Fiscalização já recolheu milhares de camisas e figurinhas falsificadas.
Bloqueio de sites com transmissões ilegais também disparou desde o início do Mundial
Foto: Márcia Foletto/Agência O Globo e Divulgação/Polícia Civil do Rio Enquanto a Copa do Mundo 2026 mobiliza os brasileiros, a fiscalização de autoridades que combatem a pirataria entra em campo e faz apreensões de produtos ilegais ligados à competição.
As ações já resultaram no recolhimento de quase 1 milhão de camisas da seleção brasileira e de times nacionais falsificadas e mais de 335 mil figurinhas e álbuns irregulares nos últimos meses em todo o país.
Paralelamente, órgãos federais reforçaram o combate às transmissões ilegais dos jogos na internet, com monitoramento e bloqueios contínuos de conteúdos irregulares em plataformas digitais.
R$ 50 milhões em camisas
Com valor de mercado estimado em R$ 50 milhões, as apreensões de camisas da seleção foram realizadas pela Receita Federal em operações nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Roraima. Segundo o Fisco, as ações evitaram uma sonegação tributária de quase R$ 39 milhões.
Os dados contabilizam quatro grandes apreensões registradas no Porto de Santos (SP), nos portos do Rio de Janeiro, no Aeroporto Internacional do Galeão (RJ) e em uma rodovia de Boa Vista (RR). Ao todo, foram recolhidas mais de 965,5 mil camisas falsificadas de times brasileiros e seleções.
Uma das operações com maior número de apreensões aconteceu em 27 de maio, no Porto de Santos. A fiscalização apreendeu mais de uma tonelada de camisas de time falsificadas em um contêiner. Na carga, havia mais de 120 mil peças falsificadas.
Entre as camisas apreendidas, estavam também cópias das oficiais de seleções do Brasil, Canadá, Portugal, Itália, Argentina, Colômbia, México, Espanha, Alemanha e Japão, além de clubes brasileiros como Santos, Botafogo, Portuguesa, Flamengo e Atlético Mineiro.
Receita: preço alto não justifica pirataria
Segundo a Receita, esse número corresponde apenas a uma fração do que tem sido apreendido, e que ainda não há balanço nacional fechado. O órgão afirma que mais de 100 operações foram realizadas nos últimos meses, e que novas ações do tipo serão feitas.
“A Receita Federal entende que muitos consumidores consideram alto o preço de camisas oficiais.
Mas combater falsificação não é defender preço alto; é defender legalidade, consumidor, empregos formais, arrecadação e concorrência justa”, afirma a Receita em nota.
As apreensões ocorrem em meio ao aumento das importações de pequeno valor após o fim da chamada "taxa das blusinhas".
Boa parte das camisas falsificadas estão disponíveis em plataformas de comércio eletrônico estrangeiras.
De acordo com a Receita Federal, as compras internacionais dessa categoria cresceram 50% em maio e 43% em abril, na comparação com os mesmos meses do ano passado.
Álbuns e figurinhas
O álbum de figurinhas da Copa também se tornou alvo de falsificadores.
Desde maio, operações das polícias civis do Rio de Janeiro e de São Paulo apreenderam cerca de 335 mil figurinhas falsificadas e mais de mil álbuns piratas.
No Rio, uma única ação da Polícia Civil interceptou aproximadamente 200 mil figurinhas falsificadas que eram transportadas em um ônibus em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.
Na operação, os agentes também encontraram centenas de camisas falsificadas da seleção brasileira.
A febre das figurinhas levou também a um caso em que duas mulheres foram presas na Zona Oeste da capital carioca por criarem um esquema caseiro de falsificação.
Segundo a Polícia Civil do estado, as duas imprimiam as imagens pela internet, cortavam, embalavam as figurinhas falsas e as vendiam pela região como se fossem produtos oficiais.
Já em São Paulo, a Polícia Civil apreendeu cerca de 50 mil figurinhas e mil álbuns falsificados no início deste mês.
Neste caso, também foram confiscadas mais de mil camisas da seleção brasileira suspeitas de falsificação.
No dia 28 de maio, outra operação já tinha apreendido 85 mil álbuns e figurinhas da Copa do Mundo piratas. Nesse caso também foram encontradas mais de duas mil uniformes de seleções nas fiscalizações que aconteceram na região de Canindé, em São Paulo.
Sites bloqueados
Além dos produtos físicos, o combate à pirataria também foi reforçado no ambiente digital. Nesta edição do Mundial, a Agência Nacional do Cine (Ancine), e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) adotaram um esquema especial para coibir transmissões ilegais dos jogos, com monitoramento permanente e bloqueios realizados em intervalos de até 30 minutos, numa tentativa de reduzir a circulação de conteúdo pirata durante as partidas.
Segundo as agências, entre a abertura da competição e o dia 23 de junho, 4.500 plataformas, sites e serviços ilegais foram derrubados.
Outros 420 TV Boxes ilegais foram bloqueados neste período de esforço conjunto durante a Copa do Mundo.
“Esse resultado evidencia a elevada dinâmica das infrações durante grandes eventos esportivos e a necessidade de uma atuação igualmente dinâmica por parte dos órgãos públicos envolvidos”, diz a Ancine.
Antes do início da competição eram realizadas, em média, três operações de bloqueio por semana. Durante a Copa do Mundo, esse número foi ampliado para cinco operações semanais, incluindo operações específicas voltadas exclusivamente à proteção de transmissões ao vivo.
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