Jovem morre após enfrentar doença rara e câncer
Káh Felipe, cearense de Fortaleza, criadora de conteúdo convivia com xeroderma pigmentoso, passou por mais de 250 cirurgias
Reprodução Redes Sociais. Karine Felipe de Sousa, influenciadora digital de Fortaleza conhecida como Káh, ganhou milhares de seguidores ao transformar a própria história de superação em um trabalho de conscientização sobre o xeroderma pigmentoso, doença genética rara que causa extrema sensibilidade à radiação ultravioleta e aumenta significativamente o risco de câncer de pele. A criadora de conteúdo morreu nesta sexta-feira, após semanas enfrentando um câncer em estágio terminal.
Nas redes sociais, Káh compartilhava a rotina de quem convivia com a doença desde a infância.
Com vídeos e relatos pessoais, ela mostrava os desafios impostos pela condição, como os cuidados rigorosos para evitar a exposição ao sol, as frequentes cirurgias e o impacto físico e emocional do tratamento.
A influenciadora já havia sido submetida a mais de 250 procedimentos cirúrgicos ao longo da vida para retirar lesões causadas pelo xeroderma pigmentoso.
Apesar das dificuldades, ela se tornou referência para outras pessoas diagnosticadas com a doença e para familiares em busca de informação e acolhimento.
Em maio deste ano, Káh revelou aos seguidores que havia recebido o diagnóstico de câncer com metástase. Em um vídeo publicado nas redes sociais, contou que iniciaria cuidados paliativos e descreveu o momento como um dos mais difíceis de sua vida. Mesmo diante do prognóstico, afirmou que seguiria enfrentando a doença com esperança e fé.
— Os exames mostraram mestástase nos ossos, no fígado e no pulmão... e, desde então, meus dias nunca mais foram os mesmos. Agora me tornei uma paciente paliativa em fase terminal... São dias difíceis, incertos, cheios de dor e sofrimento. Mas mesmo que tudo pareça o fim, eu não vou desistir. Vou continuar lutando todos os dias da minha vida — escreveu Karine.
A religiosidade era um dos temas mais presentes em suas publicações. Em diferentes momentos, a influenciadora dizia confiar em Deus para enfrentar cada etapa do tratamento e frequentemente agradecia pelas mensagens de apoio enviadas pelos seguidores.
Além de relatar sua experiência com a doença, Karine utilizava seu alcance para alertar sobre os sintomas do xeroderma pigmentoso e a importância do acompanhamento médico. Ela também buscava combater a desinformação sobre a condição, considerada rara e sem cura, reforçando a necessidade da prevenção e da proteção contra a exposição aos raios ultravioleta.
Para Eliana Neves de Souza, de 63 anos, a doença nunca é nomeada, e a morte não é sequer citada. O que ganha destaque na boca dela é a felicidade, gratidão e o amor
Após a confirmação de sua morte, familiares destacaram justamente a fé como a principal característica da influenciadora. Ela deixa marido e três filhos.
— Nossa guerreira cumpriu sua missão e deixou um legado de força, coragem e, acima de tudo, de fé.
A fé era a palavra que melhor a definia. Ela acreditou até o fim e lutou com todas as suas forças, sem nunca perder a esperança — diz a nota publicada no perfil oficial da influenciadora.
COMENTÁRIOS