Os riscos do microagulhamento caseiro.
Vídeos que mostram a técnica ganharam espaço nas redes sociais, mas o procedimento exige cuidados específicos
Dermatologistas não recomendam o microagulhamento caseiro Foto: Triocean/Adobe Stock Vídeos de pessoas fazendo microagulhamento em casa se multiplicam nas redes sociais.
Com aparelhos vendidos facilmente pela internet e promessas de melhorar manchas, cicatrizes de acne e sinais do envelhecimento, o procedimento tem atraído quem busca resultados estéticos sem sair de casa.
Apesar da popularidade, dermatologistas alertam que a prática pode causar infecções, manchas, cicatrizes e reações alérgicas quando realizada sem avaliação médica. Em casos mais graves, os danos podem se tornar permanentes ou exigir tratamentos complexos.
Entenda como funciona o microagulhamento e por que ele não deve ser feito em casa.
O que é o microagulhamento?
O microagulhamento consiste em provocar pequenas perfurações na pele com agulhas para estimular a produção de colágeno.
Em consultório, a técnica pode ser indicada para tratar cicatrizes de acne, rugas finas, fotoenvelhecimento e algumas manchas.
Já a versão caseira utiliza dispositivos de uso doméstico, geralmente com agulhas menores, sem a avaliação de um dermatologista para definir se o procedimento é indicado e qual a profundidade adequada para a pele.
Segundo a dermatologista Alessandra Romiti, integrante da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), é justamente essa ausência de avaliação profissional que torna o procedimento caseiro um risco para a saúde.
O que pode dar errado ao fazer o procedimento em casa?
Segundo Alessandra, os aparelhos usados em casa são feitos com agulhas muito finas, que ficam restritas a áreas mais superficiais da pele e não levam ao mesmo resultado obtido com o procedimento conduzido por um médico capacitado.
A esterilização dos equipamentos é outro ponto crítico.
Como há perfuração da pele, os dispositivos precisam ser descartáveis e manipulados em condições adequadas de higiene.
Na prática, porém, muitas pessoas reutilizam o mesmo aparelho diversas vezes.
“Os pacientes acabam comprando um roller e usando mais de uma vez, sem condições adequadas de higiene", diz Alessandra.
Com isso, há risco de “contaminação e infecção da pele com bactérias e vírus que podem ser disseminados através das microagulhas”.
A especialista ressalta ainda que o microagulhamento não é indicado para qualquer pessoa.
Casos de herpes ativa, dermatites, inflamações e outras lesões na pele devem ser avaliados antes do procedimento.
Além disso, é comum que pessoas que realizam o microagulhamento em casa apliquem séruns, ácidos e outros cosméticos logo após o procedimento.
Segundo Alessandra, essa prática deve ser evitada. “O grande problema é usar cosméticos desenvolvidos para pele íntegra em uma pele que foi lesionada pelas microagulhas, aumentando o risco de infecção ou de processos alérgicos e irritativos”, alerta.
Caso a pele fique muito vermelha, quente, apresente pus, pequenas bolhas ou escurecimento após o microagulhamento, a recomendação é procurar um dermatologista o quanto antes. Esses sinais podem indicar que houve uma complicação relacionada ao procedimento.
Como tratar cicatrizes, manchas e rugas com segurança?
Para quem deseja tratar cicatrizes de acne, manchas ou sinais do envelhecimento, a recomendação é procurar um dermatologista antes de iniciar qualquer procedimento.
De acordo com Alessandra, a escolha do tratamento depende de fatores como o tipo e o tom de pele, além da condição apresentada por cada paciente.
A partir dessa avaliação, o especialista define a estratégia mais adequada, que pode incluir o microagulhamento realizado em consultório ou a associação com outros procedimentos, como peelings, lasers, ácido hialurônico e bioestimuladores de colágeno.
“O primeiro passo é fazer um diagnóstico correto e elaborar uma programação de tratamento de maneira customizada e adequada para a pele de cada paciente. Muitas vezes, a associação entre diferentes procedimentos é o que garante um resultado mais eficaz”, afirma a dermatologista.
COMENTÁRIOS