Fotos de laudo reacendem suspeita de tortura.
Fotos de laudo reacendem suspeita de tortura no caso dos quatro mortos em Icaraíma
Reprodução PCPR/ Registros anexados ao laudo cadavérico mostram sinais de violência que, segundo a acusação, não aparecem com a mesma força na conclusão apresentada no relatório policial. Pai e filho suspeitos seguem foragidos.
Dez meses depois de ganhar repercussão nacional, o caso dos quatro homens mortos em Icaraíma volta a provocar perguntas difíceis. Desta vez, o novo ponto de tensão está em fotos anexadas ao laudo cadavérico das vítimas.
A imagem, obtida pelo parceiro Umuarama News por meio de uma fonte ligada ao inquérito, mostram sinais de tortura em pelo menos duas das vítimas. Em uma delas (acima), uma das vítimas aparece amarrada com uma corda. Também há registro de mutilação, ferimentos provocados por objeto perfurocortante e outras lesões que não teriam relação direta com disparos de arma de fogo.
Este dado ganha peso porque contrasta com a conclusão citada no relatório da Polícia Civil, segundo a qual os laudos de necropsia não apontariam sinais de tortura.
O documento atribui as lesões encontradas nos corpos aos disparos de arma de fogo e informa que exames radiológicos teriam descartado ferimentos dessa natureza. A divergência entre o que dizem as imagens e o que foi registrado na conclusão pericial abre um novo debate dentro do caso.
Fotos foram anexadas depois
A advogada Josiane Monteiro, que atua como assistente de acusação, informou que as fotografias não teriam sido juntadas ao inquérito no primeiro momento. Diante disso, ela pediu à Justiça que todo o material fosse incluído nos autos. Com a anexação, a acusação passou a sustentar que as imagens mostram de forma mais clara a violência sofrida pelas vítimas antes da morte. O ponto agora deve ser analisado dentro do processo. A eventual contradição entre imagens, laudos e relatório policial pode ter impacto na forma como o crime será interpretado pela Justiça.
Cobrança de dívida terminou em morte
O crime começou a ser investigado após o desaparecimento de Rafael Juliano Marascalchi, Diego Henrique Affonso, Robishley Hernani de Oliveira e Alencar Gonçalves de Souza.
Em agosto de 2025, Rafael, Diego e Robishley saíram do interior de São Paulo com destino a Icaraíma -Paraná, contratados por Alencar Gonçalves, morador de Icaraíma para uma cobrança de dívida.
Na cidade, o grupo seguiu em direção ao distrito de Vila Rica, onde fica uma propriedade ligada à família Buscariollo. Segundo as investigações, as vítimas teriam se encontrado com Antônio Buscariollo e o filho dele, Paulo Buscariollo. Após esse contato, os quatro homens desapareceram.
A Fiat Toro usada pelas vítimas foi encontrada semanas depois, enterrada em uma área rural.
O veículo apresentava marcas de tiros e vestígios de sangue. Dias depois, os quatro corpos foram localizados.
Suspeitos continuam foragidos
Antônio e Paulo Buscariollo são apontados como suspeitos no caso e estão foragidos desde agosto de 2025. Buscas foram realizadas na região e também em outros estados, mas até agora pai e filho não foram localizados. O caso permanece sem uma resposta considerada definitiva pelas famílias.
Para os parentes das vítimas, a localização dos suspeitos é vista como passo essencial para esclarecer a dinâmica do crime e responsabilizar os envolvidos.
Na última semana, quando o caso completou dez meses, familiares voltaram a cobrar justiça.
A revelação das imagens reacendeu a indignação, principalmente pela possibilidade de que as vítimas tenham sofrido violência antes de serem mortas.
Rafael, Diego, Robishley e Alencar foram encontrados mortos, mas a cobrança por respostas segue viva. As famílias esperam que os suspeitos sejam presos e que todas as circunstâncias do crime sejam esclarecidas.
Denúncias - Informações que possam ajudar na localização de foragidos ou no avanço das investigações podem ser repassadas de forma anônima pelo 181. Em situações de emergência, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190.
COMENTÁRIOS