Walber Guimarães Junior
Efeito Vorcaro pode provocar substituição de Flávio?
Pesquisa isolada pode até não ser conclusiva, mas quando o conjunto de levantamentos apontam na mesma direção, a leitura dos números se torna muito mais consistente e, basta olhar os gráficos para perceber que as explicações de Flavio Bolsonaro com “seu irmazão” Daniel Vorcaro não foram absorvidas pelo eleitor brasileiro.
Para o cidadão comum pode parecer uma dança natural dos números, muito a favor do vento que sopra a cada fato político, mas, para partidos e profissionais da área, isto significa uma tendência que, sem reversão de curto prazo, aponta para a falta de competitividade, em especial no segundo turno, inclusive porque a rejeição de Flávio já supera a do atual presidente Lula, fora dos limites das margens de erro, provocando calafrios na extensa rede de apoios da direita brasileira.
O universo político brasileiro convive com a ideia de que a direita, durante todo o ciclo pós eleições de 22, mesmo derrotada nas urnas, é majoritária entre os cidadãos politizados, fora dos nichos mais restritos que apenas enxergam política no momento eleitoral, logo prevalecia a ideia de que bastava colocar uma boa escalação em campo, disputar o primeiro turno e somar todos para uma disputa favorável no segundo turno. Algo como a sensação de que o time da direita é melhor e que a vitória vem naturalmente.
Porém, assim como no futebol, uma equipe homogênea, com boa estratégia, um bom treinador e alguns atletas bem-posicionados pode enfrentar e até derrotar um adversário teoricamente mais forte.
Isto tem também a ver com expectativa de vitória, confiança que se transmite aos torcedores e, neste momento, há indícios de que estes fatores trocaram a camisa amarela pela vermelha.
Todavia, você sabe que ainda estamos na etapa preliminar e que a competição pra valer ainda não começou e existe a possibilidade de trocar atletas ou definir uma nova escalação.
Esteja certo de que lideranças e siglas mais pragmáticas, quase todo o espectro próximo ao centrão, avalia esta hipótese, fortalecida pelos nomes disponíveis à beira do campo, como Ronaldo Caiado e Romeu Zema, como valorosos reforços femininos no banco de reserva como Michele Bolsonaro e a ex-ministra Teresa Cristina.
A ideia é bem objetiva; aparentemente o time tem mais torcida então precisa fazer valer esta expectativa no campo, nas urnas para ser mais preciso.
A verdade é que a insistência com Flávio, imposição do pai e principal líder da direita, o ex-presidente Jair Bolsonaro, afastou de campo dois atletas bem mais qualificados, os governadores Tarcísio de Freitas e Ratinho Junior, que, provavelmente estariam em situação mais favorável e, talvez, protegidos do risco Vorcaro, cuja delação pode ampliar o desgaste da família Bolsonaro pela evidente falta de transparência na transferência de recursos/investimentos/ajuda de custo/ propina, hipóteses que estão em aberto em relação ao filme Dark Horse, com a história de Jair Bolsonaro em 2018.
O calendário também conspira contra a oposição, neste momento.
Daniel Vorcaro e o segundo tarifaço americano amenizaram o efeito positivo da visita de Flávio ao presidente americano Donald Trump e o início da Copa coloca qualquer outra pauta em segundo plano e isto, por conta da leitura atual, é muito mais favorável para quem corre á frente.
Mais grave ainda é que este hiato de tempo, como uma pausa para hidratação no futebol, pode permitir substanciais alterações na escalação e no ânimo da equipe.
Sim, a substituição de Flávio, talvez por Michele, ou o deslocamento de apoios importantes para as demais candidaturas é um elemento na mesa das negociações. O grande problema é que nem mesmo o presidente do PL tem convicção de que os demais celulares de Daniel Vorcaro não têm mais combustível para aprofundar o desgaste do atual candidato.
Todos nós sabemos que na lógica política brasileira, cada escândalo é a porta do inferno até que o seguinte assuma a prioridade da pauta, portanto qualquer fato de novo, com vento em qualquer direção, pode exigir uma revisão das leituras, mas, neste momento, parece fazer muito sentido a comemoração petista apontando Flávio Bolsonaro como adversário preferencial por conta de suas vulnerabilidades.
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