Paraná e no interior de São Paulo.
O esquema tornou-se alvo da Operação Sillas, deflagrada em uma ação conjunta das polícias dos dois estados. Mais de 60 policiais participaram da ofensiva.
ARMAS PRODUZIDAS EM CAMBARÁ
As investigações começaram em São Paulo após a identificação de um comércio clandestino de armas artesanais na região de Palmital. À medida que as apurações avançaram, os policiais chegaram a um segundo núcleo, localizado no Norte do Paraná, apontado como responsável pela fabricação dos armamentos. Em Cambará, os investigadores passaram a apurar uma estrutura voltada à produção, montagem e adaptação de armas. Segundo a linha investigativa, os equipamentos eram preparados de acordo com a demanda dos compradores. A partir daí, outra parte do grupo assumiria a comercialização e a entrega.
LOGÍSTICA USADA PARA DROGAS E ARMAS
A investigação revelou uma estrutura mais ampla do que inicialmente se imaginava.
O grupo suspeito de comercializar as armas também mantinha uma rede de tráfico de drogas por sistema de entrega, segundo a Polícia Civil paulista. A mesma logística utilizada para negociar entorpecentes teria passado a servir à divulgação, negociação e distribuição clandestina de armas de fogo.
As funções eram divididas entre diferentes integrantes.
Havia suspeitos apontados como responsáveis por:
• armazenar e fracionar drogas;
• realizar entregas;
• manter depósitos;
• movimentar contas bancárias de terceiros;
• lavar dinheiro;
• anunciar armamentos;
• negociar e distribuir as armas.
ARMAS ERAM DIVULGADAS PELA INTERNET
Um dos elementos que chamou a atenção dos investigadores foi a forma de comercialização.
Segundo a apuração, integrantes do grupo utilizavam redes sociais e meios digitais para divulgar e negociar os armamentos clandestinos. Depois da encomenda, a própria rede investigada organizaria a distribuição aos compradores. Os policiais agora tentam determinar quantas armas foram produzidas em Cambará, quem as comprou e onde esses armamentos podem estar atualmente.
Também é investigada uma eventual relação dos envolvidos com organizações criminosas.
OPERAÇÃO CHEGOU A CINCO CIDADES
As ordens judiciais foram cumpridas em:
• Cambará — Paraná;
• Palmital — São Paulo;
• Assis — São Paulo;
• Ibirarema — São Paulo;
• Campos Novos Paulista — São Paulo.
Somente em Cambará, a Justiça havia autorizado três mandados de busca e apreensão relacionados ao núcleo paranaense. Os policiais procuraram peças, equipamentos, máquinas, insumos e documentos que possam ajudar a reconstruir a cadeia de fabricação e venda das armas. Durante as diligências na cidade, também foi localizado um homem que possuía mandado de recaptura em aberto.
13 MANDADOS DE PRISÃO E 24 BUSCAS
No conjunto da Operação Sillas, a Justiça expediu:
• 13 mandados de prisão temporária;
• 24 mandados de busca e apreensão.
O balanço divulgado após a operação apontou 11 pessoas presas — dez homens e uma mulher, com idades entre 19 e 42 anos. Dois investigados ainda não haviam sido localizados na atualização divulgada na sexta-feira (7). Entre os presos, três foram autuados em flagrante por tráfico de drogas e um por posse de arma de uso restrito.
PISTOLAS, DROGAS, DINHEIRO E JOIAS
As buscas também resultaram na apreensão de diferentes materiais.
Foram encontrados:
• uma pistola calibre .40;  24 munições;  uma pistola calibre 9 mm com seis munições;
• porções de cocaína;  crack;  maconha;  dinheiro em espécie e  joias.
MAIS DE 60 POLICIAIS MOBILIZADOS
A operação reuniu 64 policiais civis distribuídos em 20 equipes, além de apoio da Polícia Militar paulista, por meio da Força Tática, do 8º Baep e do Canil.
As diligências realizadas no Paraná contaram com a participação da Polícia Civil paranaense. O trabalho conjunto permitiu que buscas fossem realizadas simultaneamente nos dois estados.
INVESTIGAÇÃO AINDA NÃO TERMINOU
Mesmo com as prisões e apreensões, o caso continua aberto.
Os investigadores procuram identificar todos os envolvidos na produção, intermediação, venda e entrega das armas, além de rastrear o destino dos armamentos que teriam saído da fábrica clandestina.
Outro objetivo será medir a dimensão financeira do esquema e verificar se a rede abasteceu grupos criminosos além das cidades já identificadas. A Polícia também pretende aprofundar a análise das conexões entre tráfico de drogas, comércio ilegal de armas e lavagem de dinheiro.




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